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A paz é fruto da justiça

Dom Murilo S.R. Krieger, scj

Arcebispo de São Salvador da Bahia, Primaz do Brasil

 

Recentes pesquisas mostraram que uma das maiores preocupações dos brasileiros, atualmente, diz respeito à segurança. Nossas cidades estão se tornando cada vez mais violentas. A violência gera medo. Quando o medo domina, a paz desaparece. Em época de eleições, demonstrando conhecer bem quais são os grandes anseios da população, os candidatos prometem que, uma vez eleitos, tornarão a vida de todos mais segura.

Não se garante uma vida mais segura pelo simples aumento do número de policiais, de armas ou de detenções. A segurança é fruto da paz e “a paz é fruto da justiça”, segundo ensinava o profeta Isaías, sete séculos antes de Cristo (Is 32,17).

Nós, discípulos de Jesus de Nazaré, somos chamados a trabalhar pela paz: “Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9). Vemos que, em nossa sociedade, a convivência entre as pessoas está ficando cada vez mais difícil e tensa. As agressões verbais e físicas estão se tornando sempre mais comuns, e por motivos banais. Parece até que o filósofo inglês Hobbes (†1679) tenha se referido ao nosso tempo, quando escreveu: “O homem é o lobo do homem”.

A partir dos valores que Jesus veio nos ensinar, somos chamados a mostrar que uma outra sociedade é possível – isto é, uma sociedade envolvida pela cultura da paz. A Igreja não tem respostas técnicas para os problemas que desafiam a nossa sociedade; tem, sim, princípios capazes de fazer nascer uma grande reflexão sobre o valor da paz.

Em síntese: cabe-nos desenvolver nas pessoas a capacidade de reconhecer as consequências da violência em sua vida pessoal e social, para que assumam sua própria responsabilidade; denunciar as injustiças na vida pública; demonstrar que uma das causas da violência é a negação dos direitos das pessoas; favorecer a criação e a articulação de redes sociais populares e de políticas públicas, com vistas à superação da violência e de suas causas e à difusão da cultura da paz; multiplicar ações solidárias em favor das vítimas da violência; apoiar as políticas governamentais valorizadoras dos direitos humanos; lutar contra a impunidade etc.

A paz é fruto da justiça. Todo ato de injustiça e desamor é pecado e fonte de violência. A violência sempre aparece quando é negado à pessoa aquilo que lhe é de direito, a partir de sua dignidade, ou quando a convivência humana é direcionada para o mal. A violência nega a ordem desejada por Deus.

Deus nos criou por amor e para o amor. Fomos criados à Sua imagem e semelhança. Nosso Deus é o Deus da paz. Por isso mesmo, a construção da paz é uma das maneiras de lhe demonstrarmos o nosso amor. Se houver paz entre nós, todos viverão felizes e, com razão, seremos chamados de “filhos de Deus”.

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