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Comunidade da Trindade celebrou os 15 anos de reabertura do templo

15 velas colocadas sobre uma mesa foram acesas para representar os 15 anos de reabertura da igreja
15 velas colocadas sobre uma mesa foram acesas para representar os 15 anos de reabertura da igreja

Desde que conheceu a igreja da Trindade a história de José Elias Lima começou a mudar e o papelão deixou de ser, definitivamente, o local onde ele se abrigava. Se andar e sem falar direito, Elias – como é conhecido – foi, aos poucos, recuperando a saúde, a alegria de viver e a dignidade. “Hoje celebrar os 15 anos de reabertura da igreja da Trindade representa tudo na minha vida. Para mim é uma alegria enorme estar aqui, é um prazer”, disse.

Assim como Elias, dezenas de homens e mulheres se uniram na manhã de hoje (11) para celebrar as bodas de cristal da reabertura do templo que, atualmente, abriga pessoas em situação de rua. A Missa festiva foi presidida pelo Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, scj, que durante a homilia falou sobre o amor de Deus por cada pessoa. “A celebração destes 15 anos é para cada um lembrar que ‘eu estou aqui porque Deus me ama, porque sou uma ovelhinha querida’”, afirmou Dom Murilo.

Após a homilia, 15 velas foram acesas ao redor de uma pequena imagem da igreja da Trindade. “Para mim, uma grande gratidão à Trindade, ela que fez com que tantas pessoas se juntassem para fazer com que possamos acolher e viver essa experiência de Deus, tão profunda, de estar com o pobre. Então, é um sentimento de gratidão estar com as portas abertas e viver essa experiência de Deus”, disse Vânia Costa, membro da comunidade da Trindade e atual responsável pela comunidade da Trindade do Mar.

Igreja da Trindade

Atualmente a igreja abriga pessoas em situação de rua
Atualmente a igreja abriga pessoas em situação de rua

Construída no século XVIII a Igreja da Trindade está localizada em Águas de Meninos, próximo ao Mercado do Peixe – Cidade Baixa. Inicialmente sob os cuidados da Irmandade do Rosário e Santíssima Trindade, o templo possui três naves e na fachada conta com elementos rococó e neoclássico.

No ano de 1806, o Papa Pio VII extinguiu a Irmandade do Rosário e Santíssima Trindade e criou, em seu lugar, a Ordem 3ª da Santíssima Trindade e Redenção dos Cativos. Em 1888 a igreja foi consumida por um incêndio, restando apenas as paredes externas. “Em 1990 foi celebrada a última Eucaristia no local e, a partir daí, a igreja ficou trancada, abandonada”, contou Henrique Peregrino, idealizador da comunidade da Trindade.

Segundo ele, ao fazer uma peregrinação a Salvador, a igreja da Trindade foi colocada no roteiro para a realização de um momento de oração. Contudo, ao chegar no local, os peregrinos encontraram o templo fechado. “Isso foi no ano 2000. Queríamos fazer uma oração aqui, passando por essa igreja. Como ela estava fechada, eu procurei saber quem era o administrador e descobri que era o padre João. Conversei com ele para ver a possibilidade de abri-la para a oração e perguntei se poderíamos morar aqui para devolver o culto à Trindade e para acolher as pessoas de rua”, recordou.

Henrique afirma que cerca de 100 pessoas são acolhidas todos os anos pela comunidade. Entretanto, não existe nenhum registro que comprove quantas pessoas já passaram pelo local. “Hoje a comunidade é repartira entre aqueles que moram dentro da igreja num primeiro acolhimento, mais ou menos 30 pessoas; pessoas que moram no sítio da Trindade, que são as casinhas ao redor, onde pessoas em situação de rua, que passaram pela comunidade e que já têm o seu trabalho, que hoje podem assumir o seu aluguel, então umas 15 pessoas; e na Trindade do Mar – localizada na Ilha de Itaparica – tem mais seis pessoas. Então, ao todo, umas 50 pessoas”, disse.

Além de acolher pessoas em situação de rua, a comunidade da Trindade desenvolve o jornal Aurora da Rua, veículo impresso produzido e vendido por ex-moradores de rua, com o objetivo de “tornar visível e audível a face e a voz daqueles que muitas vezes são pouco vistos e pouco ouvidos na sociedade”.

Com uma tiragem de 10.000 exemplares por edição (a cada dois meses), o Aurora da Rua colabora na geração de renda dos vendedores e na reinserção social de homens e mulheres. Para a jornalista responsável pela publicação, Iris Queiroz, celebrar os 15 anos da reabertura da igreja da Trindade representa acolhimento. “Representa restauração de vidas. A comunidade da Trindade consegue agregar pessoas em torno desse objetivo e acolhe pessoas renovando vidas. Para mim essa é a palavra mais simbólica nesses 15 anos: renovar vidas”, afirmou.

A Missa foi presidida pelo Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, scj
A Missa foi presidida pelo Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, scj

Mensagem do Arcebispo:

“Eu penso que a celebração de 15 anos é uma grande vitória, porque eu tenho certeza que quando começaram esse trabalho aqui na igreja da Trindade, acolhendo especialmente as pessoas de rua, ninguém poderia imaginar que esse trabalho iria tão longe. Mas, graças ao trabalho do Henrique, as pessoas que foram se juntando por acreditarem nesse projeto, as colaborações que foram surgindo e, especialmente, o empenho daqueles homens e mulheres de rua, que passaram a viver essa experiência em torno da Santíssima Trindade, graças a alegria que passaram a sentir, o projeto já não é mais projeto, é uma realização que tem uma bela história para contar. Assim são as obras de Deus: nascem pequenas e pobres, mas têm uma força que é a força de Deus. E tenho certeza de que daqui a pouco estaremos celebrando com eles 20 anos, 25 e sabe lá Deus quantos anos de existência dessa comunidade”, disse Dom Murilo.

Confira as fotos!

Fotos: Sara Gomes

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