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Diário de Bordo: experiência de misericórdia

 

Por Dom Gilson Andrade da Silva

Bispo auxiliar da Arquidiocese de Salvador

Cracóvia, 27 de julho de 2016

DSC06318Nosso dia começou com a catequese na paróquia de Santa Jadwiga (Edwiges), às 9h, pregada pelo bispo auxiliar de Belo Horizonte, D. João Justino. Uma Igreja grande que abrigou cerca de 1.500 jovens. A animação da catequese ficou a cargo de membros da comunidade Shalom de Portugal. A catequese na JMJ se estrutura da seguinte forma: durante meia hora o bispo apresenta o tema do dia, sempre ao redor de algum aspecto da Mensagem do Papa para a Jornada, a seguir, os jovens são convidados a apresentar ao bispo perguntas ao redor da apresentação ou sobre assuntos relacionados. O ponto alto da catequese é a celebração da Santa Missa. Durante a catequese e a seção de perguntas estive no confessionário, ouvindo confissões dos jovens brasileiros e portugueses que lotavam a Igreja.

A missa foi no estilo alegre comum às nossas celebrações e o celebrante, D. Levi, bispo auxiliar de Goiânia, falou aos jovens sobre a importância de experimentar a misericórdia no sacramento da penitência como lugar de conversão e de paz e sobre como ter um coração capaz de ser misericordioso com os irmãos.

Ao terminar a missa tive a alegria de encontrar o grupo de jovens que foi com a Comunidade Verbo de Vida das paróquias de Nossa Senhora da Conceição Aparecida de Itinga, Nossa Senhora da Conceição de Periperi, São Caetano e São Cristóvão. Tive a alegria de reencontrar também a Ir. Maria Laura, da Comunidade. Partilhamos rapidamente algumas experiências da Jornada.

Encontrando alguns jovens ao longo do dia foi crescendo em mim a convicção de que a Jornada nos oferece viver experiências muito interessantes, todas elas muito boas, mas nem sempre percebidas assim. Por isso os jovens são convidados nos acontecimentos a perceber Jesus do lado deles, como com os discípulos de Emaús. E a presença de Jesus nos ajuda a ver a novidade de tudo.

Ontem um bispo me dizia que ouviu a pregação de um bispo que dizia: aqueles que dizem que tudo vai mal são ateus, podem até se dizer católicos, mas são ateus. Fiquei pensando nisso, pois a multidão de jovens aqui em Cracóvia que não para de caminhar, mostra que existe sentido, existe direção e que o mundo não está sem saída.

Após a catequese a missa foi na casa paroquial. Uma paróquia grande, com nove sacerdotes para o serviço pastoral. Ali me disseram que 75% das pessoas em Cracóvia vão à missa aos domingos. Acho que será difícil encontrar um paralelo no nosso mundo.

À tarde havia combinado com os peregrinos de Salvador um encontro no Santuário da Divina Misericórdia para a hora da misericórdia, às 15h. Quando lá cheguei fiquei tocado pela quantidade de jovens italianos que lotavam a esplanada do Santuário, mas não só; lotavam tudo. Depois pude ver que os bispos da Itália também estavam lá para celebrar com os seus jovens. Dentro do Santuário uma jovem se aproximou de mim e me pediu que a atendesse em confissão. Logo detectei uma dificuldade: ela falava inglês. Pedi que falasse devagar e acabamos por nos entender.

Esperei nossos peregrinos mas, infelizmente, não nos encontramos. Penso que Nosso Senhor queria que nós o encontrássemos primeiramente e foi o que de fato aconteceu. Fomos em horários diferentes e nos desencontramos, mas encontramos Jesus misericordioso no seu Santuário.

Na volta tive um contratempo com a condução e levei duas horas para voltar para casa. Dessa forma partilhei com os jovens suas caminhadas intermináveis e seu cansaço que renova a força de muitos e entendi que era preciso dar sempre novos passos, mesmo que cansativos e não sabendo bem onde vamos chegar. Sabemos, porém, que Ele vai conosco.

Em vários palcos na cidade estão distribuídos espetáculos, shows, apresentações, entre eles, o Halleluya, da Comunidade Shalom. Um enorme afluxo de jovens peregrinos por todas as partes. Como sempre não param de caminhar e nos estimulam a deixar nossas posições cômodas e sair em busca da novidade que o Senhor prepara para todos.

A grande novidade do dia: a chegada do Papa na Polônia, às 15h50 daqui (10h50 do Brasil) e a expectativa para o primeiro contato com os jovens às 20h, quando o Papa, da janela da sede do arcebispado de Cracóvia.

Nada mais aparecer na janela o Papa quis dar uma notícia triste aos jovens: pediu aos jovens silêncio e comunicou que o jovem que fez todos os desenhos da JMJ, em novembro teve diagnóstico de um câncer e os médicos não puderam fazer nada. Ele queria chegar vivo na visita do Papa, já tinha a passagem para estar no bonde que conduzirá o Papa, mas morreu 2 de julho. O Papa pediu silêncio e que pensássemos neste jovem e que com o coração rezássemos por ele. Assim começou… Certamente nossa Jornada é uma experiência profunda de misericórdia através da dedicação de muitas pessoas que se doam para que os corações sejam tocados.

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