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Jesus: o maior presente do Pai

Dom Murilo S.R. Krieger, scj

Arcebispo de São Salvador da Bahia – Primaz do Brasil

 

Na noite de Natal de 1223, em Greccio (Itália), São Francisco de Assis construiu um presépio – o primeiro da história. Era a representação do estábulo de Belém e das figuras que participaram do nascimento de Cristo. Desde então, os presépios tomaram conta dos lares cristãos do mundo.

Não é possível imaginar um presépio sem uma criança. O profeta Isaías nos anuncia: “Nasceu para nós um menino, foi-nos dado um filho” (Is 9,5). Não é possível imaginar um presépio sem uma mãe. Escreveu o evangelista Lucas: “Maria deu à luz o seu filho primogênito… o enfaixou e o colocou na manjedoura” (Lc 2,7). Não é possível imaginar um presépio sem pastores: “Naquela região havia pastores que passavam a noite nos campos, tomando conta do seu rebanho” (Lc 2,8). Não é possível imaginar um presépio sem anjos. Um deles anunciou: “Hoje nasceu para vós um Salvador, que é o Cristo Senhor!” Os demais, cantaram: “Glória a Deus no mais alto dos céus!” (Lc 2,11.13).

Neste Natal de 2018, somos convidados a imitar os pastores, indo à gruta de Belém. Ali, o que vemos? O que encontramos? Vemos uma criança que nasceu e que adoramos. Quando nasce uma criança, os que vão visitá-la costumam levar-lhe presentes. O que temos para oferecer ao Menino que nos é dado? Podemos oferecer-lhe o ano que está terminando, com o que conquistamos e desafios que enfrentamos, com os sofrimentos a que fomos submetidos e as alegrias de que desfrutamos. Não há dúvida de que o Senhor aceitará essa nossa oferta, pois ele convida todos a ir ao seu encontro, principalmente os que estão cansados e carregados de fardos. Mas, pensando bem, não somos nós que oferecemos presentes ao Menino Jesus. Ele, o Filho de Deus, o Salvador, é o presente do Pai para nós.

O evangelista Lucas, autor da mais bela, completa e profunda página sobre o Natal, nos lembra que o Natal é a festa dos contrastes, pois houve um grande recenseamento e um humilde nascimento; uma grande alegria e uma humilde manjedoura; uma grande manifestação do amor de Deus e o medo dominando o coração dos pastores.

A Palavra de Deus nos ensina, pois, que viver o Natal hoje significa tomar consciência de que o Pai nos dá um dom, um presente: Seu Filho amado. Diante de tal presente, não podemos ficar indiferentes, tristes ou abatidos. Antes, precisamos acolhê-lo, pois se trata do nosso Salvador. Acolhê-lo significa mudar de vida e procurar viver como ele viveu; tentar fazer, como ele, a vontade do Pai; significa, enfim, ter no coração um lugar para todos.

Tendo recebido esse presente do Pai, será inevitável nossa reação: como os pastores, sentiremos necessidade de glorificar e louvar a Deus cada dia, porque Ele não se cansa de nos amar, perdoar e presentear…

 

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