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Ressurreição de Lázaro para a glória de Deus (Jo 11, 1-44)

Por Tamires Rodrigues de Andrade*

 

Em Betânia, pequeno povoado da região da Judéia, Jesus cultivava uma amizade verdadeira com Lázaro, Marta e Maria. O evangelista João nos relata que o amigo de Jesus, Lázaro, estava doente e suas irmãs o mandaram chamar: “aquele que tu amas está doente” (Jo 11, 1). A atitude das irmãs de Lázaro é semelhante à nossa quando o sofrimento vem nos visitar ou quando perdemos uma pessoa querida. Em momentos assim, chamamos por Jesus e pedimos que nos socorra em nossas necessidades.

Jesus fez pouco caso da situação do seu amigo? Não, Jesus está ensinando que a doença e a morte possuem um mistério próprio. Muitas vezes não as compreendemos, mas elas servem para manifestar a glória de Deus. Elas não possuem a palavra final.

Estamos acostumados a imaginar a glória de alguém como algo de glamoroso e esplêndido. Só que a glória de Deus é a realização de Sua vontade na nossa vida e na vida das pessoas que amamos. Sua vontade significa acolher a Sua presença e viver o nosso melhor, deixando que Ele nos conduza para uma vida plena, abundante e de qualidade. Entretanto, isso não significa que seremos imunes aos sofrimentos e à morte, mas todas essas situações serão re-significadas com Ele.

A tristeza de Marta e Maria (cf. Jo 11, 21-22.32) é semelhante à nossa quando não compreendemos o agir de Deus. O tempo de Deus é diferente do nosso tempo; a vontade de Deus é diferente da nossa vontade. Deus não faz mágica nem age por conveniência. Deus realiza tudo com a força total e incondicional de Seu amor.

Jesus precisou ajudar Marta a entender: Ei, Marta, tem jeito sim. “Eu sou a ressurreição e a vida, aquele que crê em mim, mesmo que morra, viverá…” (Jo 11,25). No diálogo, Jesus também fala às irmãs: “Não te disse que se creres, verás a glória de Deus?” (Jo 11,40). O evangelista João, de modo especial nesse capítulo 11, nos revela que a vida comunicada por Jesus aos seus apóstolos e seguidores vence a morte e, consequentemente, traz em si a ressurreição. A ressurreição é uma vida transformada, de modo pleno e definitivo, em Deus. Essa vida supera todas as condições físicas e da natureza, mas realiza-se, de modo totalmente diferente, como vida eterna com Deus.

Diante do sepulcro, Jesus não conteve sua emoção e chorou! Chorou a morte de um amigo (Jo 11,33.35). É a humanidade de Cristo que se desdobra em amor. Não é nem choro de desespero e nem de remorso. São lágrimas de quem soube amar, de quem cultivou uma amizade verdadeira. São lágrimas de súplica e de alegria, porque confiava na ação do Pai, que traria seu amigo à vida. Então, ordena: “Lázaro, vem para fora!” (Jo 1,44) e seu amigo ressurgiu. O que aconteceu foi uma ressurreição.

Lázaro retornou à vida biológica e depois de algum tempo tornou a morrer. Esse é apenas um sinal do que Deus é capaz de fazer e quer fazer a todas as pessoas. É importante comentar que este foi o último sinal que Jesus realizou na sua vida terrena. O evangelista João, narrador dos Sinais de Deus em Jesus, conta que esse foi o sétimo sinal, esse número corresponde a “plenitude”. E isso é muito significativo para nossa reflexão: a ressurreição dos mortos, tendo por sinal a ressuscitação de Lázaro, mostra que essa é a vontade plena e definitiva de Deus – a vida eterna com Ele.

Essa vida eterna é mostrada por Deus com todo o seu vigor em Jesus Cristo. Por causa de seu anúncio de esperança: todas as pessoas encontram lugar e dignidade diante de Deus. Jesus foi condenado e morto na cruz. O Pai, por meio do Espírito, intervém e ressuscita Jesus dentre os mortos. A morte não possui a última palavra. O que acontece não é um retorno à vida, mas sim um viver totalmente novo em Deus, que não está mais sujeito ao tempo e ao espaço como a vida humana está sujeita. Essa é a experiência que acontecerá com todas as pessoas, no final dos tempos, quando Jesus virá com poder e glória para julgar os vivos e os mortos e Seu Reino não terá fim.

Para nós cristãos, a ressurreição de Jesus é o fundamento da nossa fé e o sentido de nossa esperança. O Novo Testamento dá testemunho dessa ação amorosa de Deus e nos convida a crer e a esperar Sua plena realização também em nossa vida. Essa experiência não significa dizer tudo. E, sim, alguma coisa do mistério inesgotável de Deus.

Enfim, o que podemos dizer a partir do sinal realizado com Lázaro (sua ressuscitação) e depois realizado, de modo pleno e definitivo, em Jesus (Sua ressurreição) é que a morte não é somente a interrupção da vida biológica. Ela possuiu também um sentido mais profundo: foi criada para ser vivida plenamente com Deus. E a resposta de Deus a essa interrupção biológica é Sua intervenção definitiva através da ressurreição: uma vida totalmente nova, de forma diferente e eterna. Tudo isso realizado para a maior glória de Deus.

*Estudante de Teologia da Universidade Católica do Salvador (UCSal). Desenvolve estágio pastoral na Pastoral da Comunicação (Pascom) da Arquidiocese de Salvador.

 

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