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Santa Maria Madalena: apóstola dos apóstolos

Dom Hélio Pereira dos Santos

Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Salvador

Há mais de dois mil anos Maria Madalena provoca movimentações na Igreja. Recentemente, na 55ª Assembleia Geral – maio de 2017, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB – aprovou a tradução do Prefácio de Santa Maria Madalena, possibilitando uma nova visão sobre essa figura tão inquietante.

Existem muitas incompreensões no trato à Santa Maria Madalena, atribuindo-lhe conduta duvidosa. Santa Maria Madalena foi tratada como a pecadora arrependida que molhou os pés de Jesus com suas lágrimas, enxugou-os com os próprios cabelos e os ungiu com óleo perfumado e, aproximando-se do cômico, foi confundida com a mulher adúltera apresentada no evangelho de João 8, 1-11.

Cumpre esclarecer que, além da passagem de Lucas 8,1-3 onde se cita o nome de Maria Madalena da qual haviam saído sete demônios, há também outro texto em Lucas onde, na casa de Simão, “apareceu uma mulher da cidade, uma pecadora. Sabendo que Jesus estava à mesa na casa do fariseu, trouxe um frasco com perfume. E, ficando por detrás, aos pés dele, chorava; e com as lágrimas começou a banhar-lhe os pés, a enxugá-los com os cabelos, a cobri-los de beijos e a ungi-los com o perfume” (Lc 7,37-38).

Por outro lado, há três referências à mulher do perfume e unção de Jesus: Mt 26,6-13; Mc 14,3-9; Jo12,1-9, mas nada mencionam sobre a mulher pecadora. Mateus 26,6-13 e Marcos 14, 3-9 atestam que a segunda unção do Divino Mestre se deu “estando Jesus em Betânia, em casa de Simão, o leproso”, e não na cidade em casa de Simão, o fariseu, como afirma São Lucas sobre a pecadora. Fica claro que aconteceram cenas idênticas, mas em lugares diferentes. Não se encontra Maria Madalena em nenhum dos lugares citados, nem em casa do fariseu na cidade, nem em casa do leproso na Aldeia Betânia.

Ocorre mais, considerando que a pecadora não foi designada por nome em Lucas, tendo sido despedida pelo Mestre, o mesmo não aconteceu com relação à Maria Madalena, assim conhecida por ser natural da cidade de Magdala, encontrando-se claramente nomeada, segundo a narrativa desse médico dos Apóstolos, identificando-a dentre: “As mulheres que serviam a Jesus”, não como a pecadora, mas sim claramente dizendo ser: “mulher da qual saíram sete demônios” (Lc 8, 1-3).

De resto, a possessão demoníaca conduzia ao estado de loucura e tornava totalmente inviável a manifestação inteligente para atos de comércio como a prostituição requeria, sendo impossível essa prática para uma alienada mental, desprovida de consciência ou de vontade própria. Como poderia uma mulher, além de possessa, com os cabelos longos e desalinhados, ganhar a vida na prostituição? Junte-se ao exposto que demônio feio não tenta.

Maria Madalena que a Igreja comemora dia 22 de julho é a que segue Jesus da Galileia à Judeia, chegando até aos pés da cruz (Mt 27,56), sendo testemunha do sepultamento de Jesus (Mt 27,61), depois fica em vigília e, na madruga do novo dia, foi a primeira a ir ao sepulcro e vê-lo vazio (Mt 28,1-10) e numa aparição do Ressuscitado recebe a missão: “vai dizer aos meus irmãos, eu subo ao Pai e vosso Pai, a meu Deus e vosso Deus”(Jo 20, 17).

Com o Prefácio de Santa Maria Madalena se volta a contemplá-la no centro dos apóstolos e animadora da Igreja, pois, se reza: “No Jardim ele apareceu claramente à Maria Madalena que tanto o amou em sua vida terrena. Ela presenciou sua morte na cruz e, depois de tê-lo procurado no sepulcro, foi a primeira a adorá-lo ressuscitado dos mortos. Por essa razão, foi honrada com a missão de apóstola dos apóstolos, para que a boa notícia da vida nova chegasse até os confins da terra. Por isso, senhor, também nós, com todos os Anjos e Santos, vos louvamos e exultantes cantamos”, incluindo a súplica:“Santa Maria Madalena! Rogai, rogai por nós”.

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