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Páscoa: nova dinâmica da vida

Dom Hélio Pereira dos Santos

Bispo auxiliar da Arquidiocese de Salvador

Os primeiros cristãos entenderam a Páscoa de Jesus Cristo como novo Êxodo. A Páscoa Judaica e também a Cristã são caracterizadas por movimentações, mobilidades, deslocamentos, mudanças que inspiram novas atitudes, novas formas de viver, dando visibilidade à presença de Deus na história.

Com a ressurreição do Crucificado, Deus disse sua última palavra sobre aquela vida feita de amor e serviço que “andou por toda parte, fazendo o bem” (At 10, 38).  A morte não tem mais poder sobre ele.  E a partir dele, não tem mais poder sobre nenhum homem e mulher vindos a este mundo, visto que a Ressurreição de Cristo dentre os mortos vale para nós, não mortos ainda fisicamente, mas como vivos provindos dos mortos (cf. Rm 6,13 -14).

A luz trazida pela passagem de Jesus da morte para a vida pelo poder de Deus brilhou através e apesar das trevas que ainda continuavam com seu trabalho predatório sobre a vida: “Os sumos sacerdotes se reuniram com os anciãos e deram uma grande soma de dinheiro aos soldados, dizendo-lhes: dizei que os discípulos dele foram durante a noite e roubaram o corpo enquanto vós dormíeis” (Mt 28,12-13).

A vitória já está alcançada com a ressurreição de Jesus!  Deus mostrou que quer a vida, mas é preciso ter os rins cingidos, as sandálias aos pés, o cajado à mão e manter a vigilância pela defesa da vida, desde a concepção, como alertou a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, 11 de abril de 2017, em uma nota com o título: “Pela vida, contra o aborto”.  Fez-se um apelo veemente para as nossas comunidades se unirem em oração e se mobilizarem, promovendo atividades pelo respeito da dignidade integral da vida humano, alertando que “o direito à vida é intrínseco à condição humana e não uma concessão do Estado”.  Por fim diz a nota: “Ao invés de aborto seguro, o Sistema Público de Saúde deve garantir o direito ao parto seguro e à saúde das mães e de seus filhos”.  Não se compreende uma pátria, mãe gentil, que se diz evoluída, matar os seus filhos, nas escondidas ou às claras, sob o pretexto de direito.

Nas celebrações imediatamente ao evento ressurreição de Jesus Cristo temos uma sequência de acontecimentos que mostra o novo impulso na vida dos seguidores de Cristo: as mulheres partiram depressa do sepulcro e correram para dar notícias aos discípulos (cf. Mt 28,8); alguns guardas foram à cidade e comunicaram aos sumos sacerdotes tudo o que havia acontecido (cf. Mt 28,11); os discípulos de Emaús voltaram para Jerusalém e contaram aos demais sobre o encontro com Jesus (cf. Lc 24,33-35).

Dentro do contexto de correria, gostaria de destacar a realidade vista por Maria Madalena que inspirou movimentação: “Ela saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo. Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo. Os dois corriam juntos” (Jo 20,2-4). Para abrir nossa fé no Cristo ressuscitado precisamos realizar nossa corrida, mas devemos correr unidos, construindo formas de viver que colocam Cristo no centro, pois, onde dois ou três estão reunidos em seu nome, Ele aí se encontra (cf. Mt 18,20).

Na alegria da nova dinâmica da vida, cantemos Aleluia!  Aleluia porque Jesus tomou o que é nosso, nossas limitações. Chamou para ele nossas misérias, sem deixar de ser Deus, deixando-nos livres. “Ele foi castigado por nossos crimes e esmagado por nossas iniquidades” (Is 53,5).  É nosso dever agradecer: “Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! A mão direita do Senhor fez maravilhas” (Sl 117/118). É nossa salvação louvar porque Deus passou e libertou seu povo; Deus passou e ressuscitou seu Cristo dentre os mortos e nada mais poderá nos separar de seu amor manifestado em Jesus, nosso Senhor (cf. Rm 8,38-39).    “Salve, ó vítima pascal!”  Feliz Páscoa!

A esperança na Cruz

Dom Gilson Andrade da Silva

Bispo auxiliar da Arquidiocese de Salvador

A festa da Páscoa é celebrada a cada ano de acordo com um critério de calendário estabelecido no Concílio de Niceia, em 325 da era cristã, recordando e celebrando os fatos extraordinários ocorridos em Jerusalém, onde Jesus Cristo foi até o extremo na sua doação de amor.

A celebração anual da Páscoa do Senhor não corresponde simplesmente à uma necessidade da comemoração, mas tem um significado mais profundo. Na sua compreensão dos ciclos litúrgicos a Igreja entende que a celebração dos mistérios de Cristo coloca o cristão diante daquilo que corresponde ao sentido de sua própria vida. O cristão vive de Cristo e dos seus mistérios (cf. Col 3, 3). De muitas formas ele reproduz no cotidiano de sua existência e nas vicissitudes da história o que Cristo viveu. Portanto, celebrar hoje a Páscoa deve ter uma implicação concreta com as coisas que estão acontecendo.

A Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor não é um fato isolado da vida de uma pessoa na sua existência concreta, mas tem a ver com toda a humanidade. Jesus morreu para salvar a todos. Esta é a fé da Igreja e este é o sentido de sua missão que perdurará até a vinda do Senhor na sua glória. A salvação de Cristo é um dom que Deus faz às mulheres e aos homens de todas as épocas. Por isso, quando se celebram os eventos dos últimos dias da vida de Cristo é preciso que nós nos perguntemos sobre o seu significado para o nosso tempo.

Não pretendo aqui de modo algum fazer uma análise detalhada dos fatos que têm chamado a atenção das pessoas nos últimos tempos, mas creio que não exagero se digo que as coisas mais relevantes que se dão destaque, especialmente nos diversos meios de comunicação hoje, falam de um anseio  por esperança.

Papa Francisco em algumas ocasiões considerou como uma 3ª guerra mundial os numerosos conflitos armados espalhados pelo mundo. Uma de suas insistências tem sido a de chamar a atenção sobre o problema do descaso dos grandes quanto ao fenômeno da migração em todo o mundo. O tema da corrupção em larga escala mundial é outro fator que inquieta a paz das nações. Em nosso país há destaques diários para o tema. Sem contar os problemas infelizmente recorrentes da fome, da miséria, da injustiça e da grave crise antropológica que se reflete na educação, especialmente das crianças e jovens.

Diante de tudo isso, mais uma vez celebramos a Páscoa e destacamos a centralidade da cruz de Cristo e de sua vitória. A cruz de Cristo, escândalo também neste tempo marcado pela busca desenfreada de bem-estar qual último fim da vida, continua a ser um interrogante e uma resposta diante dos desafios que a humanidade tem que enfrentar. A cruz de Cristo fala do realismo da dor que atravessa a história da humanidade, inclusive da humanidade de Deus que se fez homem. Porém, ela proclama que precisamente ali se deve oferecer o melhor de si mesmo para poder desfrutar o bom da vida. A cruz para o cristão não é, sobretudo, sinal de dor, mas de um amor que supera os limites, de um amor que pode sempre se redescobrir como novo e capaz de vencer toda a aparente força de derrota do mal. Ela responde à pergunta inquietante das mulheres e dos homens de todas as épocas pela presença de Deus nos momentos cruciais da história, pois ela revela que Deus é companheiro do ser humano nos seus dramas e dilemas. Companhia que dilata o coração e faz de cada um e de cada uma capaz de triunfar pela força que dá sentido verdadeiro à vida humana, o amor. Sim, a cruz fala do amor como possibilidade de esperança diante das impossibilidades que tocamos na vida. Por isso, ela também hoje merece a antiga saudação: Ave, Crux, spes unica. Salve, ó Cruz, única esperança.

O sentido da Páscoa para os cristãos

Por Lino Rampazzo

“Deus disse: Haja luzes no firmamento do céu, para distinguir o dia da noite; sirvam de sinais para as festas, para os dias e para os anos.” Esse texto do livro do Gênesis (1,14) pode ser aplicado também para as festas cristãs, inclusive a Páscoa.

Para os judeus, a data da Páscoa correspondia à primeira Lua cheia da primavera. Para nós que moramos no hemisfério Sul, corresponde à primeira Lua cheia de outono.

O termo Páscoa, em hebraico Peshah, significa “passagem”. Tratava-se de uma antiga festa primaveril de pastores nômades, que se transferiam das passagens invernais às da primavera. Celebrava-se uma festa, na qual se ofereciam à Divindade as primícias da cevada e os primogênitos do rebanho.

Sucessivamente a Páscoa recebe um novo significado: trata-se da passagem da escravidão do Egito à liberdade, no tempo de Moisés. Continua o sacrifício do primogênito do rebanho: o do “cordeiro, sem defeito, macho, nascido naquele ano” (Ex 12,5).

Nos dias da Páscoa hebraica, Jesus morre e ressuscita. E a Páscoa assume, assim, um novo significado: trata-se da “passagem” da morte para a ressurreição.

Interessante é o título de “Cordeiro de Deus” (Jo 1,36), dado a Jesus. Na mesma hora em que Jesus morre, os sacerdotes do Templo sacrificavam o cordeiro da Páscoa hebraica. A este cordeiro não podia ser quebrado nenhum osso (Ex 12,46). Depois da morte de Jesus, os soldados quebraram as pernas dos dois ladrões. “Chegando porém, a Ele, vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados abriu-lhe o peito com uma lança, e, imediatamente, saiu sangue e água” (Jo 19,34). Sim, porque Ele é o Novo Cordeiro da Nova Páscoa,  de quem “não foi quebrado nenhum osso” (Jo 19,36). O sangue e a água apontam para a Igreja que nasce da Cruz de Cristo, cuja força salvífica é transmitida, particularmente, na água do Batismo e no sangue da Eucaristia.

E, para nós cristãos, o que significa a Páscoa? Podemos encontrar a resposta na carta de Paulo, que é proclamada durante a Vigília Pascal: “Irmãos, não sabeis que todos que fomos batizados em Cristo Jesus, é na sua morte que fomos batizados? Pois pelo batismo nós fomos sepultados com ele na morte para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós vivamos vida nova” (Rm 6, 3-4). Essa referência a uma leitura proclamada na celebração da Noite Pascal aponta para a experiência da Liturgia.

Há um “princípio” muito importante a ser seguido no caminho da nossa fé, expresso pelo axioma latino Lex orandi, lex credendi, a saber, “A lei da oração é a  lei da fé”. Isso significa que a oração expressa a nossa fé.

Tal princípio se aplica, particularmente, na oração pública da Igreja: a Liturgia. A palavra “Liturgia” vem do grego  leiton ergon e significa, ao pé da letra, “obra pública”. Para nós, refere-se à oração pública e oficial da Igreja. E a Liturgia da Igreja, especialmente no tempo da quaresma e no tempo pascal mostra como entender e viver a Páscoa cristã.

Vamos “entrar” de cabeça e coração, nessa escola da Liturgia. As leituras e as orações da Quaresma e do Tempo Pascal nos ajudam a viver a Páscoa como verdadeiros cristãos. E os que não frequentam a Igreja vão perceber a novidade da Páscoa através do nosso testemunho no mundo, a favor da justiça, da paz e da solidariedade: rumo à Páscoa definitiva, quando ressuscitaremos no “novo Céu e na nova Terra” (Ap 21,1).

*Lino Rampazzo é Doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Lateranense (Roma). Coordenador do Curso de Filosofia da Faculdade Canção Nova.

A riqueza da Semana Santa

* Padre Wagner Ferreira da Silva

Após percorrermos o tempo litúrgico da Quaresma, chegamos à Semana Santa, que começa com o domingo de Ramos da Paixão do Senhor. A Semana Santa, por sua vez, nos encaminha para a celebração do Tríduo Pascal, e, finalmente, a Noite Santa da Vigília Pascal, onde rompemos o silêncio da madrugada com o louvor e a glorificação de Cristo ressuscitado dentre os mortos.

No evangelho de João, temos o significado da missão redentora de Jesus Cristo: “É chegada a hora para o Filho do Homem ser glorificado. Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caído na terra, não morre, fica só; se morrer, produz muito fruto” (Jo 12, 23-24).

Jesus não foi simplesmente assassinado, mas, como um grão de trigo caído na terra, ele se entregou, como sinal de sua adesão ao projeto de Deus Pai em favor da salvação da humanidade. Na cruz, ele se entrega como oferta de amor, e na ressurreição ele produz frutos de eternidade a todos aqueles que pela fé o proclamam Senhor e Salvador.

Para bem vivermos esses dias de intensa riqueza litúrgica e espiritual, a Igreja nos convida a entrar na lógica pascal de Cristo: assim como ocorre com o grão de trigo semeado na terra, para Jesus sua morte na cruz é o cumprimento da missão que lhe foi confiada pelo Pai. E para realizar esta missão, Jesus estava plenamente motivado pelo amor oblativo, amor traduzido em renúncia de si mesmo e doação da própria vida para que a humanidade recebesse a vida plena em sua gloriosa ressurreição.

Celebrar o mistério pascal de Cristo requer de nós participação ativa nas celebrações em nossas dioceses, paróquias, comunidades eclesiais. É importante participarmos do Tríduo Pascal: na quinta-feira santa, a Missa da Ceia do Senhor, quando celebra-se a instituição do sacramento da Eucaristia na última ceia, além do testemunho de Cristo, que, ao lavar os pés dos discípulos, revela a importância de amar até o fim.

Na Sexta-feira Santa, celebramos a Paixão e Morte de Cristo. No sábado santo, os cristãos são convidados a fazer memória de Cristo que desce à mansão dos mortos para comunicar a salvação aos que dormiam nas sombras da morte. Finalmente, chegaremos à liturgia da Vigília Pascal e ao domingo de Páscoa.

Não podemos deixar de mencionar que, na Semana Santa, muitas comunidades também promovem outras celebrações: a celebração do Encontro, a Via-Sacra, procissão do Senhor morto, a encenação da Paixão de Cristo, os sermões referentes à morte do Senhor entre outras. São oportunidades da graça de Deus que nos comunicam o sentido mais profundo da nossa fé: “Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).

Jesus ressuscita do sepulcro como prova de que a vida é mais forte que a morte, o bem é mais forte que o mal, o amor é mais forte que o ódio, a verdade é mais forte que a mentira. Cabe aqui a pergunta: de que lado você está?

A nós cabe perseverar na comunhão de amor a Jesus, vivendo como pessoas ressuscitadas, que, pelo poder do Espírito Santo, testemunham a ressurreição de Cristo, não somente por aquilo que pregam, mas principalmente pela vivência da vida nova: homens e mulheres que pelo mundo afora assumem ser grãos de trigo, porque têm a coragem de doar suas vidas no serviço de amor para que seus semelhantes cheguem à experiência de fé em Jesus, o Salvador da humanidade.

A todos vocês, irmãos e irmãs em Cristo, votos de uma Páscoa repleta do amor do Senhor ressuscitado.

* Padre Wagner Ferreira da Silva é membro consagrado da Comunidade Canção Nova e Doutor em Teologia Moral

As Instituições Filantrópicas

Dom Murilo S.R. Krieger, scj

Arcebispo de São Salvador da Bahia e Primaz do Brasil

 

“A reforma da Previdência, proposta pelo Governo Federal, trouxe à tona o debate sobre o fim da isenção da contribuição para a Seguridade Social de inúmeras entidades, prevista no artigo 195 § 7 da Constituição Federal de 1988. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB reconhece que é necessário, de fato, rever a isenção de algumas entidades, para que elas se justifiquem pelo serviço prestado aos pobres.”

Assim começa a Nota que a CNBB emitiu em defesa da isenção das instituições filantrópicas. É uma resposta aos que propugnam o fim dessas desonerações. Ora, as instituições filantrópicas que prestam reais serviços nas áreas da saúde, educação e assistência social são respeitadas pela sociedade. “Muitas destas instituições estão presentes onde, inúmeras vezes, há ausência do Estado. A isenção não significa doação ou favor, mas uma contrapartida do Estado, ao serviço que lhe caberia prestar aos mais pobres.”

Vejamos em números: existem, no Brasil, 1.400 instituições filantrópicas na área da saúde, mais de 2.100 na área da educação e mais de 5.000 na área da assistência social (cf. Fórum Nacional das Instituições Filantrópicas). Isso significa que 53% dos atendimentos do Sistema Único de Saúde – SUS são feitos por entidades filantrópicas; na educação, são 600 mil alunos que recebem bolsas; já no campo da assistência social, 62,7% de todo atendimento gratuito em assistência social é realizado por essas instituições.

“As entidades filantrópicas, acostumadas a fazer o mais com o menos, são fundamentais para a implementação de políticas públicas e para diminuir desigualdades sociais. Dados dos Ministérios da Saúde, Educação e Desenvolvimento Social e da Receita Federal revelam que, para cada “um real” de isenção previdenciária, a contrapartida pelas entidades é de “5,92 Reais”, ou seja, ‘seis vezes mais do que receberam em desoneração previdenciária’” (CNBB)”.

A maneira como a questão da isenção das entidades filantrópicas é por vezes colocada faz crer que os problemas da Previdência Social têm como causa tal isenção. Ora, na verdade, elas representam somente 3% da receita previdenciária. Quem está à frente de uma dessas instituições pode testemunhar que há uma contínua fiscalização feita pela Receita Federal, para verificar se a entidade preenche os requisitos legais para usufruir da isenção. Mesmo assim, podem estar ocorrendo abusos aqui e ali – abusos que devem ser punidos. O que não se pode fazer é querer resolver um problema (diminuir o déficit do orçamento) criando um outro maior (aumento dos problemas sociais).

Por fim, um convite: visite uma entidade filantrópica. Já prevejo o que, então, acontecerá: tal entidade ganhará mais um benfeitor…

Dentro de casa só a verdade

Como viver em família mascarando a verdade?

Não sei como é em sua casa, mas assumir a verdade em seu lar é a melhor escolha. Podem existir situações complicadas, mas deixe o passado na mão de Deus e siga decidido a viver assim em seu lar.

Se você tem filhos é importante ensinar que a verdade sempre é a melhor escolha. E as crianças são espertas, gravam as atitudes mais do que as palavras.

Não adianta, se verem os pais mentindo, até mesmo em pequenos atos, como atender ao telefone e falar: “diga que não estou”, eles irão assimilar que mentir é normal. Não existem pequenas ou grandes mentiras, mentira é mentira, e ela pode destruir um lar.

Papa Francisco nos afirmou em um dos seus discursos, que não existe família perfeita. É certo que sempre teremos questões familiares delicadas. Marido pensa de um jeito, foi criado de um jeito, mulher de outro, e os filhos serão a mistura dos dois.

Por isso, é importante sempre em nossos relacionamentos escolhermos pela verdade, por mais dolorosa que seja.

A realidade pode ser dura, mas é preciso enfrentar. Não temos como fugir dos problemas em casa. E se pudermos fazer isso juntos, será melhor ainda; nesses casos os filhos estarão treinados para enfrentá-los também; embora, haja problemas na vida que precisaremos assumir sozinhos.

No relacionamento do casal, então, não pode faltar verdade mesmo. Se algo está te incomodando, pergunte, converse, ache o melhor momento, mas não guarde para si as dificuldades entre vocês, pois pode virar um vulcão futuramente.

Todas as noites rezo impondo as mãos sobre a cabeça do meu esposo, e peço a Deus que o livre de todo o mal, e assim faço comigo também pedindo ajuda do alto para nos proteger.

É certo que muitos casais vivem momentos muito difíceis, pois somos humanos, mas a maneira como reagimos às situações e as escolhas que fazemos é que comandarão as consequências que viveremos em nosso futuro.

Seja transparente sempre, também nas despesas do que cada um gasta. E todas estas dicas não valem só para quem está casado, mas para todos os estados de vida. Transparência e verdade sempre, pois a mentira pode gerar um círculo vicioso e destrutivo.

Como nos ensina Jesus: Pois não existe nada escondido que não venha a ser revelado, ou oculto que não venha a ser conhecido (Lucas 12,2).

 

*Paula Guimarães é missionária da Comunidade Canção Nova

Fascinados por Jesus Cristo

Dom Hélio Pereira dos Santos

Bispo auxiliar da Arquidiocese de Salvador

 

Há mais de dois mil anos a humanidade recebeu a notícia extraordinária: todos podem ser felizes (Mt 5,1-7,28). O povo ficava fascinado por Jesus (Lc 19,48) e as multidões ficavam extasiadas com o seu ensinamento (cf. Mt 7,28).O verbo fascinar traz a ideia de encantar, entusiasmar, deslumbrar, enfeitiçar, apaixonar, inclinar, pender, dominar etc.

Um dos grandes males que atinge o povo de Deus é a falta de entusiasmo por Jesus Cristo, principalmente quando se fala do Cristo da cruz. Ficamos fascinados por muitas realidades: pessoas talentosas, dinheiro, profissão, comidas, novas tecnologias, milagres da prosperidade etc. Diante do exposto, fica a sensação que perdemos a capacidade de separar o essencial do acessório.

É urgente cultivar o deslumbramento pelo Cristo da cruz que “nos amou e se entregou por nós a Deus como oblação e sacrifício de agradável odor” (Ef 5,2). Exultemos como fizeram os primeiros cristãos quando perceberam a ação de Deus na pessoa de Jesus Cristo: “Bendito seja o Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, em Sua grande misericórdia, nos gerou de novo, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para a esperança viva” (1 Pedro 1,3).

O fascínio pelo Cristo da cruz torna as dificuldades do cotidiano pequenas em vista de todas as maravilhas que nos aguardam na eternidade. Pessoas fascinadas por Cristo não limitam suas alegrias às circunstâncias terrenas, mas fazem dele sua fonte de esperança e vida, “pois o Reino de Deus não consiste em comida e bebida, mas é justiça, paz, alegria no Espírito Santo” (Rm 14,17).

Ponderando o cuidado para não nos perdermos no labirinto de fascinações, destacamos algumas características da vida de Jesus Cristo que não perderam a validade: liberdade; agir prático e oração.

  1. Liberdade – Jesus admira o testemunho de João Batista, mas não se prende aos seus ensinamentos e expressa tamanha liberdade que até os seus seguidores ficam admirados e não compreendem o comportamento tão livre como no encontro com a samaritana (cf. Jo 4,5-42) e no caso da mulher do perfume em que alguns ficam indignados e Jesus os repreende: “Deixe-a. Por que a aborreceis? Ela fez uma obra boa para comigo” (Mc 14,6).
  2. Agir prático – Jesus não se perde na vastidão moralista de mais de 613 preceitos do Código Levítico e ensina com admirável praticidade: “amarás o Senhor teu Deus e o teu próximo” (cf. Mt 22, 37-39); “Dai, pois, o que é de César a César, e o que é de Deus, a Deus” (Mt 22,21). A praticidade de Jesus faz falta em nossos dias. Com nossas agendas cheias nos jogamos numa rotina frenética de reuniões, atividades diversas, e não reservamos tempo para apreciar o presente. Caímos no perigo de sermos repreendidos por Jesus como fez com Marta que estava agitada por muitas coisas desnecessárias (cf. Lc 10,41-42).
  3. Vida de oração – A oração de Jesus se insere no ordinário de cada dia e se intensifica nos momentos marcantes como: Batismo (Lc 3,21-22); a escolha dos apóstolos (Lc 6,12);a transfiguração (Lc 9,28-29); antes da multiplicação dos pães (Jo 6,11); antes da ressurreição de Lázaro (Jo 11,41); nas horas da Paixão (Jo 12,27s); no Horto das Oliveiras em que clama por Deus, chamando-o de “Abbá” (Mc14,36) e principalmente a oração confiante no instante de expirar: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23,46).

Considerando que “Jesus Cristo é o mesmo, ontem e hoje, ele o será para sempre” (Hb13,18), tudo indica que arrefecemos na capacidade de admirar as coisas bonitas da vida. Fala-se que um homem estava viajando de trem. Logo que a máquina começou a atravessar pelas mais belas paisagens, o homem começou a dizer: “Que maravilha!” E repetia: “Que maravilha!”.  Um passageiro ficou irritado e disse: “Por que você não para de dizer ‘que maravilha! que maravilha!’?”  O homem respondeu: “Eu era cego e acabei de fazer uma cirurgia. Agora posso ver. O que para você é algo comum, para mim é uma maravilha!”.

Deus nos livre de ficarmos insensíveis às coisas bonitas da vida. Deus nos livre de perdermos o fascínio pelas coisas do infinito e menos ainda de nos contentarmos somente com o céu provisório ou o Cristo sem cruz. Cada batizado é convidado a retomar o caminho do encanto para viver a fé com alegria, leveza e praticidade: “Recorda-te, pois, de onde caíste, converte-te e retoma a conduta de outrora” (Ap 2,5).

Não nos deixamos abater

Dom Murilo S.R. Krieger, scj

Arcebispo de São Salvador da Bahia e Primaz do Brasil

 

O momento nacional pode ser visto de vários pontos de vista: o do economista, que se preocupa com o pessimismo do mercado; o do político, que vê seu mandato ameaçado; o do sociólogo, que analisa com frieza fatos e números; o do comunicador, que se surpreende com a quantidade de notícias que precisa divulgar; o do pessimista, que logo conclui que “Esse país não tem mesmo jeito!”; etc. Nós, bispos do Regional Nordeste 3 – que compreende as 22 dioceses do Estado da Bahia e as 3 de Sergipe -, reunidos de 13 a 15 de março p.p., em Salvador, analisamos os acontecimentos com o olhar de pastores. Guiou-nos, nessa análise, o comportamento de Jesus Cristo que, vendo as multidões, encheu-se de compaixão por elas, porque estavam cansadas e abatidas (Mt 9,36).

Não nos moveu, pois, nenhum partidarismo, nenhum sentimento de superioridade, nem qualquer preconceito. Sonhamos, sim, como a maioria do povo brasileiro sonha, com um país justo, fraterno e solidário. Estamos convictos de que o que desejamos é possível de ser concretizado, desde que deixemos egoísmos de lado e nos unamos em um mutirão solidário.

De nossas orações e reflexões nasceu uma mensagem, encabeçada por um depoimento do apóstolo Paulo: “Não nos deixamos abater” (2 Cor 4,16). Os tópicos a seguir são do texto que divulgamos.

“Na convivência de pastores com o nosso povo, percebemos a sua imensa angústia e apreensão diante do que está acontecendo no país: caos na saúde, milhões de desempregados, violência, criminalização dos movimentos sociais, corrupção em vários segmentos, pessoas de duvidosa reputação em postos de comando. Para culminar, as propostas de reformas do Governo Federal, especialmente a previdenciária, ameaçam os direitos sociais adquiridos pela Constituição Cidadã de 1988, penalizando, sobretudo, os mais pobres e vulneráveis.

Compreendemos a necessidade de diversas reformas para aprimorar o Estado Brasileiro, entretanto elas não devem violar direitos adquiridos e os deveres em relação ao bem comum. Conscientes de que somos chamados a ouvir os clamores dos mais necessitados, manifestamos nosso apoio e solidariedade ao povo, às suas organizações e a todas as entidades que lutam em defesa dos mais pobres.

Exortamos os parlamentares a serem sensíveis aos clamores do povo brasileiro. “Ninguém pode se sentir exonerado da preocupação pelos pobres e pela justiça social” (Papa Francisco, EG, 202). Conclamamos nossas comunidades cristãs a se unirem e a não se deixarem abater.

Na comemoração dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, confiantes em sua materna intercessão, pedimos que ela alimente nossos sonhos e sustente nossa esperança”.

Clique aqui e confira a nota da CNBB Regional Nordeste 3 na íntegra!

 

A síndrome do esgotamento profissional

De repente, nos deparamos com: um cansaço que não passa depois de uma noite de sono, com alterações no humor que variam entre uma tristeza profunda, irritação, agitação e atitudes que usualmente não fazem parte da pessoa. Entre outros sintomas, há uma falta de sentido na vida. É a Síndrome de Burnout, ou Síndrome do Esgotamento Profissional e que confunde-se com uma diversidade de quadros emocionais. Burn quer dizer queima e out exterior. Podemos fazer a correlação com um pavio que se queima até esgotar completamente.

Resultado de acúmulo de tarefas, excesso de cobranças e de atividades, uma boa dose de perfeccionismo e a falta de outras atividades que gerem prazer, o estresse no ambiente profissional é uma realidade presente em quase todas as profissões e mercados.

Duas situações são observadas nas pessoas que passam por isso: o absenteísmo, ou seja, a ausência no trabalho para realização de tratamento médico, exames, psicoterapia, entre outros; e o presenteísmo, ou seja, a pessoa que está no trabalho, mas com uma redução drástica em sua produtividade e numa situação de “mente distante” da realidade onde está.

Estudos realizados pela Universidade de São Paulo, no Instituto de Psiquiatria, revelaram que contribuem para o quadro de esgotamento: a necessidade de controle das situações, a falta de paciência e a dificuldade para tolerar frustrações ou delegar tarefas, e o trabalho em grupo. Sentimento de injustiça, falta de participação nas decisões e de apoio, e conflitos com colegas podem agravar o quadro.

Rever as situações profissionais e como elas são encaradas, é um passo bastante importante. Todavia, o diagnóstico deve ser feito por um médico, com a avaliação do estilo de vida da pessoa, de sua profissão e da forma como ela lida com suas emoções.

Os sintomas característicos desse problema estão relacionados ao cansaço, aos distúrbios do sono, às dores na musculatura e também de cabeça, à alteração do apetite, à dificuldade para iniciar uma atividade e às alterações constantes no humor. A produtividade de uma pessoa que passa por essa situação cai de forma perceptível. Há ainda a tendência ao isolamento social.

As alterações hormonais provocadas pela irritação, podem produzir efeitos em todo nosso organismo, desde a pressão arterial, diabetes, doenças do coração, dentre outras. Ou seja, trata-se de um quadro que requer observação, pois pode comprometer muito o bem-estar.

É comum associar esse quadro à depressão, por isso o diagnóstico é essencial, para reconhecer o que, de fato, está acontecendo com a pessoa. Nem sempre, por exemplo, as férias poderão aliviar tal quadro, pois a melhora virá de mudanças em todo contexto profissional.

E como evitar esse esgotamento?

– Tenha outras fontes de satisfação além do trabalho: descubra gostos, hábitos, animais de estimação, um encontro com amigos, sair (para um lugar que não seja um shopping, por exemplo, onde os estímulos são excessivos e a pressão por compras é grande).

– Avalie como tem conduzido seu dia de trabalho: O que lhe atrai no emprego atual? Vê possibilidade de mudança? Se pensa em mudar de empresa, organize esta transição, preparando seu currículo e avaliando as possibilidades.

– Como é sua visão sobre as situações? Por vezes, valorizamos apenas os aspectos negativos de uma situação. Treine também a visão sobre o que você tem vivido de bom.

– Tenha regularidade nos horários: alimentação, sono, trabalho, lazer. A falta de rotina para necessidades básicas faz com que nosso corpo entre em crise. Reveja sua rotina diária.

É muito importante observar os sinais do seu corpo, e, sempre que possível, receber orientação médica para sintomas que podem estar associados a problemas cardiológicos, endocrinológicos entre outros.

– Atividade física, por mais simples que seja, auxilia muito a combater os estados de cansaço,  auxiliam no metabolismo e na circulação.

– Conte com amigos, com a família, com a prática de espiritualidade, pois todos esses apoios são essenciais.

Nossa saúde emocional e física é essencial para que nossa atividade profissional e demais áreas da vida possam ser realizadas com sucesso. Portanto, rever nossos hábitos, nossa forma de conduzir a vida e nossos relacionamentos é essencial para uma vida saudável.

*Elaine Ribeiro é psicóloga clínica e organizacional da Fundação João Paulo II / Canção Nova.

A Cruz de Cristo, o Poço da mulher Samaritana

Dom Estevam dos Santos Silva Filho

Bispo Auxiliar de São Salvador da Bahia 

 

O sol já começa a dar um sinal de sua força, como lá na Samaria, quando Jesus sentado à beira do poço de Jacó, pediu um pouco de água a uma samaritana (Cf. Jo 4, 4-42). O sol do meio dia estava insuportável. Depois daquele diálogo, aquela mulher, que sofrera com cinco maridos, se encheu da água viva.  Bem depressa, ela foi ao encontro da população da Samaria, para levar a tão necessária esperança a sua família. Quem toma da água que é Jesus, não tem como guardar só para si, torna-se missionário…

No dia de São José (Homem Justo), dia também de nossa Caminhada Penitencial, estamos aqui com a mesma sede de Deus que os Samaritanos. Para nós, temos como poço de Jacó, a Cruz de Jesus Cristo, poço de água viva. Nessa quaresma precisamos beber da sabedoria da Cruz, nos inclinar em gesto de adoração para carregá-la.

Diante de nós, uma réplica da cruz que foi erguida em Jerusalém. Apenas uma vaga semelhança, pois, na original se somou a cruz dos crucificados de todas as épocas, inclusive a cruz da Virgem Maria e de todas as mães do mundo.

Na cruz de Cristo está a cruz da humilhação das cuspidas, do abandono, da injustiça, da falta de amor e solidariedade. Só quem carregou ou carrega cruz sabe o que significa a solidariedade da cruz de Cristo. Ele carregou Sua Cruz com dignidade, não a abandonou, não fugiu nem traiu a ninguém, manteve-se fiel. Mostrou-nos como deve agir um filho de Deus, jamais abandonando a cruz enquanto houver irmãos sendo crucificados, colocando-se sempre no meio deles.

O Papa Francisco recordou-nos que Seguir Jesus, mas não assumir a Cruz de Jesus, não torna o católico, por mais religioso que seja, um cristão. Cristão que não enxerga a cruz de Cristo nos outros, que não consegue ver as cruzes carregadas pelos sofredores, não é cristão, é mundano.

A sede de Deus deve-nos fazer enxergar na cruz de Cristo, a cruz de todos os que a carregam com o sofrimento do dia a dia. Por exemplo, a cruz sobre todos os brasileiros com o perigo contido na reforma da Previdência Social.  Cruz do extermínio da juventude e das minorias como os homossexuais, dos exilados e refugiados. Cruz presente nas filas dos hospitais, nas mães desesperadas por tantas e diversas cruzes. Cruz que querem impor a todo custo sobre a juventude, a cruz que as famílias carregam com a imposição da Ideologia do Gênero. A pior de todas as cruzes, a gerada pela corrupção, grande parte dos corruptos se dizem cristãos…

Nesse instante permita-me dirigir-me a Nossa Senhora, aqui, a réplica da Imagem Peregrina de Nossa Senhora Aparecida. Ela veio ao encontro dos filhos há 300 anos. Veio a nossa cidade do Salvador nos ensinar a ter sede de fazer tudo o que Jesus ainda nos pede. Veio nos ensinar a compreender que a sua cor negra, é sinal de solidariedade aos filhos negros, que boa parte ainda hoje carrega a cruz do preconceito e pobreza.

Embora aqui visualizemos Maria com o título de Nossa Senhora Aparecida, recordamos nessa Caminhada Penitencial o primeiro título que Maria recebeu, e recebeu aos pés da cruz: Nossa Senhora das Dores!  Certamente a coroa de espinhos, os pregos e os açoites doeram mais em Maria que em Jesus. A lança que perfurou o coração de Jesus já não doeu em Jesus porque já estava morto. Mas dilacerou o coração de Maria que aos pés da cruz se encontrava.

Ao contemplarmos novamente a cruz e a imagem de Nossa Senhora Aparecida, relembramos a alegria da mulher samaritana, que se encheu de esperança quando, por iniciativa de Jesus, deixou o balde antigo, e com a água viva esparramou a notícia da esperança em todas as direções. No deserto Moisés concedeu água para revitalizar a força do Povo de Deus, nessa Caminhada Penitencial, encontramos finalmente o poço da água viva, que nos introduz nos rastros de Cristo, para nos converter, como os cristãos que têm sede de Deus, os cristãos que com orgulho e firmeza no dia a dia, carregam a cruz atual de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A Paixão de Jesus são seus irmãos que carregam cruzes. Paixão de Cristo, Paixão do mundo todo.


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