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Festa de Todos os Santos: “sempre oremos uns pelos outros”

A Igreja, no mundo inteiro, celebra em um só dia, 1º de novembro, a Solenidade de todos os santos. Algumas outras comunidades de fé como as igrejas ortodoxa, luterana e anglicana também considera em seus calendários, em outros dias, esta mesma motivação. Trata-se de fazer memória de todos os batizados que, pelo Batismo, são chamados a viver a santidade. A celebração de todos os santos remete ao século IV quando se fazia festa com essa intenção no primeiro domingo depois de Pentecostes. Somente no ano de 835, Papa Gregório IV passou para a data que perdura até os dias atuais. Portanto, o primeiro dia de novembro é marcado com a solenidade, pelos católicos, há mais mil anos.

Testemunho dos santos

Há testemunhos de grande antiguidade como o de São Cipriano de Cartago, do século III, falava da importância em se celebrar a memória dos santos: “Lembremo-nos uns aos outros em concórdia e unanimidade. Que em ambos os lados [isto é, o lado da vida e da morte] sempre oremos uns pelos outros. Vamos aliviar o fardo e as aflições por amor recíproco, que se um de nós, com a rapidez da condescendência divina, for primeiro, o nosso amor possa continuar na presença do Senhor, e as nossas orações por nossos irmãos e irmãs não cessam com a presença da misericórdia do Pai.” (São Cipriano de Cartago, Epístola 56:5)”.

Que em ambos os lados [isto é, o lado da vida e da morte] sempre oremos uns pelos outros

São Cipriano

São João Paulo II dizia que esta festa é “uma das maiores do Ano Litúrgico, sem dúvida entre as mais características e mais queridas ao povo cristão”. Em 1º de novembro do terceiro ano do seu pontificado, em 1980, o santo polonês disse: “A festa hodierna recorda e propõe à comum meditação algumas componentes fundamentais da nossa fé cristã. No centro da Liturgia estão sobretudo os grandes temas da comunhão dos santos, do destino universal da salvação, da fonte de toda a santidade que é Deus mesmo, da esperança certa na futura e indestrutível união com o Senhor, da relação existente entre salvação e sofrimento, e de uma bem-aventurança que já desde agora qualifica aqueles que se encontram nas condições descritas por Jesus no Evangelho segundo Mateus. Como chave de toda esta rica temática, porém, está a alegria, como recitamos na Antífona da entrada: ‘Alegremo-nos todos no senhor nesta solenidade de todos os santos’; e é uma alegria singela, límpida, corroborante, como a de quem se encontra numa grande família onde sabe que aprofunda as próprias raízes e da qual haure a linfa da própria vitalidade e da sua própria identidade espiritual“.

Santidade

Em 2002, o então cardeal Joseph Ratzinger, hoje Papa emérito Bento XVI, explicava o que vem a ser as virtudes heróicas, necessária para se reconhecer alguém como santo num processo de canonização. A explicação está registrada em matéria publicada pelo jornal “L’Osservatore Romano”:  “Virtude heroica não quer dizer que o santo seja uma espécie de ‘atleta’ da santidade, que consegue fazer coisas que pessoas normais não conseguiriam fazer. Quer dizer, em vez disso, que na vida de um homem se revela a presença de Deus, e se torna mais patente tudo aquilo que o homem não é capaz de fazer por si mesmo (…). Virtude heroica não significa propriamente que alguém faz coisas grandes por suas forças pessoais, mas que na sua vida aparecem realidades que não foi ele quem fez, porque ele só esteve disponível para deixar que Deus atuasse.”

Peçamos ao Senhor a graça de ser pessoas simples e humildes, a graça de saber chorar, a graça de ser mansos, a graça de labutar pela justiça e pela paz, mas acima de tudo a graça de nos deixarmos perdoar por Deus, para assim nos tornarmos instrumentos da sua misericórdia

Papa Francisco

Papa Francisco, na solenidade de todos os santos de 2015, meditou as “bem-aventuranças” e afirmou que segui-las é o mesmo que buscar a santidade: “Estimados irmãos e irmãs, esta é a vereda da santidade, que é o mesmo caminho da felicidade. Foi esta a estrada percorrida por Jesus, aliás, Ele mesmo é este Caminho: que o percorre com Ele e passa através dele, entra na vida, na vida eterna. Peçamos ao Senhor a graça de ser pessoas simples e humildes, a graça de saber chorar, a graça de ser mansos, a graça de labutar pela justiça e pela paz, mas acima de tudo a graça de nos deixarmos perdoar por Deus, para assim nos tornarmos instrumentos da sua misericórdia. Foi assim que agiram os santos, que nos precederam na Pátria celestial. Eles acompanham-nos na nossa peregrinação terrena, encorajando-nos a ir em frente“.

Imagem: gentileza de Cris Murray (Segretaria della Comunicazione, Santa Sé)

Fonte: CNBB

Intolerância e fundamentalismo

Dom Murilo S.R. Krieger, scj

Arcebispo de São Salvador da Bahia – Primaz do Brasil

 

“Diante de recentes fatos que, em nome da arte e da cultura, desrespeitaram a sexualidade humana e vilipendiaram símbolos e sinais religiosos, dentre eles o crucifixo e a Eucaristia, tão caros à fé dos católicos”, a CNBB dirigiu, na semana que passou, uma mensagem ao povo brasileiro. As frases abaixo são dessa mensagem.

Em toda sua história, a Igreja sempre valorizou a cultura e a arte, por revelarem a grandeza da pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus, fazendo emergir a beleza que conduz ao divino. “A arte é como uma porta aberta para o infinito, para uma beleza e para uma verdade que vão mais além da vida quotidiana” (Bento XVI).

Reconhecemos que “para transmitir a mensagem que Cristo lhe confiou, a Igreja tem necessidade da arte” (São João Paulo II – Carta aos artistas, 1999). Somos, por isso, agradecidos aos artistas pela infinidade de obras que enriquecem a cultura, animam o espírito e inspiram a fé. Arte e fé devem caminhar unidas, numa harmonia que respeita os valores e a sensibilidade de cada uma e de toda pessoa humana na sua cultura e nos seus valores.

Lamentavelmente, crescem em nosso meio o desrespeito e a intolerância que destroem esta harmonia, que deve marcar a relação da arte com a fé, da cultura com as religiões. Se, por um lado, a arte deve ser livre e criativa, por outro, os artistas e responsáveis pela promoção artística não podem desconsiderar os sentimentos de um povo ou de grupos que vivem valores, muitas vezes, revestidos de uma sacralidade inviolável. O desrespeito e a intolerância, por parte de artistas para com esses valores, fecham as portas ao diálogo, constroem muros e impedem a cultura do encontro. Preocupam, portanto, o nível e a abrangência destas intolerâncias que, demasiadamente alimentadas em redes sociais, têm levado pessoas e grupos a radicalismos.

Vivemos numa sociedade pluralista, por isto, precisamos saber conviver com os diferentes. Isso, contudo, não subtrai à Igreja o direito de anunciar o Evangelho e as verdades nele contidas, a respeito de Deus, do ser humano e da criação. Em desacordo com ideologias como a de gênero, é nosso dever ressaltar, sempre mais, a beleza do homem e da mulher, tais como Deus os criou, bem como os valores da fé, expressos também nos símbolos religiosos que, com sua arte e beleza, nos remetem a Deus. Desrespeitar estes símbolos é vilipendiar o coração de quem os considera instrumentos sagrados na sua relação com Deus, além de constituir crime previsto no Código Penal.

Animamos a sociedade brasileira a promover o diálogo e o encontro, por meio dos quais as pessoas, em suas diferenças, respeitam e exigem respeito, e permitem sentir a riqueza que cada um traz dentro de si.

As consequências da falta de fé

Só Deus sabe o que é ser santo. Toda situação que o mundo tem passado, e a crise mundial que a sociedade está enfrentando, entre outras realidades difíceis, ocorrem porque nós, homens e mulheres da Igreja, não temos tido fé. O próprio Jesus disse: “Mas quando o Filho do Homem vier, encontrará ainda fé sobre a terra?” Nosso Salvador estava dizendo que, infelizmente, quando se aproximassem os tempos da sua segunda vinda, a fé iria diminuir mais e mais, a ponto de quase acabar. Evidentemente, a fé não acabará na face da Terra, mas diminuirá tanto que não se conseguirá mais experimentá-la, sentir a sua presença, valor e poder sobre a terra.

A humanidade está enfrentando uma crise moral e de fé. A nossa sociedade está passando por uma situação econômica calamitosa e, mais do que uma crise financeira, é um crise de fé, de homens e mulheres que estão perdendo a fé.

Não devemos simplesmente culpar os governantes das grandes potências do mundo, porque também dentro do nosso “pequeno mundo”, dentro das nossas famílias, onde quem manda somos nós, infelizmente, há mentira, brutalidade e xingamentos terríveis. Nós temos o poder de decisão, contudo não temos agido com fé.

O que falta é usar essa fé, colocá-la em prática. Do contrário, ela começa a diminuir, a ponto até mesmo de acabar ou, pelo menos, de não percebermos mais os seus atributos. Daqui para frente, nós precisaremos muito mais de fé para podermos enfrentar aquilo que ainda está por vir. Estamos com carência de fé na humanidade e, por isso, estamos passando situações muito difíceis,que tendem a se agravar cada vez mais.

Monsenhor Jonas Abib

Ensino religioso escolar

Dom Murilo S.R. Krieger, scj

Arcebispo de São Salvador da Bahia – Primaz do Brasil

            Recentemente, os meios de comunicação deram destaque ao julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal – STF, da Ação Direta de Inconstitucionalidade n.º 4.439/2010. Tal ação tinha como autor o Ministério Público Federal – MPF e o apoio de algumas entidades. Seu objetivo era que o STF declarasse inconstitucional o artigo 11, §1.º, do acordo Brasil – Santa Sé (Decreto n.º 7.107/2010) e desse uma nova interpretação ao artigo 33, §§ 1.º e 2.º da LDB, para se compreender que o ensino religioso mencionado na Constituição Federal (artigo 210, §1.º) refere-se ao ensinamento da história e da doutrina das várias religiões, sob  perspectiva laica, isto é, secular.

O STF, no dia 27.09.2017, por maioria – 6 a 5 -, julgou improcedente o pedido do MPF, declarando, em consequência, a constitucionalidade do acordo Brasil-Santa Sé. Assim, à luz do artigo 210, § 1.º da Constituição da República, o ensino religioso pode ser ministrado com caráter confessional, vale dizer, com aulas de catolicismo para os alunos católicos, com aulas de protestantismo para os alunos protestantes, com aulas de judaísmo para os alunos judeus etc.

Na prática, o que isso significa? Significa que, embora seja um Estado laico, o Brasil não se reconhece como um Estado ateu. Ele respeita a liberdade de crença a tal ponto que permite que, numa escola pública (isto é, numa escola que se mantém com o dinheiro de impostos pagos pelos cidadãos), a religião de cada aluno seja respeitada. Aliás, fique claro: nenhum aluno será obrigado a assistir a aulas de religião, nem de sua própria. Quem insinua, pois, que agora os alunos serão obrigados a assistir a tais aulas e que os professores de religião farão sua cabeça, doutrinando-os sem lhes dar liberdade de escolha, ou faz essa afirmação por ignorância (isto é, não leu os textos referentes à matéria) ou insiste nessa afirmação por má fé (contra isso, não há argumento que convença).

Como observou o Dr. Sarubbi Cysneros, “o que prevaleceu na histórica decisão do STF foi a liberdade e não a proibição. O Acórdão do Supremo protege o direito de quem crê e de quem não crê”. Defendemos que os pais são os primeiros responsáveis pelas crianças e por sua formação. Por que o Estado não poderia ajudá-los na formação de seus filhos?

Agora, definida essa questão, há todo um trabalho pela frente: organizar o ensino confessional nas escolas públicas. Para isso, certamente, todas as religiões serão chamadas a dar sua preciosa contribuição, convictas de que o Estado brasileiro é leigo e, por isso, não pode se intrometer no conteúdo da religião. Mas não é ateu, por isso não pode propagar o ateísmo ou a irreligião, que também são formas de religião.

Enfim, prevaleceu o bom senso.

Do coração de Jesus saem raios de luz, amor e misericórdia

Jesus destrói o pecado. A misericórdia d’Ele é assim, por isso, raios saem do Seu coração. São raios de luz, amor e misericórdia que acabam com o pecado. Mas para isso é preciso que a gente esteja às claras, não se escondendo mais, porque uma mania que nós temos é esconder os nossos erros, pecados, maus hábitos ou vícios.

Parece que a gente levanta o tapete e põe debaixo o lixo da nossa vida. Isso precisa ser jogado na fornalha ardente da misericórdia, do coração de Jesus. É ali que eu e você precisamos jogar, mergulhar as nossas misérias para serem incineradas.

É isso que Jesus quer de você. O Senhor está disposto e Ele é suficientemente poderoso para ressuscitar todo aquele que se joga na Sua misericórdia, se arrepende, quer perdão e vida nova. Jesus tem o poder de ressuscitá-lo! Como Ele ressuscitou Lázaro, ressuscita a cada um de nós, tira do pecado, do vício, seja qual for a dificuldade que você enfrenta, bebida, prostituição, adultério, drogas, ódio, rancor. Talvez você não tenha grandes pecados, mas viva na mornidão, longe de Deus.

Depois de ressuscitados, nós ainda estamos enfaixados, e aí entra o nosso esforço, a nossa luta. “O Deus que te criou sem ti, não te salvará sem ti.” É o que diz Santo Agostinho.

O que nós podemos fazer, Jesus não faz. Misericórdia não quer dizer a gente cruzar os braços. Ela nos dá vida, força, mas precisamos “ficar em pé”, como Lázaro, que foi se arrastando, se machucando, subindo os degraus, e depois para ficar em pé, teve que apoiar e encostar na pedra. Jesus ressuscita, porém quem se levanta é você. Do contrário, você nunca sairá da sua situação.

 

Monsenhor Jonas Abib

O primeiro escrito do Cristianismo

Desde 1971, a igreja no Brasil dedica o mês de setembro à Bíblia, para aprofundar a reflexão da Palavra de Deus a partir de um tema ou de um livro. Este mês foi escolhido por conta da memória de São Jerônimo (dia 30), grande divulgador da Bíblia e seu tradutor para o latim (Vulgata).

O tema escolhido para 2017 – “Para que n’Ele nossos povos tenham vida” – foi inspirado no título do Documento de Aparecida e o lema na Carta aos Tessalonicenses: “Anunciar o Evangelho e doar a própria vida” (1Ts 2,8).

Datada do ano 50 ou 51, a Carta aos Tessalonicenses é o primeiro escrito do Cristianismo, anterior até mesmo aos Atos dos Apóstolos e aos evangelhos. Ela também é de vanguarda ao utilizar pela primeira vez a palavra “evangelho” para se referir aos fatos relacionados a Jesus. Antes, a palavra era utilizada para se referir a um presente ofertado a quem dava uma boa notícia ou a boa-nova de uma vitória militar.

Nesta primeira carta, já temos, com destaque, as chamadas virtudes teologais: fé, caridade e esperança, com ligações muito concretas: às obras, aos sacrifícios e à firmeza (1Ts 1,3). A compreensão sobre a Santíssima Trindade já é perceptível, sendo o nome de Deus citado 33 vezes, mesma quantidade de citação a Jesus. O Espírito Santo tem quatro alusões.

Em Tessalonicenses, predomina a linguagem da tribulação e o estilo apocalíptico, falando da segunda vinda de Cristo (parusia).

Paulo chega a Tessalônica com Silvano (Silas), vindos de Filipos, onde tinham sido duramente açoitados – sem roupa e em público – e presos com os pés amarrados num tronco. Soltos, os missionários descem para a cidade litorânea dos tessalonicenses, uma grande cidade grega com um movimentado porto comercial.

Não é possível precisar o tempo que Paulo passa na cidade, mas nesse tempo, para não ser um peso nessa comunidade tão pobre, o apóstolo faz questão de viver de seu ofício: fabricante de tendas.

Essa atitude causa uma forte empatia e entrosamento com a comunidade e a consequente perseguição dos que estavam à frente da cidade, que seguindo a mentalidade greco-romana, viam no trabalho braçal algo indigno, próprio de escravos. O desejo dominante era pelo ócio, a negação ao trabalho. Outro aspecto importante da cultura local, em forte conflito com a iniciante pregação cristã, era o desprezo para com o casamento, porque viviam a sexualidade desregrada, com prostituição e abusos.

Os missionários passaram a incomodar tanto que foram entregues ao Senado da cidade, acusados de levar à população transtornos já vistos em outras localidades e de serem revolucionários, ao anunciar Jesus como rei em contraposição a César. A perseguição foi tão séria que tiveram que fugir à noite para a cidade de Beréia, e depois para Atenas.

No primeiro escrito do Novo Testamento, há um clima de liberdade e confiança, com muita sinceridade e transparência, espontaneidade e afeto: “Imaginai uma mãe acalentando os seus filhinhos, assim a nossa afeição por vós” (1Ts 2,7-8). A palavra irmãos é empregada 19 vezes e a riqueza de temas é grande. Começa com a grande ação de graças e o apelo à perseverança e, num segundo momento, o chamado à santidade, à vivência no amor e à vigilância.

* Osvaldo Luiz Silva é jornalista, autor dos livros “Ternura de Deus” e “A vida é caminhar”, pela Editora Canção Nova, editor da Revista Canção Nova.e Presidente da Academia Cachoeirense de Letras e Artes (ACLA), em Cachoeira Paulista (SP).

Um novo baiano

Dom Murilo S.R. Krieger, scj

Arcebispo de São Salvador da Bahia – Primaz do Brasil

 

No início deste mês, numa Sessão da Assembleia Legislativa do Estado da Bahia, nasceu um novo baiano – que sou eu. Esse título foi proposto pelo ex-Deputado Yulo Oiticica, e aprovado, na legislatura passada; a sessão em que o título me foi concedido foi uma proposição do Deputado Marcelino Galo.

“Cidadão Baiano”. A outorga desse título fez nascer em mim uma pergunta: Quem é baiano? Para a maioria das pessoas, não há nenhuma dificuldade em responder a essa pergunta: Baiano é quem nasceu em um dos 417 municípios da Bahia. É, portanto, baiano tanto quem nasceu em Salvador, que tem quase três milhões de habitantes, como quem nasceu em Catolândia, com seus 3.695 habitantes. Desse ponto de vista, há, hoje, pouco mais de 15 milhões de baianos. Mas ninguém escolheu nascer na Bahia. Falei “nascer na Bahia”, mas respeito aqueles que dizem que o baiano não nasce: ele estreia…

Quem é baiano? Há também os que adotaram esta terra como sua e passaram a se considerar baianos por própria conta. Foi o que aconteceu comigo. Sinto-me baiano desde o dia 25 de março de 2011, quando assumi a Sede Primacial do Brasil. Tenho um princípio de vida: “Meu coração deve estar onde estão os meus pés”. Assim, senti-me em casa desde que aqui cheguei. Não me foi difícil amar este povo – pelo contrário, sinto-me à vontade nesta terra. Não precisei de muito tempo para descobrir a capacidade de acolhida dos baianos e o carinho com que tratam seus visitantes. Livre e conscientemente adotei esta terra como minha. É verdade que não me defini entre ser do “Bahia” ou do “Vitória”: diplomaticamente, torço pelos dois; não como acarajé todas as semanas; não vou atrás de trio elétrico no carnaval e nem sei falar do jeito baiano… Mas já descobri que há muitas maneiras de ser baiano – e essa diversidade é que enriquece a Bahia.

Quem é baiano? Enfim, há os que são baianos por adoção: é o caso de quem recebe, oficialmente, o Título de Cidadão Baiano. Agora sou cidadão baiano por adoção, como já o era por livre escolha. Este Estado me adotou. Mas, ao me adotar, sei que a Bahia passa a esperar mais de mim. Agora, mais do que nunca, não posso ficar indiferente diante das alegrias e tristezas deste povo; diante dos desafios que enfrenta e dos problemas que o afligem; não posso ficar indiferente diante da insegurança em que muitos vivem ou das preocupações que cada qual tem pelo dia de amanhã. O que posso fazer diante de tudo isso? Posso fazer pouco, muito pouco. Mas não devo me preocupar: a meu lado estão mais de 15 milhões de baianos, com as mesmas preocupações e também com o desejo de ver uma Bahia melhor, um Brasil mais justo e um mundo mais fraterno.

Vamos em frente, caros conterrâneos!

A importância de rezar o Terço da Divina Misericórdia

No dia 14 de setembro de 1935, Nosso Senhor Jesus Cristo ensinou uma linda oração a Santa Faustina Kowalska, uma religiosa polonesa durante a Festa de Exaltação de Santa Cruz. A religiosa Kowalska estava pedindo muita paz para o mundo, o qual estava vivendo dias turbulentos devido a expansão alemã na Europa – a oração é: Terço da Divina Misericórdia.

Santa Faustina nasceu na Polônia em 1905 e teve uma vida completamente dedicada a Igreja e ao Nosso Deus. Entre as orações que ela fazia, pedia sempre pelos doentes e agonizantes e sempre suplicava para que Nosso Senhor Jesus Cristo perdoasse os pecados do mundo! Ela entrou para o Convento em 1925 trocando o seu nome para Faustina do Santíssimo Sacramento.

Como sabemos, o mundo entrou em conflito naqueles anos e aqueles fatos foram tão graves que em 1936 a Alemanha provocou uma guerra civil que matou pelo menos 12 mil consagrados, além de milhares de membros da Igreja Católica. Esta oração ensinada pelo mestre Jesus Cristo tinha como finalidade pedir paz para o mundo.

Santa Faustina, com muita fé, escrevia em seu diário pedindo paz para o mundo. Os pedidos fervorosos da religiosa fizeram com que o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo viesse ao encontro da polonesa. A intenção de Jesus Cristo era ensinar a oração do Terço da Divina Misericórdia. A fé foi tão grande e, como sempre o Jesus Cristo escuta as nossas preces, e veio interferir em nosso favor.

Esta é uma oração de extremo valor para todos nós, pois Jesus Cristo prometera a quem orar o Terço da Misericórdia uma total proteção as almas sofredoras, e que todos nós podemos nos entregar em Seus braços que Ele estará lá para nos acolher como um Pai caridoso.

Nas aparições, Jesus Cristo disse a Santa Faustina: “Agora é tempo de Misericórdia!”. Ele apareceu várias vezes para a religiosa polonesa sempre pedindo orações pelos pecadores do mundo. Ele prometera que nada negaria às almas que pedirem a Ele com amor, fé e fervor.

A fé de Santa Faustina era tão grande que ela um dia teve uma visão da fúria divina que mandava um anjo com raios na mão, cuja intenção era destruir uma parte da terra. Ela em suas orações pedia ao Nosso Senhor Jesus Cristo que tivesse misericórdia do mundo! Foram nestas aparições que Cristo ensinou a polonesa a poderosa oração do Terço da DivinaMisericórdia.

Quando rezamos esse terço é também necessário o arrependimento sincero das nossas próprias culpas e pecados. Certamente, Cristo escuta quem faz a oração do Terço da Divina Misericórdia, e todos que suplicarem com fé terão seus pecados perdoados pelo Pai. Esta linda oração é considerada uma grande obra da misericórdia espiritual!

As almas pecadoras alcançarão grandes graças se rezarem este Terço. O Nosso Pai prometera também grande misericórdia também na hora da morte! São palavras fortes que nos fazem refletir sobre a importância da oração em nossas vidas e nas súplicas para o perdão do pecado.

Que esta oração possa trazer paz e alegria para o mundo! Sem dúvidas a hora da misericórdia é agora! Vamos pedir perdão e o Nosso Senhor Jesus Cristo estará de braços abertos para nos receber até mesmo na hora da morte! O mundo precisa de orações!

Jesus Cristo nos deixou esta linda oração! Aproveite-a bem para a paz mundial que tanto precisamos. Para aprender como rezar o Terço da Divina Misericórdia consulte o site.

Texto enviado como colaboração por José Gomes, paroquiano da paróquia São Benedito, em Curitiba (PR).

E-mail: oracaojabr@gmail.com

Por que tanta ansiedade?

*Aline Rodrigues

Para muitos, o dia começa bem cedo, às 5h da manhã, ou talvez um pouco mais tarde, às 6h, às 7h. Mas, o fato é que as atividades do dia a dia têm gerado um comportamento diferente de antigamente: a ansiedade!

Levantamos com pressa, agitados, preocupados, muitas vezes já repassando na cabeça as atividades que estão por vir. E, ao final do dia, fazemos a mesma coisa antes de dormir. Deitamos pensando em tudo o que foi feito, o que deixamos de fazer, mexemos no celular, planejamos o dia de amanhã e ainda queremos não apresentar nenhum sintoma físico e psíquico. Claro que se organizar mentalmente para as atividades é um exercício excelente! Porém desde que feito com equilíbrio, sem pressão e cobrança.

Diante desse cenário, será que o corpo e a mente suportam tudo isso por muito tempo, sem manifestar nenhuma reação? Não! Muitos brasileiros sofrem algum tipo de transtorno de ansiedade e nem percebem. Seja porque se tornou comum ser ansioso ou porque não se tem tempo nem mesmo de olhar para o que está acontecendo consigo.

Atualmente, na América Latina, o Brasil é considerado o país com maior taxa de pessoas com transtorno de ansiedade. Este dado foi apresentado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em fevereiro deste ano. De acordo com a OMS, 9,3% dos brasileiros vivem com algum tipo de transtorno de ansiedade. Líder no ranking, o Brasil se supera as taxas indicadas nos demais países da região, que tem o Paraguai em segundo lugar, com 7,6%, e em terceiro o Chile, com 6,5%.

Tudo isso porque o ser humano tem sido impulsionado a dar sempre uma resposta correta e imediata diante das pressões recebidas. Isso já começa cedo, com nossas crianças. Com frequência, ouvimos pais falando das necessidades de seus filhos e assumindo o seguinte discurso: “criança precisa fazer esporte, estudar e ter aula de língua estrangeira, se quiser ser alguém no futuro”. E assim, preenchem a agenda dos pequenos com responsabilidades que são saudáveis, mas que juntas e com cobrança de um ideal, se tornam nocivas. Desta forma, o ser humano vai sendo moldado para um mundo urgente, no qual as respostas precisam ser corretas e imediatas.

Você sabia que ansiedade, a grosso modo, é medo de algo que não existe, mas gera sensações reais? É como se olhasse para um gato deitado, dormindo, inofensivo e enxergasse um leão faminto pronto para atacar. A situação real é uma, mas a forma de ver o problema e as situações cotidianas da vida é outra.

Ao longo da vida, vamos construindo verdades sobre nós. No entanto, essas verdades podem ser saudáveis ou não. A questão é, quando essas ideias sobre si mesmo não são saudáveis, e ficam expostas a este mundo agitado, exigente, que espera uma resposta constantemente. Aí, o que existe de pior em nossos pensamentos vem para fora.

Por que tanta ansiedade? Porque nossos medos mais secretos vão sendo “cutucados” e, quando menos esperamos, nosso corpo reage com suor, calor, dor de barriga, dor de cabeça, taquicardia e tantas outras coisas. O medo do fracasso, de não conseguir, de não suportar, de ser abandonado, rejeitado, desamparado, humilhado, entre outras ideias, assaltam nossos pensamentos, gerando um comportamento ansioso.

O mundo de hoje é exigente, nos expõe muito e descarta o que não serve. Todo esse movimento exige uma resposta que muitas vezes não é real e, por medo, violentamos nosso corpo e nossa mente para conseguir dar conta.

Entretanto, se permitir ser humano, real, alguém que não é medido pelo que faz, mas pelo que é, é um caminho saudável para dominar esse mundo tão ansiogênico. Seja gente, e não um super herói!

*Aline Rodrigues é psicóloga, especialista em saúde mental, e missionária da Comunidade Canção Nova. Atua com Terapia Cognitiva Comportamental; no campo acadêmico, clínico e empresarial.

Bíblia: mensagem do Deus que edifica

Dom Hélio Pereira dos Santos

Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Salvador da Bahia

“Se o Senhor não constrói a nossa casa, em vão trabalham os construtores” (Salmo 126,1). Há uma expressão que diz: “A conversa com pessoas de bem nos edifica”. Neste mês da Bíblia somos convidados a intensificar nossa conversa com Deus, revendo a mensagem que ele nos deixou.

O verbo edificar como seus sinônimos (construir, levantar, criar, engrandecer) é uma das palavras mais eloquentes da Bíblia e já o encontramos no início da criação e particularmente em Gênesis 2,22 quando Deus, a partir da costela do homem, construiu a mulher.

Ao longo da Sagrada Escritura temos muitos exemplos de construções, vejamos:

  1. Antigo Testamento – Caim se tornou o construtor de uma cidade (Gênesis 4,17); Jerusalém, construída como cidade em que tudo está ligado e seu construtor é o próprio Deus (Salmo 122,3; 147,2); Davi recebe de Natã a notícia de que Deus construirá uma casa (II Samuel 7,1-17); A sabedoria construiu a sua casa, talhando suas sete colunas (Provérbios 9,1).
  2. Novo Testamento – Cristo se apresenta como construtor ágil e admirável do novo Templo (João 2,19); Edificarei a minha Igreja (Mateus 16,18); Cristo pedra angular da edificação (Marcos 12,10); Os apóstolos fundamentos da construção (Efésios 2,20); Os cristãos pedras do edifício espiritual (1 Pedro 2,5) com a missão de continuar a construção, edificando uns aos outros (1 Tessalonicenses 5,11).

“Consolai-vos, pois, e edificai-vos mutuamente como já o fazeis” (1Ts 5,11). Neste mês dedicado à Bíblia a nossa homenagem a São Jerônimo (342-420) que dedicou a sua vida ao estudo e meditação da Palavra de Deus, traduzindo-a para a Língua Latina.  O livro da Bíblia proposto para nossa edificação este ano é a Primeira Carta aos Tessalonicenses. Trata-se do mais antigo dos escritos do Novo Testamento, entre os anos 50 – 51, e mostra uma comunidade jovem e fervorosa na acolhida e vivência da Boa Nova.

Em Tessalônica se vive o desafio de cuidar da fé em uma grande cidade comercial com seus pensadores e pregadores das mais diversas filosofias e religiões. Paulo escreve aos Tessalonicenses para comunicar sua alegria e estimular a perseverança da comunidade fundada por ele, pois, sabe que na edificação do Reino de Deus cada pedra tem sua importância e a construção corre perigo quando uma pedra se quebra ou se afasta do seu devido lugar e cai.

A Igreja no nosso Regional Nordeste 3 (Bahia e Sergipe) nos apresenta a proposta de Círculos Bíblicos 2017 para estudar e meditar a Primeira Carta aos Tessalonicenses que nos concede valiosos exemplos: 1) A alegria de viver em comunidade, apesar dos conflitos, que aos poucos são superados; 2) A experiência de pastoral urbana onde se luta para viver de maneira digna, livre e autônoma, buscando as coisas de Deus em primeiro lugar; 3) Aproveitar os conselhos de Paulo sobre como deve ser o agir de um cristão; 4) Entender a vida cristã como doação e espera ativa do Senhor.

Aproveitemos esta oportunidade para acolher a Palavra edificadora que Deus nos oferece como chuva de bênção: “Como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam, sem terem regado a terra, tornando-a fecunda e fazendo-a germinar, dando semente ao semeador e pão para comer, tal ocorre com a palavra que sai da minha boca: ela não volta a mim sem efeito; sem ter cumprido o que eu quis, realizado o objetivo de sua missão” (Isaías 55, 10-11).

Não podemos permitir que a “Palavra de salvação que desperta a fé no coração dos infiéis, que  alimenta a fé no coração dos cristãos, que faz nascer e crescer a comunidade dos cristãos” (Presbyterorum Ordinis, n.4), seja recebida por nós de forma mecânica, indiferente, carente de significado ou sentido para nossa vida.  Quando Deus comunica sua Palavra, Ele espera nossa resposta para que n´Ele tenhamos vida.

Deus nos fala pela Bíblia para nos motivar, despertar a fé, levar à ação. O nosso desafio é nos afastar do barulho, do ruído do mundo, para escutar o Criador.  É hora de ouvir a voz de Deus que está sempre a edificar quem a escuta. Nada acontece se o leitor não estiver disposto a acolher a Palavra. Deixemos que a Palavra de Deus nos edifique. Que a graça de nosso Senhor Jesus Cristo esteja conosco! (cf. 1 Ts 5,28).


Cúria Metropolitana Bom Pastor - Av. Leovigildo Filgueiras, 270 - Garcia, CEP: 40.100-000 - Salvador -Ba. Tel.: (71) 4009-6666 | contato@arquidiocesesalvador.org.br
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