Últimas Notícias

Você está aqui: Capa / Formação

Arquivo da categoria: Formação

Assinatura dos Feeds

Dízimo: expressão de fé

Dando continuidade à série sobre o Dízimo, o bispo auxiliar da Arquidiocese de Salvador, Dom Hélio Pereira dos Santos, destaca quatro pontos importantes para quem se torna dizimista.

Não consegue assistir? Leia, abaixo, a íntegra da mensagem:

Eu sou Dom Hélio e vim fazer um convite a você. Este mês a nossa Arquidiocese está com um trabalho de conscientização sobre o Dízimo. É um momento, uma oportunidade para que possamos conceder um rosto novo à nossa Arquidiocese, e você é convidado a participar deste momento. É uma oportunidade que temos para nos tornar mais amigos de Deus. Aquele que contribui, que ajuda com o Dízimo, ele ganha e ganha, obviamente, a comunidade. Ele ganha porque se torna mais amigo de Deus, passa a usar os bens com mais liberdade.

O segundo grande ponto importante do Dízimo é que o indivíduo, a pessoa que contribui sai do isolamento, ela passa a ter uma vida inserida na comunidade de fé. Terceiro ponto, e muito notável, é a evangelização como fruto do Dízimo; a evangelização como fruto daquele que contribui. E, por fim, o trabalho caritativo, aquele momento em que a pessoa é chamada da margem, é tirada da beira do caminho, é inserida na comunidade, como fez Jesus. Como nós notamos, na comunidade primitiva, entre eles não existiam necessitados. Então, que Deus nos ajude e que assim possamos realizar este trabalho.

*Texto extraído do vídeo sobre o Mês do Dízimo, com o bispo auxiliar da Arquidiocese de Salvador, Dom Hélio Pereira dos Santos. Produção, gravação e edição: Pastoral da Comunicação Arquidiocesana.

Crise: o que fazer para não desanimar?

*Elaine Ribeiro

Em meio à crise, posso chorar ou vender lenços. Esta frase bastante conhecida pode ser um norte em meio às situações que vivemos neste tempo e também a forma como encaramos a vida.

A visão positiva ou negativa fica clara quando começamos a perceber a forma como reagimos às situações. É muito fácil entrarmos num estado de contaminação, de negativismo, frente às situações difíceis que passamos.

Viver em recessão pede de cada um de nós que possamos fazer uma boa revisão de vida e de hábitos. Em tempo de dificuldade, não devemos manter um estado de ilusão, mas sim, um estado de cuidado e precaução.

Uma das posturas muito complicadas em meio à crise é o conformismo: uma onda geral nos consome e faz com que sigamos numa inércia, num estado quase que paralisante. Passam a ser comuns as rodas de pessoas em supermercados, empresas, na rua, colocando todos os defeitos possíveis na situação.

Essa mesma inércia faz com que as pessoas fiquem infelizes, logo, parece que nada tem saída. Porém, o que vai nos tirar de qualquer crise na vida, na empresa e em todos os ambientes é a transformação. E para transformar algo são necessários dois elementos importantes: a disciplina e o zelo.  

A disciplina fará com que possamos estruturar um plano e seguir com ele. O zelo fará com que a intenção inicial, ou seja, o que queremos transformar, seja mantido. Mudanças radicais correm grande risco de não serem concluídas, por isso, é importante que os passos sejam planejados.

Às vezes, a primeira grande transformação que precisamos promover (e ela é bastante trabalhosa, por sinal) é interna. A transformação da forma como vemos o mundo e da forma como nos vemos (autopercepção) e como nos vemos inseridos no mundo. Ao vermos tudo de forma trágica e negativa, é bem provável que nossa tendência seja ver o momento de crise de uma maneira muito pior do que realmente é.  

Se a nossa tendência é a do comodismo, de esperar que o outro venha ao nosso encontro para ajudar-nos em nossas necessidades, corremos o grande risco de uma profunda estagnação.  

Improvisar, tentar, fazer diferente. Estes são alguns caminhos para sair desta sensação de estagnação provocada pela crise. Não adianta criarmos uma ilusão de que tudo será como antes. O “antes” já não existe mais, e se ainda existe, talvez não comporte mais um novo tempo, que pede outras atitudes. Criar mais estresse com pensamentos também não te levará para muito longe. Portanto: pare, respire, avalie o momento e procure tomar uma nova rota.

Pensar positivamente não significa estar alheio a tudo que está ocorrendo neste momento. É pensar de forma conectada ao que se passa, porém, não dar foco apenas ao que é ruim ou negativo. É olhar além e pensar fora de todo aquele movimento de desânimo, indo adiante dele e olhando também para os lados, pois sair da sua situação pode, sim, oferecer outras oportunidades e não apenas nadar num mar de sofrimento.

A inteligência em tempos de crise está relacionada à adaptação, um tipo de inteligência que faz com que possamos, de fato, olhar além do momento, readaptar nossa vida e nossa forma de pensar e agir. Eleja bons exemplos de superação, firme-se naquilo que é bom e procure não dar exclusivo peso às dificuldades. Se as situações não mudam, mude sua atitude, reveja, readapte, recomece!

*Elaine Ribeiro é psicóloga clínica e organizacional e colaboradora da Canção Nova.

A paz é fruto da justiça

Dom Murilo S.R. Krieger, scj

Arcebispo de São Salvador da Bahia, Primaz do Brasil

 

Recentes pesquisas mostraram que uma das maiores preocupações dos brasileiros, atualmente, diz respeito à segurança. Nossas cidades estão se tornando cada vez mais violentas. A violência gera medo. Quando o medo domina, a paz desaparece. Em época de eleições, demonstrando conhecer bem quais são os grandes anseios da população, os candidatos prometem que, uma vez eleitos, tornarão a vida de todos mais segura.

Não se garante uma vida mais segura pelo simples aumento do número de policiais, de armas ou de detenções. A segurança é fruto da paz e “a paz é fruto da justiça”, segundo ensinava o profeta Isaías, sete séculos antes de Cristo (Is 32,17).

Nós, discípulos de Jesus de Nazaré, somos chamados a trabalhar pela paz: “Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9). Vemos que, em nossa sociedade, a convivência entre as pessoas está ficando cada vez mais difícil e tensa. As agressões verbais e físicas estão se tornando sempre mais comuns, e por motivos banais. Parece até que o filósofo inglês Hobbes (†1679) tenha se referido ao nosso tempo, quando escreveu: “O homem é o lobo do homem”.

A partir dos valores que Jesus veio nos ensinar, somos chamados a mostrar que uma outra sociedade é possível – isto é, uma sociedade envolvida pela cultura da paz. A Igreja não tem respostas técnicas para os problemas que desafiam a nossa sociedade; tem, sim, princípios capazes de fazer nascer uma grande reflexão sobre o valor da paz.

Em síntese: cabe-nos desenvolver nas pessoas a capacidade de reconhecer as consequências da violência em sua vida pessoal e social, para que assumam sua própria responsabilidade; denunciar as injustiças na vida pública; demonstrar que uma das causas da violência é a negação dos direitos das pessoas; favorecer a criação e a articulação de redes sociais populares e de políticas públicas, com vistas à superação da violência e de suas causas e à difusão da cultura da paz; multiplicar ações solidárias em favor das vítimas da violência; apoiar as políticas governamentais valorizadoras dos direitos humanos; lutar contra a impunidade etc.

A paz é fruto da justiça. Todo ato de injustiça e desamor é pecado e fonte de violência. A violência sempre aparece quando é negado à pessoa aquilo que lhe é de direito, a partir de sua dignidade, ou quando a convivência humana é direcionada para o mal. A violência nega a ordem desejada por Deus.

Deus nos criou por amor e para o amor. Fomos criados à Sua imagem e semelhança. Nosso Deus é o Deus da paz. Por isso mesmo, a construção da paz é uma das maneiras de lhe demonstrarmos o nosso amor. Se houver paz entre nós, todos viverão felizes e, com razão, seremos chamados de “filhos de Deus”.

Dízimo: gesto de gratidão

Neste segundo vídeo da série sobre o Dízimo, o bispo auxiliar da Arquidiocese de Salvador, Dom Marco Eugênio Galrão, fala sobre a gratidão.

Não consegue assistir? Leia, abaixo, a íntegra da mensagem:

“A Eucaristia é, por excelência, o ato de ação de graças, isto é, a ação pela qual nós criaturas marcadas por vivermos na situação da criação, elevamos a Deus o nosso culto de gratidão, o nosso ato de louvor, a nossa devolução a Ele de tudo aquilo que Dele recebemos.

Quando apresentamos sobre o altar, para a Celebração da Eucaristia, o pão e o vinho, assim dizemos: ‘Bendito sejais, Senhor Deus do universo, pelo pão ou pelo vinho, que recebemos de Vossa bondade, fruto da terra, da videira, mas do trabalho do homem, que agora Vos apresentamos e para nós se vai tornar o Pão da Vida e o Vinho da Salvação’ Reconhecemos que tudo vem de Deus na obra da criação, mas o nosso trabalho transforma; e ao transformarmos a criação pelo nosso trabalho, devolvemos a Deus.

Mas não podemos deixar de reconhecer que não é o nosso trabalho que é o principal da ação, mas é o dom e Deus que nos é entregue e que por nós é transformado e é elevado por Ele à dignidade nova de Jesus Cristo. É isso que corresponde o Dízimo em nossa vida. Nós aqui recebemos e reconhecemos que tudo vem Dele, que pela graça Dele nós somos capacitados a transformar a obra da criação, mas que ela, a criação, o produto do nosso trabalho, não é nosso, mas é dom de Deus, pelo qual nós apenas cooperamos.

Se somos apenas cooperadores, assim como a Eucaristia é, por excelência, ação de graças, a gratidão elevada a Deus, isso se realiza de maneira concreta pelo Dízimo: quando devolvemos a Deus o que é Dele, porque estamos trabalhando na seara, no campo que é Dele, na criação que é Dele e reconhecemos que tudo o que fazemos vindo Dele precisa também fazer com que nós participemos da Sua obra de evangelização, da Sua partilha entregue a todos os homens e da doação de cada um pela construção do Seu Reino.

Eucaristia: ação de graças; Dízimo: expressão na vida de tal ação de graças, pelo qual reconhecemos que tudo vem de Deus e a Ele referimos o fruto do nosso trabalho. Irmãos e irmãs, passemos a fazer com que a nossa vida seja este grande reconhecimento e participemos intensamente da devolução do nosso dízimo, como participação direta do trabalho da Igreja e a nossa ação de graças ao nosso Deus”.

*Texto extraído do vídeo sobre o Mês do Dízimo, com o bispo auxiliar da Arquidiocese de Salvador, Dom Marco Eugênio Galrão. Produção, gravação e edição: Pastoral da Comunicação Arquidiocesana.

Nossa casa precisa ser do Senhor

É promessa do Senhor reconstruir nossas famílias. Para tanto, Ele nos dá toda a unção e a força do Espírito Santo. O Senhor quer nos ensinar que para acontecer o “Eu e minha casa serviremos ao Senhor” (Josué 24,15), é preciso, de nossa parte, uma contínua atitude de “reagir” contra o pecado, a tentação, as forças do mal.

É triste ver que ainda há muitos dos nossos que estão longe de Deus e não querem saber d’Ele; são renitentes, teimosos. Fazem coisas erradas… na nossa casa. O nosso coração sofre, vendo que as pessoas de nossa família agem assim. Fazem o mal para si mesmas e para a família.

Mas o Senhor nos escolheu e colocou nessa família. Por amor a Deus, por amor à humanidade e por amor à sua família, não se deixe dominar pela tentação do ressentimento, da mágoa, da inveja, do ciúme… Você é a resistência de Deus para sua família, você é o sal!

Somos fracos e pecadores, mas Jesus nos escolheu. E Ele quer ficar em nosso lar! Estamos num tempo muito difícil; os problemas na nossa família não são apenas naturais ou humanos, mas também espirituais.

Não há pai ou mãe que não erre. Infelizmente, os filhos acabam sendo feridos por algo que o pai disse ou que a mãe fez. Seja uma proibição, a falta de confiança em algum momento, uma palavra “maldita”, que feriu. Diante destas coisas, da nossa história, não podemos nos revoltar, dar brecha para que o mal destrua nossa família. O inimigo usa esses fatos do passado, cultivando feridas. Ele cria em nós o ressentimento, a mágoa, até chegar à revolta.  

Se a sua casa é uma “bagunça”, se, às vezes, nem dá gosto ficar em casa, saiba: Deus colocou “você” nessa casa, nessa família, para ser o sal, a luz desse lar. Resista firme na fé! A nossa casa precisa ser do Senhor, unicamente d’Ele.

Monsenhor Jonas Abib

Fundador da Comunidade Canção Nova, presidente da Fundação João Paulo II, mantenedora do Sistema Canção Nova de Comunicação, em Cachoeira Paulista (SP) e reitor do Santuário do Pai das Misericórdias.

Dízimo: uma expressão de amor

As Diretrizes da Arquidiocese de São Salvador da Bahia lembram alguns fundamentos da Pastoral do Dízimo: é uma prescrição bíblica; é um gesto de gratidão a Deus e de confiança na Divina Providência; é um meio de darmos assistência aos pobres, de demonstrarmos nossa preocupação com tudo o que se refere às celebrações litúrgicas e de garantirmos o sustento dos ministros religiosos.

O Dízimo tem raízes na tradição da Igreja e responde ao dever dos fiéis de socorrer às necessidades da Igreja. Por isso, sua implantação é um meio evangélico e pastoral para fortificar a consciência da Igreja como Comunidade de fé, culto e caridade. Por isso, a motivação mais profunda do Dízimo não é financeira, mas evangélica, teológica e pastoral.

Por tudo isso, convenço-me cada vez mais que o Dízimo é uma expressão de amor, de doação. Vale aqui, pois, a observação do apóstolo Paulo: “Deus ama quem dá com alegria” (2Cor 9,7).

Dom Murilo S.R. Krieger, scj

Arcebispo de São Salvador da Bahia

Julho é o mês do Dízimo na Arquidiocese de Salvador

Com o tema  Que a fidelidade de Maria a Deus e ao Projeto de Salvação, conceda-nos a graça de sermos dizimistas fiéis, a Pastoral do Dízimo da Arquidiocese lança dá início a Campanha de Animação 2017, amanhã, dia 1º de julho. Durante todo o mês as paróquias são convidadas a ajudarem os fiéis na reflexão sobre a importância do dízimo como partilha dos dons recebidos e instrumento de evangelização.

A coordenação arquidiocesana da Pastoral do Dízimo preparou algumas dicas para ajudar as comunidades a celebrarem a abertura do mês do Dízimo, confira:

  1. Combine com seu pároco/adm. Paroquial para no Domingo 02/07/2017 celebrar a Missa de Abertura da Campanha da Partilha, com cânticos, equipe de acolhimento da própria Pastoral do Dizimo, momento do Dízimo e etc, motivando as pessoas a participar deste momento importante em nossas paróquias.
  2. Reúna-se com os dizimistas, membros da comunidade, nas casas ou na igreja. Escolha onde poderá ser realizado um encontro para reflexão da importância da Partilha. Exemplo: Café com Dízimo, Chá com Dízimo, Sarau do Dízimo, Louvor com Reflexão sobre o Dízimo, etc.
  3. Verifique quais são as pessoas que estão afastadas da comunidade. Convide-as para participar deste encontro.
  4. Providencie para que as pessoas tenham conhecimento do roteiro deste encontro; assim elas participarão com mais proveito do encontro.
  5. Incentivem para que todos participem do encontro e que auxiliem no que puderem, como nas leituras (Ex 25,1-2 – O coração é a medida da oferta; Pv 11,24-26 – Aquele que sabe dar está pronto para receber; Ecle 35, 6-14 – Uma oferta integral; IICor 9, 7-11 – Oferecer não somente com o coração, mas o coração; At 4,35-37 – E traziam seus bens aos apóstolos; IICor 9,4-14 – Como desapegar-se e viver a caridade; IICor 8,1-3 – Apesar das dificuldades ofereciam generosamente), nos cantos, na ornamentação, na confecção de cartazes, na preparação do ambiente, na acolhida.
  6. Realize cada encontro com o máximo de participação de todos. Use dos recursos possíveis, como cartazes, imagens, músicas, mensagens e slide da Formação do Dízimo, por Dom Estevam (solicite). Quanto mais criatividade, melhor, mas sem perder de vista o assunto central deste encontro da Partilha.
  7. Motive a todos a participarem do Encerramento Campanha da Partilha com a Santa Missa com a mesma motivação da Missa de Abertura.

Para motivar ainda mais as comunidades quanto a este gesto de ofertar o dízimo, as paróquias da Arquidiocese de Salvador receberão, semanalmente, vídeos sobre a importância desta experiência de fé. No primeiro vídeo, o Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger faz um convite especial aos fiéis. Assista!

O dom da alegria

Dom Murilo S. R. Krieger, scj

Arcebispo de São Salvador da Bahia e Primaz do Brasil

 

“Alegrai-vos sempre no Senhor! Repito: alegrai-vos!” (Fl 4,4). É difícil acreditar que esse convite do apóstolo Paulo à alegria tenha sido escrito não em um momento de sucesso ou de festa, mas quando ele se encontrava na prisão. Não sei o que Paulo escreveria, se vivesse no Brasil de hoje. Tenho minhas dúvidas, contudo, de que se contentasse em aumentar o coro dos pessimistas – isto é, daqueles que são levados pela onda de reclamações, críticas e insatisfações.

Nossos problemas são, reconheçamos, sérios e graves, gerando inquietação e insegurança. Como, pois, ser alegres? De que maneira, para usar a linguagem de Paulo (2Cor 7,4), estar cheios de consolação e transbordar de alegria?

Todos desejam ser felizes. Mas nossa alegria é sempre incompleta e frágil. O homem moderno, que pela técnica consegue multiplicar ocasiões de prazer, não conseguiu, ainda, “fabricar” a alegria autêntica. E, por isso mesmo, tem como constantes companheiros o tédio e a tristeza, a angústia e o desespero, a solidão e o vazio…

A  alegria somente será possível se se  fizer um renovado esforço para que todos tenham um mínimo de segurança, de justiça e bem-estar. Não há alegria em um ambiente onde  falta o sentimento de fraternidade e não se tem uma  visão poética das coisas boas que acontecem ao nosso redor.  Sem um  coração de poeta e  de criança, somos  incapazes de alegrar-nos diante da vida, do amor, da natureza, do trabalho bem feito, do dever cumprido, da partilha, do sacrifício…

A alegria duradoura, que levou Paulo a desejar experimentá-la  mesmo em  meio a  inquietações, passa pela experiência da fé. Experiência que fez o apóstolo e evangelista João exclamar: “Deus é amor!” (1 Jo 4,16 ). E Agostinho lamentar: “Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei!” (Confissões X, 27).

A alegria é para ser desfrutada por todos. Quando Maria Santíssima a experimentou na casa de Isabel, externou-a  num cântico  em que engrandece o Senhor (Lc 1,46-55). Jesus fez da alegria um tema constante de suas pregações. Lembrou que ela é sentida pela mulher que encontra a moeda perdida e pelo semeador que faz a colheita; pelo homem que acha um tesouro e pelo pastor que reencontra a ovelha extraviada; pelo pai que acolhe o filho e pelos pequenos que recebem a revelação do Reino. O Filho de Deus desejou que sentíssemos  a sua alegria para que, assim, a nossa fosse completa e duradoura (Jo 15,11).

Em meio a nossa crise, precisamos nos recordar de que, assim como só o poeta vê o invisível, ou seja, a essência dos acontecimentos, da natureza e das pessoas, só quem tiver o Espírito de Deus será capaz de saborear a alegria, esse dom que caracteriza os seguidores de Jesus de Nazaré.

Veja a mensagem do padre Ricardo Henrique pelo Dia Mundial de Oração pela Santificação do Clero

O dia da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus é também o Dia Mundial de Oração pela Santificação do Clero. Confira a mensagem do coordenador arquidiocesano de Pastoral, padre Ricardo Henrique, para esta data tão importante!

Como viver a devoção ao Sagrado Coração de Jesus nos tempos atuais?

* Padre Mário Marcelo Coelho

No evangelho de João 19,31-37, ao relatar a morte de Jesus, o evangelista narra que “um soldado abriu-lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água”. Esta passagem é um convite a contemplar o Coração transpassado de Jesus: “olharão para aquele que transpassaram”.

Contemplar o Coração aberto de Jesus significa “parar”, “fixar os olhos”, “compreender com o coração” o mistério do amor de Deus derramado no coração da humanidade. O lado aberto de Cristo, na cruz, é a expressão de como o amor divino torna-se concreto, palpável e visível. É a fonte da vida cristã autêntica, onde se bebe o amor divino e se reconhece que Deus é força e salvação: “com alegria (beberão) no manancial da salvação” (Is 12, 2-6).

Olhando o lado aberto de Cristo, nós conhecemos o endereço da fonte: é o Coração de Deus que se comove e arde de compaixão, possibilitando-nos beber a vida divina e nos enraizar no amor de Deus. Como escreve Paulo, todos temos capacidade “de conhecer o amor de Cristo que ultrapassa todo conhecimento” (Ef 3,8-12.14-19).

É contemplando o Coração de Jesus que podemos compreender a dimensão do amor divino em toda sua extensão: “tereis assim a capacidade de compreender (…) qual a largura, o comprimento, a altura, a profundidade” — com destaque especial para o fundamento — “conhecer o amor de Cristo que ultrapassa todo conhecimento” (Ef 3,8-12.14-19).

No Coração de Jesus está a expressão do que Deus verdadeiramente é: “Deus é amor” (1Jo 4,16); é o Bom Pastor capaz de deixar tudo para se aventurar em caminhos pouco confortáveis e escassos de segurança para buscar a ovelha perdida; ir em busca da vida humana, perdida em locais tenebrosos por causa do pecado e da morte (Sl 22).

Jesus é a descrição do Coração divino que traz consigo um projeto seguro para a vida humana: vem ao encontro da humanidade, retira-a de caminhos agressores e a coloca no caminho onde a vida é acariciada pela ternura de Deus (Lc 15, 3-7).

O convite de Jesus “vinde a mim, vós que estais cansados”, … “venham a mim e aqui encontrarão repouso, porque eu sou manso e humilde de Coração” é dirigido, especialmente, a quem já perdeu suas esperanças terrenas e vive decepcionado de tudo; quantos pais e mães; quantas famílias vivem sem esperança, jovens decepcionados, doentes abandonados em seus leitos de dor, pessoas desempregadas, homens e mulheres cansados e tristes. É também um convite estendido a quem anda em busca de repouso, cansado de cair em situações que prometiam esperanças, mas depois se revelaram vazias.

Cada um de nós deve ser a imagem viva do Coração de Jesus que se manifesta no amor, que demonstra, através de atitudes e de palavras, o amor misericordioso de Jesus. Nós cristãos temos o compromisso de ser o Coração de Jesus que bate no meio do mundo: “Jesus manso e humilde de Coração, fazei o nosso coração semelhante ao vosso”. Somos chamados a assumir atitudes de misericórdia e de acolhida, típicas do Coração de Jesus, para com todos, mas especialmente para com os mais necessitados, os mais pobres, os cansados e angustiados de nossos dias.

Aceitar o chamado é a capacidade de quem é semelhante ao Coração de Jesus, de curar e de resgatar a vida através do amor, do cuidado e da compaixão. Quanto mais nos aproximamos e contemplamos “aquele que transpassaram”, que é o Coração de Jesus, mais nosso coração torna-se fortalecido pelo amor de Deus. Deus preocupa-se com quem não é acariciado pela vida, com quem é agredido pela vida (Ez 34,11-16).

Só quem tem um coração semelhante ao Coração de Jesus pode encontrar-se com Deus e com os irmãos por meio de relacionamentos que não oprimem, mas que acolhem, que convidam a descansar e encontrar repouso no amor. O desejo da Igreja é oferecer um coração humano com as mesmas características do Coração de Jesus, que: amar, perdoar, acolher os pobres e necessitados… que sente o que o outro sente.


* Padre Mário Marcelo Coelho é sacerdote da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus/Dehonianos e Doutor em Teologia Moral pela Academia Alfonsiana de Roma/Itália. 
Atualmente é professor na Faculdade Dehoniana de Taubaté-SP.


Cúria Metropolitana Bom Pastor - Av. Leovigildo Filgueiras, 270 - Garcia, CEP: 40.100-000 - Salvador -Ba. Tel.: (71) 4009-6666 | contato@arquidiocesesalvador.org.br
Scroll To Top