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Páscoa: nova dinâmica da vida

Dom Hélio Pereira dos Santos

Bispo auxiliar da Arquidiocese de Salvador

Os primeiros cristãos entenderam a Páscoa de Jesus Cristo como novo Êxodo. A Páscoa Judaica e também a Cristã são caracterizadas por movimentações, mobilidades, deslocamentos, mudanças que inspiram novas atitudes, novas formas de viver, dando visibilidade à presença de Deus na história.

Com a ressurreição do Crucificado, Deus disse sua última palavra sobre aquela vida feita de amor e serviço que “andou por toda parte, fazendo o bem” (At 10, 38).  A morte não tem mais poder sobre ele.  E a partir dele, não tem mais poder sobre nenhum homem e mulher vindos a este mundo, visto que a Ressurreição de Cristo dentre os mortos vale para nós, não mortos ainda fisicamente, mas como vivos provindos dos mortos (cf. Rm 6,13 -14).

A luz trazida pela passagem de Jesus da morte para a vida pelo poder de Deus brilhou através e apesar das trevas que ainda continuavam com seu trabalho predatório sobre a vida: “Os sumos sacerdotes se reuniram com os anciãos e deram uma grande soma de dinheiro aos soldados, dizendo-lhes: dizei que os discípulos dele foram durante a noite e roubaram o corpo enquanto vós dormíeis” (Mt 28,12-13).

A vitória já está alcançada com a ressurreição de Jesus!  Deus mostrou que quer a vida, mas é preciso ter os rins cingidos, as sandálias aos pés, o cajado à mão e manter a vigilância pela defesa da vida, desde a concepção, como alertou a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, 11 de abril de 2017, em uma nota com o título: “Pela vida, contra o aborto”.  Fez-se um apelo veemente para as nossas comunidades se unirem em oração e se mobilizarem, promovendo atividades pelo respeito da dignidade integral da vida humano, alertando que “o direito à vida é intrínseco à condição humana e não uma concessão do Estado”.  Por fim diz a nota: “Ao invés de aborto seguro, o Sistema Público de Saúde deve garantir o direito ao parto seguro e à saúde das mães e de seus filhos”.  Não se compreende uma pátria, mãe gentil, que se diz evoluída, matar os seus filhos, nas escondidas ou às claras, sob o pretexto de direito.

Nas celebrações imediatamente ao evento ressurreição de Jesus Cristo temos uma sequência de acontecimentos que mostra o novo impulso na vida dos seguidores de Cristo: as mulheres partiram depressa do sepulcro e correram para dar notícias aos discípulos (cf. Mt 28,8); alguns guardas foram à cidade e comunicaram aos sumos sacerdotes tudo o que havia acontecido (cf. Mt 28,11); os discípulos de Emaús voltaram para Jerusalém e contaram aos demais sobre o encontro com Jesus (cf. Lc 24,33-35).

Dentro do contexto de correria, gostaria de destacar a realidade vista por Maria Madalena que inspirou movimentação: “Ela saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo. Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo. Os dois corriam juntos” (Jo 20,2-4). Para abrir nossa fé no Cristo ressuscitado precisamos realizar nossa corrida, mas devemos correr unidos, construindo formas de viver que colocam Cristo no centro, pois, onde dois ou três estão reunidos em seu nome, Ele aí se encontra (cf. Mt 18,20).

Na alegria da nova dinâmica da vida, cantemos Aleluia!  Aleluia porque Jesus tomou o que é nosso, nossas limitações. Chamou para ele nossas misérias, sem deixar de ser Deus, deixando-nos livres. “Ele foi castigado por nossos crimes e esmagado por nossas iniquidades” (Is 53,5).  É nosso dever agradecer: “Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! A mão direita do Senhor fez maravilhas” (Sl 117/118). É nossa salvação louvar porque Deus passou e libertou seu povo; Deus passou e ressuscitou seu Cristo dentre os mortos e nada mais poderá nos separar de seu amor manifestado em Jesus, nosso Senhor (cf. Rm 8,38-39).    “Salve, ó vítima pascal!”  Feliz Páscoa!

Fascinados por Jesus Cristo

Dom Hélio Pereira dos Santos

Bispo auxiliar da Arquidiocese de Salvador

 

Há mais de dois mil anos a humanidade recebeu a notícia extraordinária: todos podem ser felizes (Mt 5,1-7,28). O povo ficava fascinado por Jesus (Lc 19,48) e as multidões ficavam extasiadas com o seu ensinamento (cf. Mt 7,28).O verbo fascinar traz a ideia de encantar, entusiasmar, deslumbrar, enfeitiçar, apaixonar, inclinar, pender, dominar etc.

Um dos grandes males que atinge o povo de Deus é a falta de entusiasmo por Jesus Cristo, principalmente quando se fala do Cristo da cruz. Ficamos fascinados por muitas realidades: pessoas talentosas, dinheiro, profissão, comidas, novas tecnologias, milagres da prosperidade etc. Diante do exposto, fica a sensação que perdemos a capacidade de separar o essencial do acessório.

É urgente cultivar o deslumbramento pelo Cristo da cruz que “nos amou e se entregou por nós a Deus como oblação e sacrifício de agradável odor” (Ef 5,2). Exultemos como fizeram os primeiros cristãos quando perceberam a ação de Deus na pessoa de Jesus Cristo: “Bendito seja o Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, em Sua grande misericórdia, nos gerou de novo, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para a esperança viva” (1 Pedro 1,3).

O fascínio pelo Cristo da cruz torna as dificuldades do cotidiano pequenas em vista de todas as maravilhas que nos aguardam na eternidade. Pessoas fascinadas por Cristo não limitam suas alegrias às circunstâncias terrenas, mas fazem dele sua fonte de esperança e vida, “pois o Reino de Deus não consiste em comida e bebida, mas é justiça, paz, alegria no Espírito Santo” (Rm 14,17).

Ponderando o cuidado para não nos perdermos no labirinto de fascinações, destacamos algumas características da vida de Jesus Cristo que não perderam a validade: liberdade; agir prático e oração.

  1. Liberdade – Jesus admira o testemunho de João Batista, mas não se prende aos seus ensinamentos e expressa tamanha liberdade que até os seus seguidores ficam admirados e não compreendem o comportamento tão livre como no encontro com a samaritana (cf. Jo 4,5-42) e no caso da mulher do perfume em que alguns ficam indignados e Jesus os repreende: “Deixe-a. Por que a aborreceis? Ela fez uma obra boa para comigo” (Mc 14,6).
  2. Agir prático – Jesus não se perde na vastidão moralista de mais de 613 preceitos do Código Levítico e ensina com admirável praticidade: “amarás o Senhor teu Deus e o teu próximo” (cf. Mt 22, 37-39); “Dai, pois, o que é de César a César, e o que é de Deus, a Deus” (Mt 22,21). A praticidade de Jesus faz falta em nossos dias. Com nossas agendas cheias nos jogamos numa rotina frenética de reuniões, atividades diversas, e não reservamos tempo para apreciar o presente. Caímos no perigo de sermos repreendidos por Jesus como fez com Marta que estava agitada por muitas coisas desnecessárias (cf. Lc 10,41-42).
  3. Vida de oração – A oração de Jesus se insere no ordinário de cada dia e se intensifica nos momentos marcantes como: Batismo (Lc 3,21-22); a escolha dos apóstolos (Lc 6,12);a transfiguração (Lc 9,28-29); antes da multiplicação dos pães (Jo 6,11); antes da ressurreição de Lázaro (Jo 11,41); nas horas da Paixão (Jo 12,27s); no Horto das Oliveiras em que clama por Deus, chamando-o de “Abbá” (Mc14,36) e principalmente a oração confiante no instante de expirar: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23,46).

Considerando que “Jesus Cristo é o mesmo, ontem e hoje, ele o será para sempre” (Hb13,18), tudo indica que arrefecemos na capacidade de admirar as coisas bonitas da vida. Fala-se que um homem estava viajando de trem. Logo que a máquina começou a atravessar pelas mais belas paisagens, o homem começou a dizer: “Que maravilha!” E repetia: “Que maravilha!”.  Um passageiro ficou irritado e disse: “Por que você não para de dizer ‘que maravilha! que maravilha!’?”  O homem respondeu: “Eu era cego e acabei de fazer uma cirurgia. Agora posso ver. O que para você é algo comum, para mim é uma maravilha!”.

Deus nos livre de ficarmos insensíveis às coisas bonitas da vida. Deus nos livre de perdermos o fascínio pelas coisas do infinito e menos ainda de nos contentarmos somente com o céu provisório ou o Cristo sem cruz. Cada batizado é convidado a retomar o caminho do encanto para viver a fé com alegria, leveza e praticidade: “Recorda-te, pois, de onde caíste, converte-te e retoma a conduta de outrora” (Ap 2,5).

O caminho do céu: descer e subir

Dom Hélio Pereira dos Santos

Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Salvador

 

O caminho para o céu comporta muitos altos e baixos. Ninguém voa para o céu sem passar por turbulências.  À medida que tomamos consciência das nossas limitações, dos nossos pecados, damos os passos na direção de Deus que, sem perder oportunidade, aproveita até dos espaços quebrados do nosso ser para entrar em nossa vida e nos elevar.

Para subir à presença de Deus temos que descer da importância, descer do presbitério, descer da montanha, descer do título e andar no chão de nossa realidade, percorrendo a planície do serviço e da valorização de tantos que caminham conosco.  Quanto mais firmes os pés no chão, mais chance para galgar com sucesso o caminho do céu.

Na História da Salvação nos deparamos com muitos exemplos de pessoas que no caminho para Deus tiveram que primeiro descer. José (Gn 37,1s) desceu ao fundo do poço pela inveja dos irmãos. Na sequência José desceu ao Egito onde foi vendido para Putifar.  No Egito José desceu a prisão por falso testemunho levantado pela mulher de seu senhor.  Por fim, José subiu, saindo de todas essas situações, dando primazia a Deus e à fraternidade.

Davi (Livros 1 e 2 de Samuel) o caçula, o último dos herdeiros, ao contrário do irmãos caçadores e guerreiros, desceu ao campo para cuidar de ovelhas.  O excluído daquela família foi exaltado por Deus e se tornou Rei de Judá e de Israel. Davi desceu quando mandou matar Urias para ficar com Betsabéia, esposa de Urias (2 Samuel 11,1s), mas subiu a Deus quando se arrependeu e pediu perdão (2 Samuel 12,13).

Deus ordenou Jeremias a descer à casa do oleiro (Jeremias 18,2). Jeremias deve ter estranhado a ordem de Deus.  Ir a um lugar de barro, de lama?  Nós, às vezes, estranhamos quando recebemos uma missão para um lugar que achamos sem futuro.  Deus com o trabalho do oleiro em consertar um vaso, transformando-o em vaso novo, passa uma grande lição a Jeremias.

Ezequiel (Ez 37, 1-14) desceu a um vale de ossos secos e lá subiu na compreensão do poder de Deus que fez os ossos viverem, firmando-se como um imenso exército.

Agur perguntou: “Quem subiu ao céu e de lá desceu?” (Provérbios 30,4). Muitos séculos mais tarde, Jesus, dirigindo-se a Nicodemos, deu a resposta: “Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem”(João 3,13). Notamos que até Jesus, o Filho Deus, passou pela dinâmica de descer e subir.

Naamã (2 Reis 5,1-27) recebeu a ordem do profeta Eliseu para descer ao Jordão, mas ficou irritado, pois se encontrava no pedestal do orgulho de chefe do exército do rei Aram e conhecia muitos rios limpos como os de Damasco. Depois Naamã desceu ao Jordão e foi curado, seguindo na direção do céu ao revelar seu entendimento sobre Deus.

Sidrac, Misac e Abdênago (Daniel 3,1-100) por não adorarem a estátua de ouro desceram à fornalha. Na mesma linha do testemunho de fidelidade ao Deus verdadeiro, temos a história de Daniel que desceu à cova dos leões (Daniel 6, 2-29).

O Novo Testamento também tem muitas histórias de descidas e subidas no caminho para Deus: a descida dos discípulos do Tabor (Mt 17, 9); o bom samaritano (Lc 10, 30-37); o Apóstolo Paulo desceu do “cavalo da presunção” (Atos 9,3-5); Zaqueu desceu ao encontro de Jesus (Lc 19,1-10).

Ao longo dos tempos, homens e mulheres passaram por quedas e buscas do infinito. Santos! Deus seja louvado. Pecadores! Deus seja buscado, pois, a fraqueza humana e até o pecado abrem o acesso para Deus, como cantamos no Hino da Proclamação da Páscoa: “Ó pecado de Adão indispensável, / pois o Cristo o dissolve em seu amor; / ó culpa tão feliz, que há merecido / a graça de um tão grande redentor!”.

A importância do tempo

Dom Hélio Pereira dos Santos

Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Salvador

 

Não sabemos exprimir com exatidão o que de fato é o tempo, visto que até para estudiosos do assunto há controvérsias. Isaac Newton definiu o tempo como absoluto, verdadeiro e matemático, que se passa sem nenhuma relação com um objeto exterior. Já Albert Einstein viu no tempo uma ilusão mantida persistentemente e que não se passa de forma absoluta, mas relativamente à velocidade.

Estamos acostumados à realidade cronológica e por toda parte encontramos relógios a fim de que possamos fazer a leitura do tempo. Temos nas Sagradas Escrituras a notícia de que o próprio Deus, Criador do tempo, quis dispor do tempo para manifestar ao mundo, mediante a Palavra, a força do pensamento criador (cf. Gn 1, 1s).

No mundo dominado pela pressa, muitas pessoas dizem que não têm tempo.  Essencialmente esse pensamento não corresponde à realidade, pois todos temos tempo por igual e suficiente para realizar todas as nossas necessidades. Conforme diz em Eclesiastes, há um momento para tudo e um tempo para todo propósito debaixo do céu. (cf. Ecl 3,1-8). Podemos dizer que o tempo é o ente mais bem distribuído que existe no mundo. Ele se encontra à disposição de todos do mesmo modo e por toda parte.

Usamos basicamente duas palavras para expressar tempo: cronos e kairós. Os gregos entendiam o tempo cronos como o ente terrível capaz de devorar tudo o quanto fosse perecível. A partir desse pensamento o tempo foi elevado à categoria de divindade que envelhece e aniquila todas as coisas contingentes. A filosofia do devir de Heráclito, “tudo passa, nada permanece”, justifica o poder assustador do tempo.

Ao lado do tempo cronos que causa medo, forçando-nos a funcionar em vez de viver, temos o tempo kairós.  Para os gregos, kairós era a divindade da vivacidade, da alegria, do frescor, da possibilidade para se viver qualitativamente.

Há no hino de vésperas do Ofício da Imaculada Conceição da Virgem Maria a seguinte oração: “Para que o homem suba às sumas alturas, desce Deus do céu para as criaturas”.  A descida de Deus às criaturas preencheu o tempo cronos, dando-lhe sentido positivo.

“Quando, porém, chegou a plenitude do tempo, enviou Deus o seu Filho (cf. Gl 4,4).  Jesus Cristo, tornando-se homem no tempo, deu à história uma nova dimensão: eternidade.  A partir da descida de Deus, principalmente com a encarnação do Verbo, o tempo se revestiu de transcendência, tornando-se tempo favorável de que nos fala São Paulo (2 Cor 6,2).

Por falar em favorável, conta-se que em uma Ilha moravam todos os sentimentos: a alegria, a tristeza, o amor … No entanto, um dia, souberam os moradores que a ilha ia ser tomada pelas águas. Logo, todos os sentimentos se apressaram em fugir em seus barcos.  Somente o amor resolveu ficar mais um pouco para melhor contemplá-la.  Quase inundada a ilha, o amor desesperado começou a chorar.  Quando tudo parecia sem futuro, uma voz chamou: “Venha, amor, eu levo você no meu barco”. Era um velhinho, mas o amor ficou tão feliz que esqueceu de perguntar-lhe o nome. Chegando ao outro lado da margem, o amor encontrou a sabedoria e perguntou: “Sabedoria, quem era aquele velhinho que me trouxe em seu barco?”.  Respondeu a sabedoria: “Era o tempo!”. “O tempo? Mas por que só o tempo me trouxe?”. Então a sabedoria disse: “Porque só o tempo é capaz de ajudar e entender um grande amor”. O tempo kairós, momento cheio de Deus, é capaz de salvar o amor, inclusive aquele amor teimoso que se considera dono da verdade e não aceita o conselho dos outros sentimentos.

Permitam-se desestabilizar

Dom Hélio Pereira dos Santos

Bispo auxiliar da Arquidiocese de Salvador

No encontro do Papa Francisco com os novos bispos em Roma, 16 de setembro de 2016, o Santo Padre, contrariando o mundo que prioriza a estabilidade, disse: “Vejo diante de mim aqueles que foram apanhados a partir do coração de Deus para guiar o seu povo. Permitam-se desestabilizar”.

Desestabilizar exige um novo estilo de vida, outros objetivos, uma mudança radical em nosso modo de utilizar o tempo e as energias, romper os esquemas pessoais e passarmos a viver mais desprendidos do nosso ego e dos nossos interesses pessoais.

Deus, por sua misericórdia, nos chama da zona de conforto.  Há tempos, por exemplo, em que ficamos apenas nos deleitando em novas revelações. Em outros momentos Deus nos convida para novas aventuras e sentimos nossa fé desafiada.

Deus quer que cresçamos na confiança de seu amor por nós e nas verdades de sua palavra. Por isso, muitas vezes, ele nos tira de nosso conforto para que possamos aprender mais e amadurecermos também.

Deus tira Abraão do conforto de sua terra, corta as ligações particulares que o prendem, e faz dele uma bênção que chega aos nossos dias: “Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que te mostrarei. Eu farei de ti um grande povo, eu te abençoarei, engrandecerei teu nome; sê uma bênção!”(Gn 12,1-2).

Deus faz Moisés perder a segurança que desfrutava no deserto, cuidando do rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Madiã, e o envia para uma nova missão: fazer sair do Egito os israelitas (cf. Ex 3,1.10).

Deus desestabiliza Samuel. Na tranquilidade da noite, num momento em que os sentidos estão adormecidos, as atividades estão reduzidas, onde não queremos ser incomodados, Deus chama e temos dificuldades para entender a sua voz, como aconteceu com Samuel (cf. 1Sm 3, 1-21).

Deus muda a estabilidade de Natanael que estava na sombra, no conforto debaixo da figueira: “Antes que Filipe te chamasse, eu te vi quando estavas sob a figueira” (Jo 1,48).

Deus, por Cristo, chama a Samaritana da segurança do poço e lhe causa admiração: “como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a uma mulher samaritana?” (Jo 4,9).  Ao tempo em que Deus desconforta a Samaritana a contagia pelo ardor missionário: “Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz. Não seria ele o Cristo?” (Jo 4,29).

Nem Maria, a mãe de Jesus, ficou livre da desestabilização, pois diante do anúncio de que seria a mãe do Filho do Altíssimo, num gesto de admiração, disse: “como é que vai ser isso, se eu não conheço homem algum?” (Lc 1,34).

As desestabilidades causadas por Deus trazem sempre benefícios incomensuráveis, basta olharmos os frutos que surgiram na vida dos discípulos de Jesus, na vida de Paulo e de muitos judeus.   Deixar Deus tomar posse de nossa vida custa pouco e rende muito.  Ele sabe como nos liderar de forma perfeita e não vai nos deixar no meio do caminho.  Aquele que nos chamou sabe realmente quem somos e não tem medo de nossa pequenez.

Ponderando o momento de instabilidade mundial, muitas vezes, recusamos as mudanças, todavia urge ressaltar que o conforto nem sempre é confortável, pois se não temos um bem queremos conquistá-lo, e, se já o possuímos, tememos perder.

O motivo maior para superar o medo da desestabilização é o encontro pessoal com a amor de Jesus que nos salva, transformando-nos em comunicadores das maravilhas de Deus. Não podemos nos contentar com o menos, parar no meio do caminho ou ficar olhando para trás: “Quem põe a mão no arado e olha para trás não é apto para o Reino de Deus” (Lc 9,62).


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