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A Cruz de Cristo, o Poço da mulher Samaritana

Dom Estevam dos Santos Silva Filho

Bispo Auxiliar de São Salvador da Bahia 

 

O sol já começa a dar um sinal de sua força, como lá na Samaria, quando Jesus sentado à beira do poço de Jacó, pediu um pouco de água a uma samaritana (Cf. Jo 4, 4-42). O sol do meio dia estava insuportável. Depois daquele diálogo, aquela mulher, que sofrera com cinco maridos, se encheu da água viva.  Bem depressa, ela foi ao encontro da população da Samaria, para levar a tão necessária esperança a sua família. Quem toma da água que é Jesus, não tem como guardar só para si, torna-se missionário…

No dia de São José (Homem Justo), dia também de nossa Caminhada Penitencial, estamos aqui com a mesma sede de Deus que os Samaritanos. Para nós, temos como poço de Jacó, a Cruz de Jesus Cristo, poço de água viva. Nessa quaresma precisamos beber da sabedoria da Cruz, nos inclinar em gesto de adoração para carregá-la.

Diante de nós, uma réplica da cruz que foi erguida em Jerusalém. Apenas uma vaga semelhança, pois, na original se somou a cruz dos crucificados de todas as épocas, inclusive a cruz da Virgem Maria e de todas as mães do mundo.

Na cruz de Cristo está a cruz da humilhação das cuspidas, do abandono, da injustiça, da falta de amor e solidariedade. Só quem carregou ou carrega cruz sabe o que significa a solidariedade da cruz de Cristo. Ele carregou Sua Cruz com dignidade, não a abandonou, não fugiu nem traiu a ninguém, manteve-se fiel. Mostrou-nos como deve agir um filho de Deus, jamais abandonando a cruz enquanto houver irmãos sendo crucificados, colocando-se sempre no meio deles.

O Papa Francisco recordou-nos que Seguir Jesus, mas não assumir a Cruz de Jesus, não torna o católico, por mais religioso que seja, um cristão. Cristão que não enxerga a cruz de Cristo nos outros, que não consegue ver as cruzes carregadas pelos sofredores, não é cristão, é mundano.

A sede de Deus deve-nos fazer enxergar na cruz de Cristo, a cruz de todos os que a carregam com o sofrimento do dia a dia. Por exemplo, a cruz sobre todos os brasileiros com o perigo contido na reforma da Previdência Social.  Cruz do extermínio da juventude e das minorias como os homossexuais, dos exilados e refugiados. Cruz presente nas filas dos hospitais, nas mães desesperadas por tantas e diversas cruzes. Cruz que querem impor a todo custo sobre a juventude, a cruz que as famílias carregam com a imposição da Ideologia do Gênero. A pior de todas as cruzes, a gerada pela corrupção, grande parte dos corruptos se dizem cristãos…

Nesse instante permita-me dirigir-me a Nossa Senhora, aqui, a réplica da Imagem Peregrina de Nossa Senhora Aparecida. Ela veio ao encontro dos filhos há 300 anos. Veio a nossa cidade do Salvador nos ensinar a ter sede de fazer tudo o que Jesus ainda nos pede. Veio nos ensinar a compreender que a sua cor negra, é sinal de solidariedade aos filhos negros, que boa parte ainda hoje carrega a cruz do preconceito e pobreza.

Embora aqui visualizemos Maria com o título de Nossa Senhora Aparecida, recordamos nessa Caminhada Penitencial o primeiro título que Maria recebeu, e recebeu aos pés da cruz: Nossa Senhora das Dores!  Certamente a coroa de espinhos, os pregos e os açoites doeram mais em Maria que em Jesus. A lança que perfurou o coração de Jesus já não doeu em Jesus porque já estava morto. Mas dilacerou o coração de Maria que aos pés da cruz se encontrava.

Ao contemplarmos novamente a cruz e a imagem de Nossa Senhora Aparecida, relembramos a alegria da mulher samaritana, que se encheu de esperança quando, por iniciativa de Jesus, deixou o balde antigo, e com a água viva esparramou a notícia da esperança em todas as direções. No deserto Moisés concedeu água para revitalizar a força do Povo de Deus, nessa Caminhada Penitencial, encontramos finalmente o poço da água viva, que nos introduz nos rastros de Cristo, para nos converter, como os cristãos que têm sede de Deus, os cristãos que com orgulho e firmeza no dia a dia, carregam a cruz atual de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A Paixão de Jesus são seus irmãos que carregam cruzes. Paixão de Cristo, Paixão do mundo todo.

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