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A esperança na Cruz

Dom Gilson Andrade da Silva

Bispo auxiliar da Arquidiocese de Salvador

A festa da Páscoa é celebrada a cada ano de acordo com um critério de calendário estabelecido no Concílio de Niceia, em 325 da era cristã, recordando e celebrando os fatos extraordinários ocorridos em Jerusalém, onde Jesus Cristo foi até o extremo na sua doação de amor.

A celebração anual da Páscoa do Senhor não corresponde simplesmente à uma necessidade da comemoração, mas tem um significado mais profundo. Na sua compreensão dos ciclos litúrgicos a Igreja entende que a celebração dos mistérios de Cristo coloca o cristão diante daquilo que corresponde ao sentido de sua própria vida. O cristão vive de Cristo e dos seus mistérios (cf. Col 3, 3). De muitas formas ele reproduz no cotidiano de sua existência e nas vicissitudes da história o que Cristo viveu. Portanto, celebrar hoje a Páscoa deve ter uma implicação concreta com as coisas que estão acontecendo.

A Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor não é um fato isolado da vida de uma pessoa na sua existência concreta, mas tem a ver com toda a humanidade. Jesus morreu para salvar a todos. Esta é a fé da Igreja e este é o sentido de sua missão que perdurará até a vinda do Senhor na sua glória. A salvação de Cristo é um dom que Deus faz às mulheres e aos homens de todas as épocas. Por isso, quando se celebram os eventos dos últimos dias da vida de Cristo é preciso que nós nos perguntemos sobre o seu significado para o nosso tempo.

Não pretendo aqui de modo algum fazer uma análise detalhada dos fatos que têm chamado a atenção das pessoas nos últimos tempos, mas creio que não exagero se digo que as coisas mais relevantes que se dão destaque, especialmente nos diversos meios de comunicação hoje, falam de um anseio  por esperança.

Papa Francisco em algumas ocasiões considerou como uma 3ª guerra mundial os numerosos conflitos armados espalhados pelo mundo. Uma de suas insistências tem sido a de chamar a atenção sobre o problema do descaso dos grandes quanto ao fenômeno da migração em todo o mundo. O tema da corrupção em larga escala mundial é outro fator que inquieta a paz das nações. Em nosso país há destaques diários para o tema. Sem contar os problemas infelizmente recorrentes da fome, da miséria, da injustiça e da grave crise antropológica que se reflete na educação, especialmente das crianças e jovens.

Diante de tudo isso, mais uma vez celebramos a Páscoa e destacamos a centralidade da cruz de Cristo e de sua vitória. A cruz de Cristo, escândalo também neste tempo marcado pela busca desenfreada de bem-estar qual último fim da vida, continua a ser um interrogante e uma resposta diante dos desafios que a humanidade tem que enfrentar. A cruz de Cristo fala do realismo da dor que atravessa a história da humanidade, inclusive da humanidade de Deus que se fez homem. Porém, ela proclama que precisamente ali se deve oferecer o melhor de si mesmo para poder desfrutar o bom da vida. A cruz para o cristão não é, sobretudo, sinal de dor, mas de um amor que supera os limites, de um amor que pode sempre se redescobrir como novo e capaz de vencer toda a aparente força de derrota do mal. Ela responde à pergunta inquietante das mulheres e dos homens de todas as épocas pela presença de Deus nos momentos cruciais da história, pois ela revela que Deus é companheiro do ser humano nos seus dramas e dilemas. Companhia que dilata o coração e faz de cada um e de cada uma capaz de triunfar pela força que dá sentido verdadeiro à vida humana, o amor. Sim, a cruz fala do amor como possibilidade de esperança diante das impossibilidades que tocamos na vida. Por isso, ela também hoje merece a antiga saudação: Ave, Crux, spes unica. Salve, ó Cruz, única esperança.

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