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100 anos de vida: Arquidiocese de Salvador celebra o centenário do monsenhor Neiva

Monsenhor Neiva: 100 anos de vida!

Monsenhor Neiva: 100 anos de vida!

100 anos de uma vida marcada pelo amor a Deus e pela total entrega para o anúncio do Seu Reino. Essa é a forma mais simples de definir a longa jornada do monsenhor José de Souza Neiva, o sacerdote mais velho da Arquidiocese de Salvador.

Com um sorriso no rosto, monsenhor Neiva, ou padre Neiva como é conhecido, já esperava a equipe da Pastoral da Comunicação Arquidiocesana (Pascom) desde cedo, na casa onde mora, localizada no centro da cidade de Cruz das Almas, bem ao lado da igreja matriz da paróquia Nossa Senhora do Bom Sucesso. E foi com palavras de carinho que o sacerdote abriu o coração e foi buscar na memória as respostas para as perguntas sobre a sua vida.

Nascido no dia 9 de abril de 1917 – mesmo ano em que aconteceram as aparições de Nossa Senhora de Fátima, em Portugal –, no município de Dom Macedo Costa, monsenhor Neiva descobriu ainda na infância a vocação para o sacerdócio. Tudo começou quando, aos sete anos de idade, seu pai o enviou para estudar em uma escola na cidade de Conceição do Almeida. Lá ele teve a graça de ser educado por uma professora que testemunhava diariamente a fé católica.

“Eu era menino e tinha uma professora cuja família era profundamente religiosa e participava na matriz, onde tinha um bom padre, que era o padre Edésio Torres. A família da minha professora me levou a participar da Igreja. Me tornei coroinha, comecei a ajudar o padre e ele passou a me levar para o auxiliar nas comunidades rurais onde ele ia celebrar. Todas essas coisas foram provocando dentro de mim um gosto pelas coisas da Igreja”, afirma o monsenhor Neiva.

Esse foi o início de uma longa caminhada. Aos poucos, o menino ia crescendo e em seu coração ia se firmando o chamado de Deus para a vocação sacerdotal. “Eu ia tomando consciência disso e a minha professora, o padre e a comunidade de Conceição do Almeida iam me acompanhando. Foi então que ingressei no Seminário Central de São Salvador da Bahia [em 1930]”, recorda.

Os anos de formação no Seminário foram decisivos para que o jovem Neiva trilhasse o caminho do sacerdócio. E chegou o grande dia: em 21 de março de 1942, pelas mãos do então Arcebispo de Salvador, Cardeal Dom Augusto Álvaro da Silva (1924-1968), na igreja de São Francisco (Centro Histórico), monsenhor Neiva recebeu a Ordenação Sacerdotal.

Nunca me passou pela cabeça desistir de ser padre. Nem como estudante quando eu ia aos lugares mais difíceis com o vigário. Via os embaraços pelos quais ele passava e como ele sabia resolver tudo. Isso foi servindo de estímulo para mim, me criando amor ao sacerdócio e disposição. Eu dizia: ‘quero ser um padre como o meu padrinho [ele chamava o padre Edésio carinhosamente de padrinho] é: dedicado à Igreja’, e assim estou até hoje chegando as etapas finais dessa maratona”, diz monsenhor Neiva.

A missão

Monsenhor Neiva no início do pastoreio

Monsenhor Neiva no início do pastoreio

Logo após ser ordenado, o neo-sacerdote foi designado para ser professor no Seminário Menor, em Itaparica. Além das aulas, ele cuidava das finanças da casa. Porém, com a 2ª Guerra Mundial (1939-1945), a Arquidiocese não conseguiu manter as duas casas de formação – em Salvador e em Itaparica -, o que levou o Seminário Menor a voltar a funcionar na capital baiana.

Com a transferência do Seminário Menor, padre Neiva foi enviado para o município de Baixa Grande – na época o local pertencia à Arquidiocese de Salvador. Lá ele pastoreou os fiéis da paróquia Nossa Senhora da Conceição. “De Baixa Grande eu ia a cavalo para Capivari, que ficava a seis léguas. Eu fazia isso mensalmente para dar assistência àquela comunidade. Todos esses fatores pesaram muito bem em despertar o meu amor pelo sacerdócio. Eu gosto de trabalhar na salvação das almas, nas comunidades rurais, nesses ambientes humildes e simples, como era o meu ambiente familiar: humilde e simples na casa dos meus pais”, afirma.

Todo esse amor em anunciar o Reino de Deus fazia com que monsenhor Neiva encontrasse forças e disposição para dar passos maiores. Em Itaberaba ele conseguiu fundar uma escola para que as crianças que moravam na região pudessem estudar e também fossem evangelizadas.

No ano de 1966 monsenhor Neiva foi enviado para pastorear o município de Cruz das Almas. Ninguém poderia imaginar que ali ele chegaria a completar 100 anos de vida. Os paroquianos da paróquia Nossa Senhora do Bom Sucesso acolheram o padre que chegava disposto a continuar a missão evangelizadora.

“Eu conheci padre Neiva quando eu ainda era estudante de medicina, em Salvador. 10 anos depois que eu cheguei a Cruz das Almas, no dia do aniversário dele, na praça da cidade, ele lembrou de mim. Fizemos amizade e essa amizade vem perdurando até hoje, graças a Deus. Padre Neiva é uma pessoa muito bondosa”, conta o amigo do monsenhor Neiva, Orlando Peixoto Pereira.

É um padre evangelizador, mantém essa fé viva em Cristo e isso ele transmite à comunidade que o abraçou também, afirma Orlando.

Para a família, padre Neiva é exemplo de quem soube seguir a Cristo. “Aos seis anos de idade eu vim morar com o meu tio-padre Neiva. Tenho com ele uma relação mais do que de sobrinha e tio, uma relação de filha. Sempre, sempre ele me orientou, me amou, cuidou de mim, me deu muito amor e exemplo. O exemplo que ele passou para toda a família é um exemplo maravilhoso e eu tenho orgulho de ser sobrinha dele. É o pai que eu tenho!”, diz Maria Eulina Neiva Lemos, primeira sobrinha do monsenhor Neiva.

Celebração da vida

Monsenhor Neiva encontra o Papa João Paulo II

Monsenhor Neiva encontra o Papa João Paulo II

Como no dia 9 de abril deste ano a Igreja deu início à Semana Santa, com a celebração do Domingo de Ramos, as comemorações pelo aniversário de monsenhor Neiva foram transferidas para o próximo domingo, dia 23 de abril, mesmo dia em que será celebrada a Festa da Misericórdia. Na ocasião, o Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, presidirá a Missa em ação de graças pelo centenário de nascimento de monsenhor Neiva, às 10h, na matriz da paróquia Nossa Senhora do Bom Sucesso, em Cruz das Almas.

Em preparação ao dia 23, a comunidade participa de um tríduo – de 20 a 22 de abril – também na matriz da paróquia Nossa Senhora do Bom Sucesso, sempre às 19h30. Cada noite será presidida por um bispo auxiliar: Dom Estevam dos Santos Silva Filho (1ª noite), Dom Gilson Andrade da Silva (2ª noite) e Dom Hélio Pereira dos Santos (3ª noite).

Veja a mensagem do atual pároco da paróquia Nossa Senhora do Bom Sucesso, padre Joelson Alves de Almeida:

Dados biográficos

  • Nasceu em Dom Macedo Costa no dia 9 de abril de 1917;
  • Batizado em 25 de abril de 1917;
  • Ordenado sacerdote em 21 de março de 1942;
  • Professor do Seminário Menor da Bahia, de 1942 a 1943;
  • Vigário de Baixa Grande e Macajuba, de 1944 a 1947;
  • Pároco de Itaberaba, de 1948 a 1965;
  • Diretor Geral do Ginásio de Itaberaba, de 1957 a 1963;
  • Nomeado Cônego Honorário da Catedral de Ruy Barbosa em 2 de fevereiro de 1964;
  • Nomeado pároco de Cruz das Almas em 6 de março de 1966;
  • Nomeado Cônego da Catedral Metropolitana e Primacial de Salvador em 5 de abril de 1971;
  • Nomeado Monsenhor pelo Santo Padre em 21 de junho de 1973;
  • Membro do Conselho Presbiteral de Salvador;
  • Vigário Episcopal, nomeado pelo Arcebispo de Salvador Cardeal Dom Lucas Moreira Neves em 29 de junho de 1989.

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