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Dom Murilo esclarece preocupação da Santa Sé quanto à produção do pão e do vinho para a Sagrada Comunhão

A Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos enviou aos bispos diocesanos uma carta-circular sobre o pão e o vinho da Eucaristia, bem como sobre seu processo de produção, circulação e consumo. O documento, enviado a pedido do Papa Francisco, assinado pelo cardeal prefeito Robert Sarah e pelo Arcebispo secretário Artur Roche, apresenta indicações de cuidados que devem ser tomados quanto à fabricação do pão e do vinho para a Missa.

Sobre este assunto, o Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, que também é vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), concedeu entrevista à BBC Brasil. Confira!

BBC Brasil – A CNBB já tomou conhecimento da Carta-circular aos Bispos, da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, “sobre o pão e o vinho para Eucaristia”, com data de 15 de junho de 2017?

Dom Murilo: Sim. Foi a CNBB que recebeu esta Carta-circular e a repassou aos Bispos Diocesanos. Como não houve nenhuma reunião da CNBB depois do recebimento dessa correspondência, o assunto ainda não foi estudado coletivamente – o que deverá acontecer em breve. Mas, duas observações são necessárias. A primeira diz respeito aos destinatários desta Carta-circular: ela é dirigida, “por determinação do Santo Padre Francisco”, aos Bispos diocesanos. Cabe a nós, Bispos, “vigiar para que a qualidade do pão e do vinho destinados à Eucaristia” sejam adequados – isto é, a fim de que a celebração eucarística seja válida. Para essa vigilância, será importante o papel da CNBB, já que nem todo Bispo tem condições de cuidar dessa questão.

BBC Brasil – Quem faz o trabalho de certificação de produção de hóstias no Brasil? Esta informação é publicável?

Dom Murilo: Não havia, até agora, um acompanhamento maior sobre a qualidade das hóstias usadas no Brasil porque, na maioria dos casos, elas eram feitas por comunidades religiosas femininas, que conheciam as exigências da Igreja a respeito da qualidade do pão eucarístico para a validade do sacramento da Eucaristia. De uns tempos para cá é que indústrias leigas passaram a fabricar e a vender hóstias. É justamente sobre esse ponto que, agora, precisamos ter maior cuidado. A Santa Sé sugere, inclusive, que os Bispos onde estão tais fábricas, além de orientá-las sobre as normas e exigências da Igreja, deem um certificado de garantia, para tranquilizarem, assim, as comunidades que adquirirem tais hóstias.

BBC Brasil – Quem dá a autorização de produção do vinho no Brasil?

Dom Murilo: Durante muitas décadas, essa responsabilidade era do Bispo de Caxias, no Rio Grande do Sul, onde estavam a maioria das vinícolas que fabricavam o chamado “vinho canônico”. Depois, muitos outros produtores passaram a oferecer vinho para as celebrações das comunidades. Tudo indica que a CNBB pedirá aos Bispos Diocesanos dos locais onde se produz vinho que vigiem sobre a qualidade do vinho a ser usado na Missa. Ele deve ser “natural, do fruto da videira, puro e dentro da validade, sem mistura de substâncias estranhas”. A razão desse cuidado é a seguinte: assim como é necessário, para a validade do sacramento, que o pão seja de trigo, também é necessário que o vinho seja fruto da videira.

BBC Brasil – No Brasil, onde é adquirido o vinho e o pão para a Eucaristia? Eles ainda são produzidos por comunidades religiosas ou também podem ser comprados de produtores externos?

Dom Murilo: Praticamente todas as Dioceses têm em sua sede um local onde podem ser adquiridos o vinho canônico e as hóstias, que também podem ser encontrados em livrarias e lojas católicas. Não é muito difundida, no Brasil, a venda desses produtos em outros locais.

BBC Brasil – Como a CNBB vai proceder após esta orientação?

Dom Murilo: Lembro que a responsabilidade primeira sobre a qualidade do pão e do vinho, para serem matéria válida para a realização do Sacramento eucarístico, é do Bispo local, isto é, daquela Diocese onde eles são feitos. Naturalmente, uma vez concedidos certificados de garantia por algum Bispo, a CNBB vai imediatamente difundi-los entre as Dioceses, para dar segurança a todas as comunidades.

BBC Brasil – O que dizer  a respeito da comunhão dos celíacos, já que estão impedidos de ingerir glúten? E a respeito do vinho, já há sacerdotes que não podem ingerir nenhuma bebida alcoólica?

Dom Murilo: A Igreja permite que sejam feitas hóstias com pouco glúten; o que não se pode é eliminá-lo totalmente (matéria válida para o sacramento é o pão de trigo). Para  um celíaco a quem mesmo esse pouco de glúten fosse prejudicial, pode-se permitir a comunhão sob a espécie do vinho, ou mesmo do mosto (sumo de uva não fermentado, mediante métodos que não lhe alterem a natureza). Quanto aos sacerdotes (ou, se for o caso, aos leigos) que não podem ingerir nenhuma quantidade de álcool, vale o mesmo: o Bispo diocesano poderá lhe conceder a devida licença para que use como matéria da Missa o mosto.

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