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Nossa Senhora Aparecida: 300 anos do encontro da Imagem

Homilia na Paróquia N.Sra. Aparecida, de Imbuí, elevada a Santuário

Salvador, 12.10.17

Dom Murilo S.R. Krieger, scj

Arcebispo de São Salvador da Bahia – Primaz do Brasil

 

O Santuário de Nossa Senhora Aparecida, no interior do Estado de São Paulo, tem uma área de 72 mil metros quadrados. O Brasil tem 8.516.000 km². No dia de hoje, essa é a dimensão do Santuário de Aparecida, pois todo o Brasil é um grande santuário mariano. A cidade de Salvador e o Estado da Bahia são parte deste imenso Santuário. Nos céus de nosso país está “uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas”. O manto azul de Nossa Senhora da Conceição Aparecida nos cobre e nos envolve.

Trezentos anos atrás, uma pequena imagem foi encontrada nas águas do Rio Paraíba. Uma pequena imagem de barro, encontrada por humildes pescadores, numa pescaria que parecia infrutífera. Quando se fala de Maria, a Mãe de Jesus, tudo é simples, tudo parece pequeno. Bem que ela proclamou no Magnificat, ao visitar sua parenta Isabel: “O Senhor olhou para a pequenez de sua serva”. “Pequenez” a seus próprios olhos. Na verdade, Maria era cheia da graça de Deus e não sabia; não tinha conhecimento do que o Senhor nela fizera. Era imaculada e bela aos olhos de Deus.

Na pequena imagem de Aparecida, Deus mostrou a grandiosidade de seu amor por nós, brasileiros e brasileiras. Vendo esse povo tão carinhoso, trabalhador e generoso, o Pai do céu quis que Maria, que tão bem havia exercido o papel de Mãe de Seu Filho, fosse Mãe também desta terra. Seria a nova Ester, a pedir pela vida de seu povo. Sua missão seria simbolizada por uma imagem que uniria o povo em torno dela. Aquela imagem que recebeu o nome de “Aparecida” foi colocada por um dos pescadores – Felipe Pedroso – no lugar mais digno que ele tinha: sua casa. Ali começaram orações e novenas à Senhora Aparecida. Ali, segundo penso, começou o Terço dos Homens, que hoje se estende por todo o Brasil.

Ao longo dos últimos 300 anos, ao lado de milagres que se multiplicaram em Aparecida, cresceu o número de peregrinos. Há os que vão a Aparecida para pedir; há os que ali vão para agradecer; e há os que simplesmente se dirigem àquele santuário para louvar a Deus, cantar suas maravilhas e homenagear a Mãe de seu Filho. Mas, por que tantas homenagens a Maria? Por que tantas manifestações de carinho para com a Mãe de Jesus? Qual a razão, por exemplo, do Ano Santo, que terminou ontem, e que foi instituído em preparação às celebrações do dia de hoje? Respondo a essas perguntas com uma afirmação: isso acontece porque há um desejo profundo no coração de todos: queremos ser alunos na Escola de Maria. Essa Escola foi aberta em Nazaré, teve Jesus como primeiro aluno, e hoje é uma grande Escola, pois tem o tamanho do mundo inteiro. Nela entra cada pessoa que deseja ser formada por Maria. E qual sua linha de trabalho? Quais as principais lições que a Mãe Aparecida nela nos dá? Penso que podemos resumir o programa da Escola de Maria em cinco lições:

1ª lição: Fazer memória de Cristo com Maria. Fazer memória não é somente lembrar-se do passado, mas ter consciência de que as obras que Deus continuam sendo realizadas hoje. Essa atualização acontece, sobretudo, na Liturgia, mas se verifica também, por exemplo, quando rezamos o Rosário. Nessa oração, Maria nos toma pelas mãos e nos conduz pelos diversos momentos da redenção operada por Cristo.

2ª lição: Conhecer Cristo por Maria. Jesus é o nosso verdadeiro Mestre. Não se trata somente de aprender intelectualmente tudo aquilo que ele nos ensinou, mas de conhecê-lo em profundidade, de entrar em sua intimidade. Ora, entre todos os seres humanos, quem melhor conhece a intimidade de Jesus? Quem conhece os sentimentos de Jesus mais do que Maria? Foram trinta anos de convivência intensa e diária numa mesma casa. Em sua Escola, a Mãe de Jesus vai nos ensinar a ler o Evangelho, a penetrar nos segredos do Mestre, a aprender os ensinamentos do Mestre a respeito da verdade e da vida, a amar o Pai, a dedicar-se aos irmãos. Ela mesma aprendeu tudo isso com Jesus.

3ª lição: Conformar-se a Cristo com Maria. Conformar-se é tomar a forma de alguém, é adquirir a forma de Cristo. O apóstolo Paulo pôde, um dia, testemunhar: “Eu vivo, mas não sou eu que vivo; é Cristo que vive em mim”. Ele havia tomado a forma de Cristo, havia se conformado a ele. Trata-se, pois, de uma experiência vital, de entrelaçar nossa vida com a dele, para ter seus sentimentos. Maria foi a criatura que mais tomou a forma de Jesus. Tendo Jesus partido para o Pai, era de Maria que os apóstolos se aproximavam quando sentiam saudades do Mestre. O rosto da Maria, seu olhar e sua delicadeza deviam lhes lembrar os traços de Jesus – ele que os convidara para serem apóstolos e com o qual conviveram por três anos. Sabiam que foi o Pai do céu o primeiro a confiar naquela mulher, deixando seu Filho Jesus a seus cuidados. Hoje, somos nós que confiamos em Maria, consagrando-nos a Cristo por suas mãos.

4ª lição: Interceder a Cristo com Maria. A conformação a Cristo supõe uma incessante vida de oração. Quanto mais rezamos, mais e melhor percebemos a vontade de Deus. Disso Maria entende. Em Caná, ao apresentar a necessidade dos noivos para Jesus – “Eles não têm mais vinho” – e ao pedir aos funcionários que fizessem tudo o que Jesus lhes mandasse (“Fazei o que ele vos disser!”), Maria nos ensinou a suplicar, a apresentar nossas necessidades a Jesus e, sobretudo, a ter a coragem de sermos ousados em nossos pedidos.

5ª lição: Anunciar Cristo com Maria. Nas diversas assembleias do episcopado latino-americano, os bispos reconheceram que, ao longo de nossa história, Maria foi a maior anunciadora de Jesus, a mais importante evangelizadora. É que em sua vida houve uma maravilhosa harmonia entre fé e vida, entre contemplação e ação, entre o crescimento espiritual e a maturidade humana, entre a santificação pessoal e a dedicação apostólica. Por isso, em nosso trabalho missionário, é importante termos a companhia de Maria, estrela luminosa em nosso caminho em direção de Jesus.

Tendo lhes falado de cinco lições da Escola de Maria, lembro-lhes que nessa Escola há vagas para todos. As inscrições de novos alunos pode ser feita em qualquer dia e em qualquer hora – neste dia memorável, por exemplo. Para isso, basta acolhê-la como Mãe e Mestra.

Na noite de hoje, estou criando o Santuário de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, aqui em Imbuí. Nele ficará esta imagem peregrina. Este Santuário deverá ser, cada vez mais, um local de atração e de irradiação. A mesma Mãe que vai atrair multidões de seus filhos para esta sua casa, para esta sua Escola, vai enviá-los em missão para aqueles lugares e situações onde vivem e, particularmente, onde seu Filho não é conhecido e, por isso, não é amado.

Falar desta imagem é voltar nosso olhar para o dia 10 de setembro do ano passado, um sábado, quando nossa Arquidiocese foi buscá-la no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. Quem não se lembra da chegada desta imagem em Salvador? A partir daquele dia, Maria se tornou peregrina em nossa Arquidiocese. Como não recordarmos, aqui, aquela tarde memorável do dia 11 de setembro, na Arena Fonte Nova? Representantes de todas as Paróquias aclamaram com alegria a Senhora Aparecida! Foi uma festa inesquecível! Depois disso, sua imagem peregrinou por todas as comunidades desta Arquidiocese Primaz. Era a resposta da Senhora Aparecida ao desejo que muitos tinham de ir como peregrino ao Santuário de Aparecida, no interior do Estado de São Paulo, por ocasião das celebrações dos 300 anos do encontro de sua imagem no Rio Paraíba. Já que muitos não poderiam ir até lá, ela mesma tornou-se peregrina e veio nos visitar. Penso que com a peregrinação desta imagem pelas onze foranias da Arquidiocese escreveu-se uma das mais belas páginas da história de nossa Igreja Particular. Para essa imagem, que nos recorda a Mãe de Jesus, se voltaram inúmeros olhares suplicantes. Quantos pedidos lhe foram feitos? Quanta dor foi colocada em seu coração materno? Quantos agradecimentos Maria escutou?

Nesta noite, fazemos à Senhora Aparecida o pedido que os discípulos de Emaús fizeram a Jesus:

Fica conosco! Fica conosco, Mãe! Sabemos que onde vais, levas o teu Filho Jesus. Assim foi em tua visita a Isabel, assim foi quando foste ao Templo de Jerusalém e o apresentaste a Simeão e Ana, assim foi quando foste para o Egito, como refugiada. Fica conosco, Mãe! É tarde! Lembra-te sempre que Jesus nos deu a ti como filhos e filhas. Nós, de nossa parte, nunca queremos nos esquecer que Jesus te deu a nós como Mãe. Ele sabia o quanto temos necessidade de uma Mãe e Mestra ao nosso lado. Dá-nos o teu Jesus, ó Mãe! Ensina-nos a amá-lo, a escutá-lo e a servi-lo. E quando encontrares alguém que não sabe te amar ou que não te aceita como Mãe, faz aquilo que sabes fazer tão bem, porque fazias isso quando Jesus era pequeno – isto é, envolve tal filho ou tal filha em teu manto de amor, envolve-o em teus braços maternos. Em qualquer situação, mostra-nos que és Mãe – Mãe de Jesus, nossa Mãe! Vá para cada uma de nossas casas, para ali continuares tua missão materna. Fica conosco, ó Mãe Aparecida, hoje e sempre! Amém!

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