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Saudade

Por Aline Rodrigues

Existe um discurso entre nós, brasileiros, que saudade é uma palavra que só existe no português. Será verdade? Sinto muito em dizer que não! A palavra não é exclusividade nossa. Pois sua origem vem do latim e outras línguas também usam esta palavra a partir do latim.

No entanto, há uma diferença de significado no que se refere a amplitude desta palavra. Para os brasileiros, esta palavra vai além, em comparação às demais línguas.

Se procurarmos no dicionário “saudade”, veremos que se trata de um sentimento melancólico devido ao afastamento de uma pessoa, uma coisa ou um lugar, ou à ausência de experiências prazerosas já vividas. Veja, todas as definições traduzem um sentimento de ausência de alguma coisa, pessoa, lugar ou situação ocorrida no passado.

A saudade é um sentimento fruto de lembranças de situações que vivenciamos. Por exemplo, as lembranças boas da infância, das brincadeiras com os amigos, do tempo e das pessoas que conviveram conosco.

Fica claro que saudade vem depois da evocação de uma memória. No entanto, saudade não é um sentimento que surge de lembranças ruins. Ou você já ouviu alguém dizer que tem saudade do dia que bateu o carro, que foi assaltado, do dia que uma pessoa especial morreu? Por isso, associar saudade à tristeza ou melancolia não é correto. Pois os sentimentos de tristeza e melancolia são frutos de pensamentos e memórias “ruins”. De experiências que não foram boas e, por isso, geraram sofrimento. O que não é o caso da saudade!

Compreendemos então que a saudade é a lembrança passada, mas com um forte sentimento de ausência. De fato, quando alguém diz que está com saudade de alguém e a saudade chega a doer, dói mesmo! Porque nós temos grande dificuldade de lidar com a ausência. Uns mais, outros menos.

O sentir a ausência pode, muitas vezes, convidar a pessoa a ficar presa “nesse lugar”, parada naquele tempo, alimentando esse “buraco”. Isto tudo pode gerar outros sentimentos como nostalgia, melancolia, tristeza e, posteriormente, até um transtorno psicológico. Mas tudo isto vem depois da saudade vivida de forma distorcida.

Antigamente, as pessoas mais velhas diziam assim: “a Maria morreu de saudade! Depois que o esposo faleceu, ela não foi mais a mesma, se entregou”. Saudade não mata ninguém. O que mata é a forma que nós lidamos com nossos sentimentos.

A saudade é um sentimento bom, nobre! Trata de uma emoção que nos remete a coisas boas, a bons tempos e nos lembra que existem pessoas que marcaram nossa vida de forma positiva e, por isso, são importantes para nós!

Porém, se não soubermos lidar com o que vem depois dessa emoção, podemos ser pegos de surpresa por outros pensamentos e sentimentos que não irão favorecer a uma vivência psíquica saudável.

A saudade é uma emoção que vem de uma visita ao passado, mas não podemos permanecer no passado, pois o presente nos espera. Sentir saudade é bom, muito bom! Permanecer nela não. Viva, exista, construa relações, produza memórias. Tenha saudades!

*Aline Rodrigues é psicóloga, especialista em saúde mental, e missionária da Comunidade Canção Nova. Atua com Terapia Cognitiva Comportamental; no campo acadêmico, clínico e empresarial.

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