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32ª edição da Caminhada Penitencial reuniu mais de 200 mil pessoas em Salvador

Jovens caminharam 8Km descalços, relembrando os passos de Jesus

Jovens caminharam 8Km descalços, relembrando os passos de Jesus

Pelo 5º ano consecutivo Ubaldino Bispo Bonfim, da quase paróquia Espírito Santo, acordou cedinho e seguiu rumo à Basílica Nossa Senhora da Conceição da Praia, localizada no bairro do Comércio. Com ele estavam outros jovens da mesma paróquia e de outras paróquias da Forania 7 e uma cruz que eles carregam todos os anos. E quem disse que Ubaldino e seus amigos precisam de sapatos ou de chinelos? O percurso de 8Km foi todo feito descalço.  “Resolvemos fazer de maneira mais piedosa, para nos assemelharmos ao sofrimento de Cristo, mesmo que seja de uma pequena maneira. E o gesto que a gente viu foi de repente fazer a caminhada descalços, carregando essa cruz”, contou.

Assim como ele, milhares de fiéis participaram na manhã deste domingo (19) da Caminhada Penitencial, organizada pela Arquidiocese de Salvador. Às 6h30 foram celebradas três Missas simultâneas: na matriz da paróquia Nossa Senhora das Dores – onde a Caminhada foi realizada pela primeira vez há 32 anos -, presidida pelo Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger; em frente à Basílica Nossa Senhora da Conceição da Praia, celebrada pelo bispo auxiliar, Dom Estevam dos Santos Silva Filho; e na matriz da paróquia Nossa Senhora dos Mares, sob a presidência do bispo auxiliar, Dom Marco Eugênio Galrão Leite de Almeida.

Logo após as Celebrações Eucarísticas, quem estava na Conceição da Praia e no Lobato seguiu em caminhada até o Largo dos Mares, onde inúmeros fiéis já aguardavam. Seis trios animaram os trajetos. “É uma graça de Deus. A cada ano aumenta a participação do povo, mostrando que todo mundo quer se unir a Cristo na caminhada Dele em direção ao Pai. Nós, então, somos um povo que caminha, mas sabemos, temos uma direção: o Senhor do Bonfim, que com braços abertos nos conduz ao Pai. Ele é vitorioso, Ele ressuscitou”, afirmou Dom Murilo.

Dom Murilo também segurou a cruz

Dom Murilo também segurou a cruz

Como em anos anteriores, duas cruzes (cada uma com seis metros de comprimento e três metros de largura foram carregadas pelos fiéis. A imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida também acompanhou todo o percurso.

Entre os fiéis, cadeirantes e pessoas com muletas. Este é o caso de Raimundo Alcântara dos Santos, de 79 anos. Membro da Irmandade de Nossa Senhora da Conceição da Praia, ele afirma que todos os anos participa da Caminhada Penitencial do começo ao fim. “A gente pede ao Senhor do Bonfim e Ele ajuda chegar até a Colina Sagrada”, disse.

“Esta é a primeira vez que eu participo. Eu venho com muito amor, pedindo a misericórdia de Deus, a remissão dos meus pecados e a intercessão de Nossa Senhora da Conceição da Praia, que tem protegido a mim e a minha família”, afirmou Maria Auxiliadora de Souza Pinheiro, moradora de Quixadá, no Ceará. Ela, que está em Salvador para visitar o filho, aproveitou para participar deste grande momento de penitência. “Estou muito feliz, muito grata a Deus e peço que bênçãos e graças sejam dadas a todos que estão participando aqui nessa multidão imensa, aqui louvando e agradecendo a Deus pelas misericórdias”, completou.

Gestos concretos, gestos de amor

Ao passar diante das Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), Dom Murilo parou para abençoar e rezar com pacientes e profissionais da área de saúde que atuam no local. Um gesto emocionante repetido a cada ano. “Vocês não puderam participar da Caminhada Penitencial, mas de coração eu vou abençoá-los”, disse Dom Murilo e, logo após, abençoou os que estavam próximos ao gradil do hospital, mas também aqueles que não tiveram condições físicas e por isso não estavam ali. Assista ao vídeo:

Para manter a cidade limpa, a Pastoral Universitária (PU) reuniu jovens para realizar, por mais um ano, um gesto ecológico: Eles recolheram toneladas de garrafas pet e de copos plásticos ao longo do caminho. “Eu já bebi água três vezes hoje e todas as vezes eu procurei um agente da PU para fazer o descarte, pois eu sei que eles estão com esse gesto bonito”, contou Maria Benedita dos Santos. Todo o material  arrecadado –  mais de 20 mil garrafinhas e copos – foi entregue na Comunidade da Trindade, que trabalha com pessoas em situação de rua.

Alimentos não perecíveis foram arrecadados para doação

Alimentos não perecíveis foram arrecadados para doação

Outro gesto de amor foi realizado na manhã de hoje. Caminhões do Exército foram colocados em pontos estratégicos para receber os alimentos doados pelos fiéis. “Eu e minha irmã trouxemos dois quilos de alimentos não perecíveis. É para ajudar pessoas que precisam, tanto das Obras Sociais Irmã Dulce (OSID) quanto do Hospital Martagão Gesteira”, disse Ana Paula Brito.

Mansão da Misericórdia

Ao som do hino do Senhor do Bonfim, os fiéis subiram a Colina Sagrada, por volta das 10h. Apesar do sol forte, era possível ver pessoas entusiasmadas e que alegres chegavam à Mansão da Misericórdia.

Em frente à Basílica, Dom Murilo acolheu os fiéis ao lado de Dom Estevam e do reitor do Santuário do Senhor do Bonfim, padre Edson Menezes. A emoção, mais uma vez, tomou conta dos que ali estavam presentes quando a berlinda que levava a imagem de Nossa Senhora Aparecida chegou. Logo após uma oração de acolhida à Mãe de Jesus, a imagem foi carregada por Dom Estevam que a levou até Dom Murilo.

Na ocasião, Dom Murilo falou sobre a conversão do seu pai, que era luterano. A mãe de Dom Murilo era católica e rezou pelo marido, que passou por uma transformação e aceitou a fé católica. “Ele passou a ser um filho muito querido de Nossa Senhora Aparecida. Quando ele morreu, eu já tinha 51 anos, já era bispo, mas sempre que eu me despedia dele, ele fazia uma cruz na minha testa, como se eu fosse um filhinho pequenininho, e me dizia ‘Jesus te acompanhe e Nossa Senhora Aparecida te abençoe’”, contou.

 

Anunciamos Jesus: Dando aos necessitados

Programa: Anunciamos Jesus
Apresentação: Dom Murilo Krieger, scj
Tema: Amar os inimigos

Programa produzido pela Rede Século 21

Dom Murilo explica que a Quaresma é um grande retiro que envolve toda comunidade Cristã, que é convidada a parar e olhar a sua vida como luz dos ensinamentos do senhor.

Quarta-feira de Cinzas dá início à Quaresma

Quarta-feira de CinzasHoje, dia 1º de março, a Igreja celebra a Quarta-feira de Cinzas. Neste dia os fiéis são convidados a iniciar o período Quaresmal, tempo de conversão. Para marcar a data, haverá Missas em todas as paróquias da Arquidiocese de Salvador. Procure a sua comunidade para confirmar os horários das celebrações.

Na igreja São Pedro dos Clérigos (Terreiro de Jesus), o Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, scj, preside a Missa das Cinzas às 18h. É nesta Celebração Eucarística que os fiéis recebem uma cruz na testa – com as cinzas – para recordar a passageira e frágil vida humana.

Para ajudar a entender o significado da Quarta-feira de Cinzas, nós preparamos um material especial. Confira!

Por que a Quaresma começa na Quarta-feira de Cinzas? A Quaresma começa na Quarta-feira de Cinzas, mas não é ela que marca o tempo da Quaresma. Quem vai marcar o Tempo Quaresmal é a Festa da Páscoa, o tríduo pascal. Podemos notar que na Sexta-feira da Paixão estaremos na lua cheia. Essa lua cheia marca a Páscoa. A partir daí se conta 40 dia para trás, até chegar a Quarta-feira de Cinzas, e 40 dias para frente até chegar a Solenidade de Pentecostes. Mas não é a Quarta-feira de Cinzas que marca a Quaresma, mas sim a Páscoa que marca, por ela mesma, toda a festividade do ciclo pascal.

Qual o significado e de onde vêm as cinzas? O próprio Senhor nos diz que nós somos pó e haveremos de voltar ao pó. Colocar as cinzas na cabeça na Quarta-feira de Cinza nada mais é do que voltar a essas lembranças de que nós não somos nada. Nós é que precisamos de Deus, e colocando as cinzas na nossa cabeça é um convite que nos é efeito de quão transitória e rápida é a nossa vida; e ao mesmo tempo em que ela é tão rápida e tão transitória, e que nós nada somos a não ser pó. Nós somos chamados a algo de muito maior: somos chamados a experiência de Deus e a vida dele.

Como se deve viver a Quarta-feira de Cinzas? A Quarta-feira de Cinzas abre esse período quaresmal, um período em que somos chamados a viver de maneira muito mais intensa a nossa vida cristã, preparando a Festa da Páscoa. Neste dia a Igreja convida a, primeiramente, fazer jejum e abstinência, isto é: penitência. Eu sou chamado a dominar em mim mesmo tudo aquilo que é o meu ideal de comer, de beber, dominar tudo aquilo que para mim é busca de prazer, para ter o domínio de mim mesmo e não me deixar cair nas tentações e no pecado. Por outro lado, nós devemos participar da Santa Eucaristia para podermos, alimentados de Deus, abrir o nosso coração mais para Ele. A prática da oração nesse tempo de Quaresma é algo que deve ser fundamental para que nós busquemos de maneira mais intensa o Senhor. A terceira prática que nós tempos que saber é a da caridade para servir, com todas as nossas possibilidades, todos aqueles que precisam de nós. Práticas da Quaresma: jejum, para que aprendamos a dominar todas as nossas paixões; a esmola, para que aprendamos a nos abrir aos irmãos; e a oração, para que aprendamos de maneira primordial a nos abrir a Deus, que faz com que a gente viva esse dia de Quarta-feira de Cinzas, que vai ser um sinal e que vai ser uma abertura de uma vivência prolongada dos 40 dias até a Páscoa do Senhor.

Porque a Igreja pede para se abster de carne? Não se come carne na Quarta-feira de Cinzas por ser um dia de penitência. Como a carne sempre foi um alimento caro, principalmente na Europa, a Igreja começou a “cortar” a carne, a deixar de comer aquilo que dá prazer, o alimento que é mais caro e sofisticado, para poder não só estar fazendo a penitência e renunciando ao alimento, mas usando o dinheiro que seria gasto com aquela carne para socorrer Aos necessitados. Deixando de comer aquilo que nos daria mais prazer, poderemos colocar a nossa vontade submissa ao Projeto de Deus para termos o autodomínio de nós mesmos, mas também para termos de maneira legítima aquilo com o que socorrer os nossos irmãos, os pobres.

O que é o jejum? O jejum é a abstinência total ou parcial de comida, exceto de água.

Por que a Igreja pede para jejuar? Com o desejo de se fazer penitência pelos pecados, bem como estar unidos aos sofrimentos de Jesus, a Igreja pede que os fiéis ofereçam, neste Tempo Quaresmal, jejum e abstinência a Deus.

Praticado pelo próprio Jesus Cristo, durante os 40 dias que esteve no deserto, pelos santos e pelo povo desde a Antiguidade, o jejum é um sinal de arrependimento recomendado pela Igreja como instrumento de santificação da alma, de controle do corpo e equilíbrio emocional.

Como podemos definir penitência? A Quaresma é um tempo favorável para abandonar o pecado e voltar para Deus. E é para este retorno a Deus que se faz penitência. O objetivo da penitência não é fazer sofrer, mas ser um meio de purificação da alma. A penitência é realizada para dar forças espirituais na luta contra o pecado.

Quais são as formas de penitência orientadas pela Igreja? A Igreja ensina e estimula o católico a praticar o jejum, a oração e a esmola. Essas três formas de penitência são um remédio para o combate das doenças espirituais, sendo que o jejum auxilia no combate à gula, a oração no combate ao orgulho e à soberba, e a esmola no combate à avareza. São exercícios que, se feitos com seriedade, têm a capacidade de arrancar o cristão católico das garras do relativismo que domina o mundo atualmente.

Papa presidirá celebração da Quarta-feira de Cinzas no Aventino

Quarta-feira de Cinzas3O Papa Francisco irá ao Aventino em 1º de março,  para a tradicional celebração da Quarta-feira de Cinzas, informou nesta segunda-feira (20) a Sala de Imprensa da Santa Sé.

A Liturgia própria para a ocasião terá início às 16h30min na Igreja de Santo Anselmo, seguida pela procissão até a Basílica de Santa Sabina na presença do Papa, cardeais, arcebispos, bispos, monges beneditinos de Santo Anselmo, os Padres dominicanos de Santa Sabina e alguns fieis.
Ao final da procissão, na Basílica de Santa Sabina, terá lugar a celebração da Santa Missa com o rito da bênção e da imposição das cinzas. Também o Papa receberá as cinzas, como um simples fiel.

Em 2016, no âmbito do Jubileu da Misericórdia, Francisco presidiu a celebração de início da Quaresma na Basílica de São Pedro, durante a qual enviou os missionários da misericórdia com a missão de pregar e confessar.

Fonte: Rádio Vaticano

Confira a mensagem do Papa Francisco para a Quaresma

Quaresma“A Palavra é um dom. O outro é um dom”. Este é o título da mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2017, publicada hoje (7). Leia a seguir o texto na íntegra.

Amados irmãos e irmãs!

A Quaresma é um novo começo, uma estrada que leva a um destino seguro: a Páscoa de Ressurreição, a vitória de Cristo sobre a morte. E este tempo não cessa de nos dirigir um forte convite à conversão: o cristão é chamado a voltar para Deus «de todo o coração» (Jl 2, 12), não se contentando com uma vida medíocre, mas crescendo na amizade do Senhor. Jesus é o amigo fiel que nunca nos abandona, pois, mesmo quando pecamos, espera pacientemente pelo nosso regresso a Ele e, com esta espera, manifesta a sua vontade de perdão (cf. Homilia na Santa Missa, 8 de janeiro de 2016).

A Quaresma é o momento favorável para intensificarmos a vida espiritual através dos meios santos que a Igreja nos propõe: o jejum, a oração e a esmola. Na base de tudo isto, porém, está a Palavra de Deus, que somos convidados a ouvir e meditar com maior assiduidade neste tempo. Aqui queria deter-me, em particular, na parábola do homem rico e do pobre Lázaro (cf. Lc 16, 19-31). Deixemo-nos inspirar por esta página tão significativa, que nos dá a chave para compreender como temos de agir para alcançarmos a verdadeira felicidade e a vida eterna, incitando-nos a uma sincera conversão.

1.         O outro é um dom

A parábola inicia com a apresentação dos dois personagens principais, mas quem aparece descrito de forma mais detalhada é o pobre: encontra-se numa condição desesperada e sem forças para se solevar, jaz à porta do rico na esperança de comer as migalhas que caem da mesa dele, tem o corpo coberto de chagas, que os cães vêm lamber (cf. vv. 20-21). Enfim, o quadro é sombrio, com o homem degradado e humilhado.

A cena revela-se ainda mais dramática, quando se considera que o pobre se chama Lázaro, um nome muito promissor pois significa, literalmente, «Deus ajuda». Não se trata duma pessoa anónima; antes, tem traços muito concretos e aparece como um indivíduo a quem podemos atribuir uma história pessoal. Enquanto Lázaro é como que invisível para o rico, a nossos olhos aparece como um ser conhecido e quase de família, torna-se um rosto; e, como tal, é um dom, uma riqueza inestimável, um ser querido, amado, recordado por Deus, apesar da sua condição concreta ser a duma escória humana (cf. Homilia na Santa Missa, 8 de janeiro de 2016).

Lázaro ensina-nos que o outro é um dom. A justa relação com as pessoas consiste em reconhecer, com gratidão, o seu valor. O próprio pobre à porta do rico não é um empecilho fastidioso, mas um apelo a converter-se e mudar de vida. O primeiro convite que nos faz esta parábola é o de abrir a porta do nosso coração ao outro, porque cada pessoa é um dom, seja ela o nosso vizinho ou o pobre desconhecido. A Quaresma é um tempo propício para abrir a porta a cada necessitado e nele reconhecer o rosto de Cristo. Cada um de nós encontra-o no próprio caminho. Cada vida que se cruza connosco é um dom e merece aceitação, respeito, amor. A Palavra de Deus ajuda-nos a abrir os olhos para acolher a vida e amá-la, sobretudo quando é frágil. Mas, para se poder fazer isto, é necessário tomar a sério também aquilo que o Evangelho nos revela a propósito do homem rico.

2.         O pecado cega-nos

A parábola põe em evidência, sem piedade, as contradições em que vive o rico (cf. v. 19). Este personagem, ao contrário do pobre Lázaro, não tem um nome, é qualificado apenas como «rico». A sua opulência manifesta-se nas roupas, de um luxo exagerado, que usa. De facto, a púrpura era muito apreciada, mais do que a prata e o ouro, e por isso se reservava para os deuses (cf. Jr 10, 9) e os reis (cf. Jz 8, 26). O linho fino era um linho especial que ajudava a conferir à posição da pessoa um caráter quase sagrado. Assim, a riqueza deste homem é excessiva, inclusive porque exibida habitualmente: «Fazia todos os dias esplêndidos banquetes» (v. 19). Entrevê-se nele, dramaticamente, a corrupção do pecado, que se realiza em três momentos sucessivos: o amor ao dinheiro, a vaidade e a soberba (cf. Homilia na Santa Missa, 20 de setembro de 2013).

O apóstolo Paulo diz que «a raiz de todos os males é a ganância do dinheiro» (1 Tm 6, 10). Esta é o motivo principal da corrupção e uma fonte de invejas, contendas e suspeitas. O dinheiro pode chegar a dominar-nos até ao ponto de se tornar um ídolo tirânico (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 55). Em vez de instrumento ao nosso dispor para fazer o bem e exercer a solidariedade com os outros, o dinheiro pode-nos subjugar, a nós e ao mundo inteiro, numa lógica egoísta que não deixa espaço ao amor e dificulta a paz.

Depois, a parábola mostra-nos que a ganância do rico fá-lo vaidoso. A sua personalidade vive de aparências, fazendo ver aos outros aquilo que se pode permitir. Mas a aparência serve de máscara para o seu vazio interior. A sua vida está prisioneira da exterioridade, da dimensão mais superficial e efémera da existência (cf. ibid., 62).

O degrau mais baixo desta deterioração moral é a soberba. O homem veste-se como se fosse um rei, simula a posição dum deus, esquecendo-se que é um simples mortal. Para o homem corrompido pelo amor das riquezas, nada mais existe além do próprio eu e, por isso, as pessoas que o rodeiam não caiem sob a alçada do seu olhar. Assim o fruto do apego ao dinheiro é uma espécie de cegueira: o rico não vê o pobre esfomeado, chagado e prostrado na sua humilhação.

Olhando para esta figura, compreende-se por que motivo o Evangelho é tão claro ao condenar o amor ao dinheiro: «Ninguém pode servir a dois senhores: ou não gostará de um deles e estimará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro» (Mt 6, 24).

3.         A Palavra é um dom

O Evangelho do homem rico e do pobre Lázaro ajuda a prepararmo-nos bem para a Páscoa que se aproxima. A liturgia de Quarta-Feira de Cinzas convida-nos a viver uma experiência semelhante à que faz de forma tão dramática o rico. Quando impõe as cinzas sobre a cabeça, o sacerdote repete estas palavras: «Lembra-te, homem, que és pó da terra e à terra hás de voltar». De facto, tanto o rico como o pobre morrem, e a parte principal da parábola desenrola-se no Além. Dum momento para o outro, os dois personagens descobrem que nós «nada trouxemos ao mundo e nada podemos levar dele» (1 Tm 6, 7).

Também o nosso olhar se abre para o Além, onde o rico tece um longo diálogo com Abraão, a quem trata por «pai» (Lc 16, 24.27), dando mostras de fazer parte do povo de Deus. Este detalhe torna ainda mais contraditória a sua vida, porque até agora nada se disse da sua relação com Deus. Com efeito, na sua vida, não havia lugar para Deus, sendo ele mesmo o seu único deus.

Só no meio dos tormentos do Além é que o rico reconhece Lázaro e queria que o pobre aliviasse os seus sofrimentos com um pouco de água. Os gestos solicitados a Lázaro são semelhantes aos que o rico poderia ter feito, mas nunca fez. Abraão, porém, explica-lhe: «Recebeste os teus bens na vida, enquanto Lázaro recebeu somente males. Agora, ele é consolado, enquanto tu és atormentado» (v. 25). No Além, restabelece-se uma certa equidade, e os males da vida são contrabalançados pelo bem.

Mas a parábola continua, apresentando uma mensagem para todos os cristãos. De facto o rico, que ainda tem irmãos vivos, pede a Abraão que mande Lázaro avisá-los; mas Abraão respondeu: «Têm Moisés e os Profetas; que os oiçam» (v. 29). E, à sucessiva objeção do rico, acrescenta: «Se não dão ouvidos a Moisés e aos Profetas, tão-pouco se deixarão convencer, se alguém ressuscitar dentre os mortos» (v. 31).

Deste modo se patenteia o verdadeiro problema do rico: a raiz dos seus males é não dar ouvidos à Palavra de Deus; isto levou-o a deixar de amar a Deus e, consequentemente, a desprezar o próximo. A Palavra de Deus é uma força viva, capaz de suscitar a conversão no coração dos homens e orientar de novo a pessoa para Deus. Fechar o coração ao dom de Deus que fala, tem como consequência fechar o coração ao dom do irmão.

Amados irmãos e irmãs, a Quaresma é o tempo favorável para nos renovarmos, encontrando Cristo vivo na sua Palavra, nos Sacramentos e no próximo. O Senhor – que, nos quarenta dias passados no deserto, venceu as ciladas do Tentador – indica-nos o caminho a seguir. Que o Espírito Santo nos guie na realização dum verdadeiro caminho de conversão, para redescobrirmos o dom da Palavra de Deus, sermos purificados do pecado que nos cega e servirmos Cristo presente nos irmãos necessitados. Encorajo todos os fiéis a expressar esta renovação espiritual, inclusive participando nas Campanhas de Quaresma que muitos organismos eclesiais, em várias partes do mundo, promovem para fazer crescer a cultura do encontro na única família humana. Rezemos uns pelos outros para que, participando na vitória de Cristo, saibamos abrir as nossas portas ao frágil e ao pobre. Então poderemos viver e testemunhar em plenitude a alegria da Páscoa.

Vaticano, 18 de outubro de 2016.

Festa do Evangelista São Lucas

A Quaresma e a Campanha da Fraternidade

Dom João José Costa

Presidente da Cáritas Brasileira, Arcebispo Coadjutor de Aracaju e Bispo Referencial da Cáritas Regional Nordeste 3

A Quaresma, são os quarenta dias em que a Igreja convida a cada homem e mulher a uma mudança de vida, como nos pede Jesus e que nos é proposto pela liturgia já na quarta feira de cinzas: “Convertei-vos e crede no evangelho” (Marcos 1, 15). E ainda, o convite é de fato para uma mudança radical interior: “Rasgai o coração e não as vestes” (Joel 2,13). É tempo de nos voltarmos mais para Deus, de reconhecermos que às vezes erramos e temos a oportunidade de reencontrar o Senhor que nos perdoa. Preparamo-nos neste tempo para celebrar o dia mais importante que é a Páscoa da ressurreição.

Neste nosso peregrinar de batizados, como filhos amados do Pai, são muitas as possibilidades que temos para podermos viver bem a nossa missão. Procurando ter uma escuta, mais assídua das Escrituras, intensificando nossa vida de oração, o jejum e a caridade. O Papa Francisco nos faz um apelo: “A Quaresma deste Ano Jubilar seja vivida mais intensamente como tempo forte para celebrar e experimentar a misericórdia de Deus”.

E ainda, neste ano da Misericórdia (Proclamado pelo Papa Francisco), cada um é calorosamente convidado a ser misericordioso como o Pai. Por isso, precisamos realizar gestos concretos que contribuam para uma vivencia mais fraterna entre as pessoas. É importante sempre lembrar que não há amor a Deus sem amor ao próximo. Somos chamados a contribuir para melhorar a realidade onde vivemos, a começar pela nossa família, os vizinhos ou no ambiente de trabalho. Todos são chamados a realizar gestos concretos, atos corajosos para o bem das pessoas mais sofredoras da sociedade, como os encarcerados, os migrantes, os desempregados, os doentes e o povo de rua.

A Campanha da Fraternidade foi de fato uma idéia genial, aproveitar o tempo da quaresma para desenvolver uma temática específica a cada ano, como itinerário da fé e vivência da espiritualidade quaresmal. Idealizada por três presbíteros, responsáveis em nível nacional pela Cáritas brasileira. Foi no ano de 1961 quando desejaram que a cáritas se tornasse autônoma economicamente e projetaram a campanha com o primeiro objetivo de recolher dinheiro para ajudar nas atividades assistências e promocionais. A primeira não foi em nível nacional, mas foi realizada em Natal, no Rio Grande do Norte, nordeste brasileiro em 1962, no tempo de quaresma e contou com a adesão de três dioceses. Um ano depois, em 1963, já participaram da campanha dezesseis dioceses do Nordeste e fizeram uma avaliação positiva e expressaram o desejo de continuar a realizar.

É interessante perceber que esta campanha deu início no mesmo período em que estava acontecendo o Concílio Ecumênico Vaticano II. Neste momento da história a Igreja buscava de fato a renovação eclesial e procurava também respostas para enfrentar os novos desafios. Em dezembro de 1963, foi enviada uma carta para todos os bispos, elaborada pelo secretário geral da CNBB onde comunicava que a Campanha da Fraternidade se tornava a partir daquele momento de âmbito nacional.

A Campanha da Fraternidade é lançada oficialmente em todas as Dioceses e nos meios de comunicação na quarta feira de cinzas, quando abre-se o tempo da quaresma. Tempo forte de conversão e a campanha faz um forte convite aos batizados para uma revisão de vida, conscientização e mudança de comportamento focalizando em uma temática específica. Em torno desta temática acontecem momentos fortes de oração, reflexão e de uma evangelização a partir da mística e espiritualidade quaresmal.

O convite feito no início da quaresma é que de fato todos os cristãos procurem viver o evangelho, que ocorra uma transformação na vida de cada um. Por isso, é o tempo ideal para retomar a prática da fraternidade, solidariedade e concretizar para uma verdadeira mudança de vida. Tempo para vencer o egoísmo, a ambição e a inveja para viver a fraternidade em comunidade. A Campanha colabora para que todo cristão possa descobrir o plano amoroso do Deus criador e salvador e assim trabalhar pela fraternidade e vida digna para todos os seus filhos.

A Campanha da Fraternidade deste ano nos ajuda nesta conversão pessoal e comunitária apresentando um tema para nossa reflexão. Este ano a campanha será ecumênica, ou seja, feita em conjunto com outras Igrejas cristãs que fazem parte do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs (CONIC). Sua temática central reflete sobre o saneamento básico.

O tema é: “Casa comum, nossa responsabilidade”, com o lema: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5,24). Que o direito ao saneamento básico seja assegurado a todos. E tem como objetivo geral: “Assegurar o direito ao saneamento básico para todas as pessoas e empenharmo-nos, à luz da fé, por políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro de nossa Casa Comum”.

O Papa Francisco, refletindo sobre a temática da campanha da fraternidade deste ano, ainda nos diz que “todos nós temos responsabilidade por nossa Casa Comum, ela envolve os governantes e toda a sociedade. Por meio desta Campanha da Fraternidade, as pessoas e comunidades são convidadas a se mobilizar, a partir dos locais em que vivem. São chamadas a tomar iniciativas em que se unam as Igrejas e as diversas expressões religiosas e todas as pessoas de boa vontade na promoção da justiça e do direito ao saneamento básico. O acesso à água potável e ao esgotamento sanitário é condição necessária para a superação da injustiça social e para a erradicação da pobreza e da fome, para a superação dos altos índices de mortalidade infantil e de doenças evitáveis, e para a sustentabilidade ambiental” (Mensagem para a Campanha da Fraternidade 2016).

Convidamos a todos para realigar gestos concretos: organizar em sua  família, comunidade, igreja, durante este período, um dia sem consumo e desperdício e doe o que não for consumido nesse dia; Participe ativamente da Coleta Ecumênica Nacional da Solidariedade no Domingo de Ramos, 20 de março, ou no dia determinado por sua Igreja.

Lembramos que os 60% dos recursos doados constituirão o Fundo Diocesano de Solidariedade, nas demais igrejas do CONIC, esses recursos constituirão um Fundo a ser administrados pelas comunidades eclesiais locais. Os demais 40% serão enviados ao Fundo Ecumênico nacional da Solidariedade. Com estes recursos serão apoiadas iniciativas de grupos, associações e outras organizações que desenvolvam ações afins com o tema da Campanha da Fraternidade Ecumênica.

Concluimos afirmando que urge formar comunidades cristãs abertas ao diálogo, sensíveis à dimensão missionária, bíblica e catequética, fortalecidos pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, solidários com os que sofrem e que busquem constantemente superar a fragmentação, o egoísmo e as divisões.

Compreendemos que é a partir da experiência do encontro com Jesus Cristo que acontece necessariamente uma mudança de vida em todos os sentidos. Não somente em nível eclesial, mas uma transformação na pessoa como um todo. Por isso, passa-se a ter uma preocupação e compromisso com uma sociedade mais justa, solidária e preocupada com a casa comum.

É fazendo a experiência com o crucificado e ressuscitado que os cristãos passam a se comprometer mais com o anúncio profético e denunciar tudo o que é contrário ao projeto de Deus. Que o Senhor nos ajude a sermos cooresponsáveis na “construção de um mundo sustentável e justo, para todos, no seguimento de Jesus, com a alegria do Evangelho e com a opção pelos pobres”.

 

Mutirão de confissões na paróquia São Francisco de Assis

Nesta segunda-feira (21) a paróquia São Francisco de Assis (rua Abelardo Andrade de Carvalho, s/n – Boca do Rio) está com as portas abertas para que os fiéis possam receber o Sacramento da Confissão. Quem desejar se confessar deve se dirigir à Matriz das 8h às 12h e das 15h às 21h.

Práticas quaresmais: penitência

Neste período em que os cristãos vivenciam a Quaresma, a Igreja convida a intensificar as práticas quaresmais. O padre Xavier Bizard, da paróquia Nossa Senhora dos Alagados e São João Paulo II, fala sobre a penitência. Confira!

Dom Murilo fala sobre a Quaresma: “tempo de graça”

A Pastoral Carcerária e a vivência da CFE 2016

Padre Valdir João Silveira
Coordenador nacional da Pastoral Carcerária

I) Como vivenciarmos, neste ano, a Campanha da Fraternidade 2016?

Estamos iniciando mais um Tempo de Quaresma em nossa Igreja, em nossas vidas. Quaresma é tempo de jejum, oração, penitência e conversão. É tempo, também, de renunciar ao pecado individual e combater o pecado social.

A Igreja Católica no Brasil, motivada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, desde 1964 vem nos ajudando, a cada ano, por meio da Campanha da Fraternidade a vivermos melhor e efetivamente este tempo de conversão.

Em 2016, o tema da Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) é “Casa comum, nossa responsabilidade”, com o lema bíblico apoiado em Amós 5, 24, que diz “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”, tendo o seguinte objetivo geral:

“Assegurar o direito ao saneamento básico para todas as pessoas e empenhamo-nos, à luz da fé, por políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro de nossa Casa Comum”.

Veja o vídeo abaixo:


Um dos papéis da religião é cuidar do bem-estar das pessoas. Amós alerta (Am 5, 21-27) que não é suficiente investir em belas e vistosas celebrações, garantir rituais caríssimos e atrair o público para as suas festas e cerimônias. As Igrejas devem assumir também o papel de educadoras das pessoas e comunidades, caminhando junto a elas, comungando de suas alegrias e tristezas, esperanças e angústias (cf, Gaudium et Spes), tendo em vista o bem comum.

“As religiões de matriz africana nos ensinam que, no universo, tudo tem vida, tanto as coisas orgânicas quanto as inorgânicas. Ensinam ainda que tudo está ligado a tudo, formando uma só unidade. Do Deus Criador, emana a sustentação de tudo. Aos elementos da natureza e seus fenômenos correspondem divindades que fazem fluir a vida e de quem nascem as criaturas humanas. O ar e a água ligam todas as coisas. Cuidar de cada pessoa, da natureza e das manifestações de vida é também cuidar de si mesmo. Tudo é um só corpo alimentado por ar e água” (CFE 2016, “Texto Base”, 46).

II) Realidade do Sistema Prisional brasileiro e o Saneamento Básico

 “As prisões brasileiras tornaram-se um amontoado de pessoas sem esperança de justiça e expectativas de ressocialização. São indivíduos ignorados pela sociedade, guardados em escaninhos escuros e esquecidos da consciência coletiva, relegados a prisões que em muitos casos mais se aproximam de masmorras da idade média[1]. São mais de 615 mil pessoas presas. Pretender que essa massa de pessoas não exista, que essa população carcerária seja somente um dado estatístico pálido e distante da nossa realidade, é perverso e ingênuo.

A superlotação das celas, sua precariedade e sua insalubridade tornam as prisões um ambiente propício à proliferação de epidemias e ao contágio de doenças. Todos esses fatores estruturais aliados ainda à má alimentação das pessoas presas, ao sedentarismo ao qual são submetidas, ao uso abusivo de drogas, à falta de materiais de higiene, à falta de água potável, à falta de um adequado sistema de esgoto e ao não cuidado com o lixo, ao lado ainda de todo o estado sinistro da prisão, fazem com que as mulheres e homens presos que adentraram o cárcere numa condição sadia, de lá não saiam sem ser acometidos por doenças físicas ou psíquicas e com a suas resistências fragilizadas.

As pessoas presas adquirem as mais variadas doenças no interior das prisões. As mais comuns são as doenças que atingem o aparelho respiratório, como a tuberculose e a pneumonia. Também é alto o índice da hepatite, de hipertensão e de doenças venéreas em geral, a AIDS por excelência. Além dessas doenças, há um grande número de presas/os portadoras/es de distúrbios mentais, de câncer, hanseníase e com deficiências físicas (paralíticos e semiparalíticos).

III) Como trabalhar a CFE 2016 com as Igrejas que fazem visitas aos presos e presas?

 Esta Campanha da Fraternidade é nossa, tem muito a ver com o nosso trabalho nos presídios. Por isso, é nosso dever realizar atos concretos de solidariedade como agentes da Pastoral Carcerária.

A Campanha da Fraternidade Ecumênica fortalece os laços e os espaços de convivência entre as diferentes Igrejas. O diálogo e o trabalho conjunto em favor do bem comum são ações e testemunhos importantes que podemos oferecer para a sociedade e para as pessoas presas. O primeiro passo é ir em direção aos nossos irmãos e irmãs cristãos: todas as pessoas comprometidas com a causa dos pobres – católicas, protestantes, evangélicas pentecostais, espíritas, outras religiões e até mesmo não crentes – para que juntos encontremos ações conjuntas que favoreçam o cuidado com a nossa Casa Comum e com cada ser da Criação. É fundamental, obviamente, avançarmos no diálogo inter-religioso junto às religiões tanto de matriz africana como orientais, nunca nos esquecendo das tradições e espiritualidades das populações indígenas.

Outros passos fundamentais: a) conhecer as pessoas que realizam assistência religiosa nos cárceres: quem são, o que pensam, o que fazem e como testemunham a sua fé; b) no encontro com essas irmãs e irmãos, demonstrarmos a preocupação que temos com o local onde habitam as/os encarceradas/os e onde trabalham as/os agentes prisionais.

Esta atenção em relação às instalações e condições das unidades prisionais é o que nos orienta a atuarmos coletivamente no acompanhamento e na elaboração de melhorias no saneamento básico dos presídios. Assim, devemos estimular e mobilizar todas as pessoas que realizam assistência religiosa nos cárceres no sentido de:

– Verificar a origem da água que abastece a unidade e as condições por das quais ela chega nas celas;

– Verificar se a água é potável. Para isso, é fundamental saber como se dá (e se ocorre) o cuidado com a caixa d’água: qual o periodicidade de limpeza; os cuidados para que se impeça da entrada de sujeiras, de insetos, de aves etc.; as condições da canalização da rua ou de represas próximas.

– Verificar e cobrar, nas unidades prisionais, o aproveitamento da água da chuva;

– Observar as condições de ventilação das celas. É necessário questionar: qual é a qualidade do ar que os presos e presas respiram? Há ventilação? Esse questionamento também é essencial em relação às demais dependências das unidades prisionais, como: seguro, enfermaria, castigo, regime de observação (RO), solitárias, inclusão, RDD. Este levantamento pode ser feito em conjunto com as pessoas das outras Igrejas, quando possível;

– Observar e exigir condições dignas em relação ao estado físico das celas: banheiro; infiltração de água no teto ou nas paredes; presença de percevejos, pulgas, baratas, ratos, sujeiras de pombos e fezes de ratos;

– Observar a estrutura do sistema de esgoto. Uma dica é saber se existe canalização do sanitário para a fossa;

– Saber como é o tratamento dado ao lixo: como é coletado? Onde os presos colocam o lixo e quando que ele é retirado? Há alguma forma de coleta seletiva ou de reaproveitamento do lixo? Há presas/os trabalhando na coleta de lixo?

Uma vez levantados estes dados, somos convidados a refletir e, juntos, realizar todos os encaminhamentos para as autoridades e órgãos responsáveis: diretor da unidade, a Defensoria Pública, promotor e Ministério Público, juiz corregedor, Conselho Nacional de Justiça, Mecanismos de Prevenção e Combate à Tortura, cortes e comissões internacionais de direitos humanos.

IV) Como trabalhar a CFE 2016 com os presos e presas?

O cuidado com a Casa Comum passa, obviamente, pelo poder público. Ainda mais quando este é parte da engrenagem do atual modelo de desenvolvimento econômico, profundamente depredador e excludente. Ao mesmo tempo, como sujeitos, cuidar da Casa Comum também exige uma mudança profunda na forma como nos relacionamos com os recursos naturais. Temos que criar uma forma alternativa ao consumismo, à lógica do descartável e ao imperativo da desvalorização e coisificação da Criação. Cabe também a nós, agentes da Pastoral Carcerária, orientar os presos e presas sobre o cuidado com: o consumo da água, a limpeza da cela, o cuidado com o lixo, as sobras de alimentação, a poluição do ar. É fundamental, também, que as famílias das pessoas presas saibam como e onde encaminhar as solicitações por melhorias no saneamento básico das unidades prisionais.

V) Celebrar com as pessoas presas

Como estamos vivendo o Ano da Misericórdia, temos um tempo propício para motivar e mobilizar nossas comunidades para visitarem e estarem com os/as irmãos/ãs presos/as; ajudar a comunidade a realizar as Obras Corporais da Misericórdia, pedido feito pelo nosso Papa Francisco. É tempo de rezar, celebrar, promover momentos de confissão, de círculos bíblicos, e uma grande e bela celebração da Páscoa.

O Manual da CFE 2016 traz excelentes orientações e roteiros para atividades em grupo e para celebrações, como círculos bíblicos, encontros para reflexão e oração (“Fraternidade Viva” e “Jovens na CF”), via-sacra, celebrações ecumênicas e, em especial, a Celebração da Misericórdia (pag. 224 do Manual da CFE 2016).

VI) Agente de Pastoral Carcerária e a CFE 2016

Cada uma e cada um de nós, agentes da Pastoral Carcerária, também temos nossa responsabilidade pelo cuidado com a Casa Comum; temos o nosso compromisso como cristãos/ãs e cidadãos/ãs.

As responsabilidades são coletivas, porém diferenciadas: o poder público tem a tarefa em realizar as obras de infraestruturas, implementar o Plano Municipal de Saneamento Básico, garantir a limpeza do espaço público e fazer a coleta seletiva do lixo. Nós temos a responsabilidade, enquanto cidadãos e cidadãs, de cuidarmos do espaço onde moramos, de não jogar lixo na rua, de zelar pela manutenção dos equipamentos públicos e espaços coletivos, de cobrar os órgãos responsáveis pela qualidade do saneamento básico através de políticas que tenham efetiva participação das comunidades. Essas atitudes poderão nos aproximar do sonho do profeta que é o de “ver o diretor brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Amos 5,24). Temos, enfim, que ter clareza que se trata de uma “luta profética, pois questiona as estruturas que causam e legitimam vários tipos de exclusão: econômica, ambiental, social, racial e étnica” (CFE 2016, “Texto Base”, 4).

[1] Estudos Penitenciários do King’s College da Inglaterra, http://www.migalhas.com.br/dePeso/16,MI197374,81042-Sistema+Prisional+Brasileiro+A+busca+de+uma+solucao+inovadora

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