Dom Murilo S.R. Krieger, scj Arcebispo de São Salvador da Bahia e Primaz do Brasil   Era famosa, na mitologia

Bom dia, esperança!

Dom Murilo S.R. Krieger, scj

Arcebispo de São Salvador da Bahia e Primaz do Brasil

 

Era famosa, na mitologia grega, a figura de Pandora (em grego antigo: “Aquela que possui tudo”), que teria sido a primeira mulher que existiu. Dizia-se que, uma vez criada, Pandora recebeu inúmeros presentes dos deuses, colocados numa caixa. Um dia, inadvertidamente, ela abriu essa caixa e todos os seus bens escaparam, exceto a esperança. Era dessa maneira que os gregos explicavam aquilo que nosso povo traduz com a frase: “A esperança é a última que morre!”.

É incrível a capacidade humana de superar-se diante dos problemas. Avolumam-se os problemas econômicos, cresce o desemprego, multiplicam-se notícias da Lava-Jato… e, quando tudo faria crer que estaríamos diante de pessoas derrotadas, somos surpreendidos pelo sorriso de alguém, ouvimos um “Vamos em frente” de outro ou nos lembramos da mensagem positiva do poeta, consagrada em conhecida canção popular: “Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”.

“A esperança é a última que morre!”. Esperamos que neste ano de 2017 seja encontrada a fórmula ideal para nossos desafios econômicos; esperamos concretizar os inúmeros planos que nos acompanham há anos; esperamos que tenham fim as notícias de corrupção, falcatruas e desonestidades; esperamos que a violência e o medo se tornem apenas lembranças do passado…

A esperança é uma “flor” frágil e delicada, que precisa de muito cuidado, se não será sufocada e não nos mostrará toda a sua beleza. Cada um de nós é chamado, pois, a colaborar para que ela se mantenha viva e forte. Comecemos por nossos relacionamentos familiares, respeitando os que vivem conosco; dialoguemos com as pessoas que encontrarmos, sem querer logo impor-lhes nossas razões; assumamos o compromisso de não valorizar demais pequenos problemas que, muitas vezes, dão origem a grandes desentendimentos.

Para o cristão, a esperança é vista como um dom de Deus. Essa virtude deve animar toda a sua vida, levando-o a caminhar na alegria, mesmo em meio a sofrimentos e provações. O contrário da esperança é o desespero. Dante Alighieri, autor da “Divina Comédia” (século XIV), procurou traduzir isso de forma poética. Ele descreveu que na porta do Inferno há uma placa com a frase: “Vós, que aqui entrais, deixai fora a esperança!”.

A esperança cristã tem um nome: Jesus. Ele, que é a “nossa esperança” (1Tm 1,1), passa por nossos caminhos e nos convida a segui-lo. Por ela, desejamos, como nossa felicidade, o reino dos céus e a vida eterna; pomos nossa confiança nas promessas que ele nos fez e apoiamo-nos não em nossas forças, mas no socorro da graça do Espírito Santo. Portanto, muito mais do que um bem que ficou no fundo de uma caixa, a esperança é o motor que impulsiona nossos passos. Procuremos cultivá-la!

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