HOMILIA – MISSA EM AÇÃO DE GRAÇAS PELOS 470 ANOS

Cardeal Dom Sergio da Rocha

Arcebispo de São Salvador da Bahia, Primaz do Brasil

Catedral Basílica de Salvador, 06.08.2021

Nós estamos reunidos expressando ação de graças a Deus pela nossa amada Arquidiocese de São Salvador da Bahia, celebrando os seus 470 anos de história, sinal do amor infinito de Deus por nós.

Louvemos a Deus por todos aqueles que têm se dedicado generosamente ao serviço desta Igreja, ao longo de sua história, os caríssimos irmãos bispos e arcebispos que me precederam nesta Sé Primacial, o clero, os religiosos e religiosas, os fiéis leigos e leigas. Estamos unidos, em oração, aos nossos queridos arcebispos eméritos, o meu predecessor Dom Murilo Krieger e ao Sr. Cardeal Dom Geraldo Majella, que comemora hoje o seu aniversário de ordenação episcopal, 43 anos de episcopado. Rezemos para que o Senhor da Igreja e Pastor do Rebanho recompense a eles e a todos os que se dedicaram a construir a história da Igreja Primacial ao longo dos seus 470 anos, com tanta dedicação e generosidade. Rezemos suplicando ao Senhor para continuar a derramar as suas bênçãos sobre a nossa Arquidiocese, conduzindo-a à santidade e tornando sempre mais fecunda a sua missão evangelizadora.

Nesta solenidade da Transfiguração do Senhor, temos a graça de celebrar o Santíssimo Salvador, titular desta bela Catedral Basílica e de nossa Arquidiocese. O nosso olhar se volta para o Senhor que se transfigura diante dos seus discípulos. Iluminados pelo Evangelho proclamado, quero ressaltar três aspectos fundamentais da vida e missão de nossa Arquidiocese, a serem cultivados por nós, com especial atenção. O primeiro é a atitude orante, contemplativa, de escuta e acolhida da Palavra. O segundo é a vivência do amor fraterno, da caridade e da comunhão na Igreja. O terceiro aspecto é a participação de todos na missão da Igreja, na ação evangelizadora, com renovado ardor missionário. Na celebração destes 470 anos, somos chamados a ser Igreja orante, Igreja fraterna e Igreja missionária.

No centro da passagem da Transfiguração encontra-se o convite do Pai para escutar a voz de Jesus Cristo. “ESTE É O MEU FILHO AMADO, ESCUTAI O QUE ELE DIZ” (Mc 9,7). Esta é a Palavra que o Senhor dirige hoje à Igreja que está em Salvador. Esta é a atitude fundamental a ser cultivada por cada um e pela Igreja inteira: escutar a voz do Filho Amado! Este é o caminho para que a “transfiguração” aconteça, hoje, na vida das pessoas, das famílias e da sociedade, tantas vezes, desfiguradas por situações de pecado e de angústia que se abatem sobre tantos. Ter a sua Palavra “diante dos olhos, como lâmpada que brilha em lugar escuro, até clarear o dia e levantar-se a estrela da manhã em nossos corações”, conforme a Segunda Carta de Pedro. Para isso, é necessário cultivar, cada vez mais: a oração, a escuta da Palavra e o amor pela Eucaristia.  Precisamos ser discípulos e discípulas que se disponham a subir a “alta montanha”, conforme a expressão empregada por Marcos; “para orar”, segundo explicita Lucas (Lc 9,28); para contemplar o rosto de Jesus Cristo transfigurado, na esperança da vitória sobre o pecado e a morte.

Entretanto, o discípulo não sobe sozinho o monte da Transfiguração; não realiza tal experiência por sua própria conta. “Sobe”, primeiramente, porque o Senhor os “tomou consigo” (Mc 9,2), segundo o que acabamos de ouvir, isto é, pela gratuidade do amor de Deus. A graça de Deus precede a subida; a acolhida da graça nos leva a caminhar para o alto. Tudo é graça! Por isso, aqui estamos bendizendo ao Senhor da Igreja, o Santíssimo Salvador, pelos 470 anos de nossa Arquidiocese, dom precioso do seu amor por nós.

Além disso, o discípulo não sobe sozinho o monte da Transfiguração, mas com os outros; eles sobem juntos! Os discípulos que vivem da oração e da escuta da Palavra são chamados a serem discípulos em comunhão, a vivenciar a unidade eclesial nos seus diversos níveis: a comunhão com o nosso querido Papa Francisco, a unidade com a Igreja no Brasil, a comunhão na Igreja local, entre as muitas paróquias, comunidades, pastorais, associações e movimentos eclesiais, através da convivência fraterna, da corresponsabilidade na ação evangelizadora e da valorização das diversas vocações e ministérios. Seja a nossa Igreja sempre mais marcada pela vida fraterna, pelo cultivo da vida em comunidade. Necessitamos da participação de todos, da comunhão entre todos, em vista da missão!

Aqueles que sobem juntos o Tabor, conduzidos para o alto por Cristo, uma vez encontrando-se com o Senhor transfigurado, não podem instalar-se comodamente sobre o monte, ainda que o desejo de construir tendas e de lá permanecer com o Cristo glorioso seja sincero. É preciso descer o Monte para a missão, na certeza de que o Senhor ressuscitado nos acompanha e nos sustenta. Segundo outra narrativa da Transfiguração, apresentada por Mateus, Jesus tocando os discípulos disse-lhes: “levantai-vos e não tenhais medo” (Mt 17,7). E eles desceram em direção à multidão, especialmente, aos doentes e a toda a gente sofrida.

O mandato missionário de Jesus continua a ecoar e se renova em Salvador nestes 470 anos. O “Ide, fazei discípulos” nos interpela continuamente e se renova na vida da Igreja. Como Igreja missionária, somos chamados a anunciar o Evangelho e a testemunhar a vida nova em Cristo a todos, nos diversos ambientes e situações, nas periferias e centros urbanos, no continente e nas ilhas. Sendo vasta a missão evangelizadora da Igreja, devemos estar atentos às novas situações e ambientes que estão surgindo na sociedade, para que a luz da fé em Cristo Salvador possa chegar a todos os recantos de nossa Arquidiocese.

Devemos ir ao encontro dos que mais sofrem, cuidar das ovelhas feridas e sair em busca das ovelhas desgarradas, revelando-lhes o rosto misericordioso de Jesus o Bom Pastor, como tem enfatizado o Papa Francisco. A Igreja orante, que vive da Palavra e da Eucaristia, se faz Igreja solidária e servidora, especialmente neste tempo tão sofrido da pandemia. A Igreja que contempla a glória do Senhor sobre o Tabor, se dispõe a contemplar o rosto de Cristo Sofredor no calvário e na vida cotidiana, reconhecendo-o nas feições dos pobres, dos enfermos e dos mais fragilizados, especialmente neste tempo de pandemia.

A Igreja primacial do Brasil seja reconhecida pela primazia da oração, da caridade e da missão. Conosco, está a nossa Mãe e Senhora da Conceição da Praia acompanhando-nos com sua materna intercessão e exemplo, convidando-nos a “fazer tudo o que Jesus disser”, a fim de que esta Arquidiocese primacial seja cada vez mais Igreja que escuta o que Jesus diz e cumpre a sua Palavra; Igreja de discípulos missionários em comunhão. Contamos com o exemplo e a intercessão de Santa Dulce dos Pobres para ser Igreja servidora e solidária, na caridade. Contamos com a intercessão de São Francisco Xavier, padroeiro da cidade de Salvador, para ser Igreja missionária, fiel a Cristo e unida ao Santo Padre, em estado permanente de missão! O Santíssimo Salvador nos conceda a graça de ser cada vez mais, uma Igreja orante, fraterna e missionária! Amém.

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