Amor e fé

Inspirados na Parábola do Samaritano, contada por Jesus, é preciso aproximar-se de quem sofre, com compaixão

Cardeal Dom Sergio da Rocha

Arcebispo de São Salvador da Bahia, Primaz do Brasil

Este tempo de pandemia pode ser ocasião para percorrer um caminho de amor e fé. A fé torna-se ainda mais importante, podendo contribuir muito para a saúde emocional e espiritual, bem como para a observância das medidas de saúde pública. O amor, iluminado pela fé, anima o caminhar, fazendo superar a angústia e sofrimento.

As Igrejas têm buscado novas formas de transmitir e vivenciar a fé, em tempos de restrições à presença nos templos, de modo a cumprir as medidas sanitárias e colaborar para a superação da pandemia. O recurso às transmissões online das celebrações tem sido muito importante não somente para alimentar a fé, mas também para preservar o vínculo com a comunidade local. Por isso, além das celebrações transmitidas pelas emissoras de rádio e televisão, têm crescido as iniciativas de transmissão de celebrações e atividades pastorais nas redes sociais, a partir da comunidade local. Certamente, isso não exclui a importância da participação nos templos, mas tem se revelado um importante meio para animar a vivência comunitária da fé, trazer esperança e estimular a caridade. O distanciamento social não pode significar isolamento espiritual ou acomodação, que não condizem com a fé cristã. Por isso, há necessidade de redobrado empenho da parte das lideranças religiosas para conjugar a assistência religiosa com o cumprimento dos protocolos sanitários.

A fé não se reduz à sua dimensão orante, nem se restringe ao interior dos templos ou à vida privada. Ela se expressa através do amor fraterno. A oração se prolonga por meio da solidariedade e do serviço aos que mais sofrem. É preciso contemplar o rosto sofredor de Cristo nos rostos de tantas pessoas que sofrem nesta pandemia.  Para reconhecer o outro como o próximo a ser amado, é preciso tornar-se próximo através de gestos concretos de fraternidade. Não bastam iniciativas pessoais e espontâneas, que são sempre muito importantes. É necessário traduzir o amor fraterno em ações comunitárias de caridade, solidariedade e partilha. Com a pandemia se prolongando e se agravando, tornam-se ainda mais necessárias as iniciativas espontâneas e comunitárias de ajuda a quem mais sofre.

Inspirados na Parábola do Samaritano, contada por Jesus, é preciso aproximar-se de quem sofre, com compaixão e generosidade, levantando quem está caído e cuidando, ao invés da indiferença diante da dor. O distanciamento necessário para evitar contágios dificulta, mas não impede a proximidade fraterna e a solidariedade com os que se encontram em situação de pobreza e vulnerabilidade social. Há muitas iniciativas de solidariedade e de partilha promovidas por comunidades religiosas e outras instituições. Na pandemia, o pouco que se tem para partilhar pode saciar a muitos, trazendo alegria para quem doa e para quem recebe. Sempre é possível compartilhar amor e fé!

*Artigo publicado no jornal Correio, em 22 de março de 2021.

Compartilhar:

Categorias

Veja também

Artigos de Dom Sergio, Formação, Notícias

Sacramentos

Horários de

Missa

Ano Jubilar

Notícias relacionadas

Programa Oração Por Um Dia Feliz – 12.04.2026



Retomada da Equipe Sinodal Arquidiocesana marca novo impulso para implementação do Documento Final do Sínodo

A Arquidiocese de São Salvador da Bahia retomou, na manhã deste sábado, 11 de abril, as atividades da Equipe Sinodal Arquidiocesana. O encontro aconteceu

Programa Oração Por Um Dia Feliz – 11.04.2026



Continue navegando