O Papa Francisco recebeu em audiência, nesta segunda-feira (16), na Sala Clementina, no Vaticano, os membros da Fraternidade Política Chemin Neuf, uma comunidade que nasceu em Lyon, em 1972, por iniciativa do seminarista jesuíta Laurent Fabre, que após uma experiência de oração num grupo da Renovação Carismática Católica decidiu trabalhar para construir uma Fraternidade que evangelizasse e trabalhasse para o bem comum.
“Quando nos conhecemos no ano passado, vocês confiaram à minha oração a sua participação no evento Changemakers em Budapeste. Lá vocês tiveram momentos de encontro, de formação, mas também de ação, com associações locais. A maneira como vocês viveram este evento me parece ser uma boa implementação do verdadeiro significado do que é a política, especialmente para os cristãos. Política é encontro, reflexão e ação”, disse o Papa no início de seu discurso.
A política é acima de tudo a arte do encontro. Certamente, este encontro é vivido acolhendo o outro e aceitando sua diferença, num diálogo respeitoso. Como cristãos, no entanto, há algo mais: uma vez que o Evangelho nos pede para amar os nossos inimigos, não posso me contentar com um diálogo superficial e formal, como aquelas negociações muitas vezes hostis entre partidos políticos. Somos chamados a viver o encontro político como um encontro fraterno, especialmente com aqueles que menos concordam conosco; e isso significa ver naquele com quem dialogamos um verdadeiro irmão, um filho amado de Deus. Essa arte do encontro começa com uma mudança de olhar sobre o outro, com um acolhimento e respeito de sua pessoa sem condições. Se essa mudança de coração não ocorrer, a política corre o risco de se transformar num confronto muitas vezes violento, a fim de fazer triunfar as próprias ideias, numa busca de interesses particulares e não do bem comum, contra o princípio de que “a unidade prevalece sobre o conflito”.
