O Papa recebeu em audiência no final da manhã desta segunda-feira, na Sala Clementina, no Vaticano, os membros do Conselho Nacional da União Italiana de Cegos e Deficientes Visuais, um grupo de 300 pessoas.
Francisco agradeceu aos presentes o fato de terem vindo partilhar suas preocupações e projetos desta fase de seu caminho e de o terem feito por ocasião da memoria litúrgica de Santa Luzia – padroeira das pessoas com deficiência ou doença da vista -, que a Igreja celebra esta terça-feira, 13 de dezembro. O Papa lembrou que também nesta data celebra o aniversário de sua ordenação sacerdotal.
Luzia, uma mártir de Siracusa, nos lembra por seu exemplo que a mais alta dignidade da pessoa humana consiste em testemunhar a verdade, seguindo a própria consciência a qualquer custo, sem duplicidade ou compactuar. Isto significa estar ao lado da luz, servindo a luz, como o próprio nome “Luzia” evoca. Ser pessoas claras, transparentes, sinceras; comunicar-se com os outros de forma aberta, clara, respeitosa. É assim que se contribui para espalhar a luz nos ambientes em que se vive, para torná-los mais humanos, mais vivíveis.
Uma força construtiva na sociedade
Partindo daí, o Santo Padre quis ressaltar em que modo vê a Associação, em que modo vê os membros do Conselho Nacional da União Italiana de Cegos e Deficientes Visuais:
Eu vos vejo como uma força construtiva na sociedade, particularmente na sociedade italiana, que está passando por um momento difícil. Esta perspectiva pode parecer estranha, porque geralmente associamos com a deficiência a ideia de necessidade, de assistência e, às vezes – graças a Deus cada vez menos – de um certo pietismo. Não, o Papa não vos olha assim; a Igreja não vos olha assim. O ponto de vista dos cristãos sobre a deficiência não é mais e não deve mais ser o pietismo e o assistencialismo, mas a consciência de que a fragilidade, assumida com responsabilidade e solidariedade, é um recurso para todo o corpo social e para a comunidade eclesial.
Francisco continuou evidenciando que as pessoas cegas e deficientes visuais, bem formadas em princípios éticos e consciência cívica, estão na linha de frente para construir comunidades inclusivas, onde todos podem participar sem se envergonhar de suas limitações e fragilidades, cooperando com outros para se complementarem e apoiarem uns aos outros. “E todos nós precisamos uns dos outros, não apenas as pessoas com fragilidades físicas: todos nós precisamos da ajuda de outros para seguir em frente na vida, porque somos todos fracos no coração, todos nós”, acrescentou.
