“Essa Pastoral é muito gratificante, porém bastante exigente também”, diz padre Philippe Le Puil sobre a missão da Pastoral Carcerária

O sacerdote representou a Arquidiocese de Salvador no 1º retiro espiritual nacional
Padre Philippe é o coordenador da Pastoral Carcerária na Arquidiocese de São Salvador da Bahia – Foto: Sara Gomes

O coordenador arquidiocesano da Pastoral Carcerária, padre Philippe Le Puil, representou a Arquidiocese de São Salvador da Bahia no 1º retiro para os padres que trabalharam na assistência espiritual dos encarcerados e suas famílias, promovido pela Pastoral Carcerária Nacional, de 16 a 19 de outubro, em Ipiranga, São Paulo. Para falar sobre este momento e sobre esta tão importante missão, o Setor de Comunicação da Sé Primacial do Brasil realizou uma breve entrevista com o padre Philippe. Confira:

Setor de Comunicação – Qual a importância de um retiro como este para os sacerdotes que acompanham a Pastoral Carcerária?

Padre Philippe Le Puil – De 16 a 19 de outubro, a Pastoral Carcerária Nacional organizou um retiro para os padres que atuam em diversas dioceses do nosso Brasil. Essa Pastoral é muito gratificante, porém bastante exigente também: são muitos os obstáculos e resistências que hão de se superar! Quem faz o essencial do trabalho são os leigos, fiéis operários na vinha do Senhor. A Igreja, porém, sempre coloca sacerdotes ao lado deles, para os servir, os acompanhar, também para a representar diante das autoridades judiciais, penais, e até religiosas.

Se fez sentir então a necessidade de um tempo de retiro adaptado às suas peculiaridades, para que pudessem se encontrar, compartilhar experiências, dores e alegrias, aprender uns dos outros e serem renovados em seu ardor missionário.

Participantes do 1º retiro espiritual promovido pela Pastoral Carcerária Nacional – Foto: arquivo da Pastoral Carcerária Nacional

Setor de Comunicação – Atualmente, de que forma esta Pastoral está atuando na Arquidiocese de Salvador?

Padre Philippe Le Puil – No território da nossa Arquidiocese, a Pastoral Carcerária atua em 10 unidades prisionais. Ela tem um duplo papel: evangelizar e promover a dignidade humana. Para tanto, formamos 10 equipes, cada uma tendo a cargo uma unidade prisional, visitada semanalmente, para encontrar os apenados que o desejam: tempo de escuta sobretudo, de oração, de catequese um pouco… Porém, tentamos oferecer uma presença também para os que trabalham aí: eles precisam muito do reconforto de Cristo, da Sua Luz para guiar os passos…

 

Setor de Comunicação – Qual a importância da Pastoral Carcerária para a Igreja, mas também para a sociedade?

Padre Philippe Le Puil – Jesus Cristo foi muito claro ao indicar aos Seus discípulos o que está esperando deles, quando falou do julgamento final: “Vinde, benditos de meu Pai! Pois eu estava na prisão, e fostes visitar-me” (Mt25, 35s). Portanto, não se trata de uma opção para a Igreja, mas sim de uma necessidade vital! Todo mundo não pode visitar os presos, mas todo mundo pode apoiar essa missão. A conversão do coração, a Misericórdia, para qualquer cristão, é questão de vida ou morte…

Essa missão da Pastoral Carcerária se reveste então de uma importância fundamental para toda a sociedade: a de lembrar e a de testemunhar a inalienável dignidade da pessoa humana. Quando a sociedade se esquece disso, e cai na tentação de uma justiça vingativa, ela avança para o caos…

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