Peregrinos de Esperança

"O que se pretende, segundo as palavras do Papa Francisco, é uma 'grande sinfonia de oração'"

Cardeal Dom Sergio da Rocha

Arcebispo de São Salvador da Bahia, Primaz do Brasil

 

No meio de tantas notícias e informações, pode não estar recebendo a devida atenção o anúncio e a preparação do Ano Santo ou Ano Jubilar de 2025. De inspiração bíblica, o Ano Jubilar tem sido celebrado ordinariamente a cada 25 anos, sendo um acontecimento de grande relevância espiritual, eclesial e social. Por isso, o último Jubileu ordinário ocorreu no ano 2000, denominado o Grande Jubileu, pelo especial significado daquela data, que comemorou o segundo milênio do nascimento de Jesus Cristo. Embora seja caracterizado sobretudo pelas peregrinações à Roma, o Ano Jubilar possui várias dimensões, através de diversas atividades de cunho pessoal e comunitário.

Um Jubileu extraordinário ocorreu em 2016, por iniciativa do Papa Francisco, conhecido como Ano Santo da Misericórdia, ressaltando a especial importância da misericórdia no mundo de hoje. Misericórdia que se expressa através da compaixão, do perdão e da solidariedade, tão necessários hoje como caminho de reconciliação e de paz. Um dos frutos permanentes daquele Jubileu Extraordinário foi o Dia Mundial dos Pobres, realizado anualmente no domingo que antecede a solenidade de Cristo Rei, final do ano litúrgico, geralmente em novembro.

O Ano Jubilar 2025, o primeiro do século XXI, tem um tema belo, bastante atual e desafiador, “Peregrinos da Esperança”. Na grande peregrinação do dia a dia, necessitamos de muita esperança. Ninguém consegue caminhar, ultrapassar limites e vencer desafios sem a esperança. Necessitamos olhar para o horizonte com a esperança de chegar, sabendo que o horizonte se desloca, vai sempre à frente, motivando a caminhar sempre, sem desistir. A esperança torna-se ainda mais necessária neste tempo de reconstrução e de superação das consequências tristes da pandemia.

Em preparação, 2024 está sendo um ano especialmente dedicado à oração. O que se pretende, segundo as palavras do Papa Francisco, é uma “grande sinfonia de oração”, fonte e sustento da esperança, num mundo marcado por conflitos, divisões e guerras, que geram desesperança e angústia, sofrimento e morte. A esperança ancorada na fé se fortalece com a presença dos que caminham conosco. Para ser “peregrino da esperança”, é preciso ser peregrino orante, contemplativo, e ao mesmo tempo fraterno e solidário, disposto a caminhar juntos.

O Jubileu bíblico tinha uma forte dimensão social, com implicações para a vida comunitária e social, como o descanso da terra e dos trabalhadores, o perdão das dívidas e a liberação dos escravos, conforme os textos bíblicos do Antigo Testamento. A humanidade necessita de perdão, de verdadeira liberdade, de descanso, de justiça social e de paz.  A atenção aos pobres e refugiados, dentre outros, devem estar no coração dos “peregrinos da esperança”. O Ano Jubilar, desde a sua preparação em 2024, é uma oportunidade privilegiada de vida nova.

*Artigo publicado no jornal Correio, em 29 de janeiro de 2024.

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