Confira o Evangelho do 19º Domingo do Tempo Comum (11 de agosto) e a reflexão preparada pelo bispo auxiliar da Arquidiocese de São Salvador da Bahia, Dom Valter Magno de Carvalho:
Evangelho (Jo 6,41-51)
— Aleluia, Aleluia, Aleluia.
— Eu sou o pão vivo, descido do céu; quem deste pão come, sempre há de viver. Eu sou o pão vivo, descido do céu, Amém, Aleluia, Aleluia!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 41 os judeus começaram a murmurar a respeito de Jesus, porque havia dito: “Eu sou o pão que desceu do céu”. 42 Eles comentavam: “Não é este Jesus, o filho de José? Não conhecemos seu pai e sua mãe? Como então pode dizer que desceu do céu?” 43 Jesus respondeu: “Não murmureis entre vós. 44 Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o atrai. E eu o ressuscitarei no último dia. 45 Está escrito nos Profetas: ‘Todos serão discípulos de Deus.’ Ora, todo aquele que escutou o Pai e por ele foi instruído, vem a mim. 46 Não que alguém já tenha visto o Pai. Só aquele que vem de junto de Deus viu o Pai. 47 Em verdade, em verdade vos digo, quem crê, possui a vida eterna. 48 Eu sou o pão da vida. 49 Os vossos pais comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. 50 Eis aqui o pão que desce do céu: quem dele comer, nunca morrerá. 51 Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Jesus é o alimento que dá vida ao mundo

A Liturgia da Palavra dos últimos domingos nos dá a oportunidade de uma reflexão mais atenta sobre o capítulo 6º do Evangelho de João, o discurso sobre o Pão da vida. Depois da multiplicação dos pães, Jesus vai com seus discípulos a Cafarnaum e oferece uma verdadeira uma catequese eucarística. Neste 19º Domingo do Tempo Comum, a Mesa da Palavra nos convida a perceber a grande verdade que Jesus nos revela: “Eu sou o Pão Vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente” (v. 51).
A narrativa do Evangelho começa com um murmúrio por parte dos judeus porque Jesus havia se apresentado como “o pão que desceu do céu” (v. 41). Diante da fragilidade da fé daquela gente, Jesus convida todos a se deixarem atrair pelo Pai: “ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o atrai” (v. 44), ou seja, o caminho do discipulado, antes de qualquer iniciativa de adesão ou resposta humana, é resultado de uma atração irresistível provocada pelo Pai. O encontro com Jesus é consequência da abertura do coração ao Pai que nos seduz e nos atrai. Aquele que se encontra com o Senhor, aquele que crê Nele, este tem a vida eterna. O Evangelho ainda recorda o episódio do povo da Antiga Aliança que caminhando no deserto tem a fome saciada pelo maná descido do céu, no entanto, este alimento não impede a sua morte (cf. v. 49). Jesus, ao contrário, se apresenta como Aquele que é o próprio alimento, o Pão descido do céu, que mata a fome de Deus no coração das pessoas e este alimento assegura a vida, pois, quem Dele comer viverá eternamente.
Desta maneira Jesus oferece à humanidade de todos os tempos e lugares um presente que não passa, Ele se entrega a si mesmo, Ele é o verdadeiro dom da vida plena e Ele o comunica na sua própria carne, ou seja, através da realidade humana por Ele assumida na Encarnação. Enquanto os judeus se escandalizam com a humanidade de Jesus, considerando-a até mesmo motivo de escândalo e murmúrio, para os que têm fé, a adesão a Cristo, Palavra encarnada do Pai, torna-se o ponto de referência indispensável para se conseguir uma nova vida que dura para sempre.
Este Pão descido do céu é a Eucaristia oferecida para a vida do mundo. No Sacrifício Eucarístico assumimos um compromisso de total adesão à pessoa de Jesus e ao seu projeto de salvação. Por isso, a Celebração da Eucaristia nunca pode ser reduzida a um simples conjunto de ritos, a uma formalidade estéril ou a um cumprimento de preceitos. Celebrar e comungar é encontrar-se com o Cristo vivo, é acolher no coração o próprio Senhor Ressuscitado. Ao celebrarmos a Eucaristia, Sacramento dos Sacramentos, nos nutrimos do próprio Cristo, que se doa para que nos configuremos a Ele. Agora, o discípulo é chamado a considerar a sua própria vida como “corpo entregue” e “sangue derramado” em favor dos irmãos e irmãs. Pois, “cada vez que comungamos, mais nos assemelhamos a Jesus, mais nos transformamos em Jesus” (Papa Francisco, Audiência Geral, 21 de março de 2021).
Aquele que comunga a Eucaristia precisa se tornar instrumento de comunhão em todos os ambientes em que vive. A Eucaristia leva-nos a uma atitude de doação de nós mesmos no serviço fraterno, no amor, na partilha e na solidariedade.
Na força da Eucaristia, percebemos que não nos pertencemos mais a nós mesmos, não podemos viver de maneira egoísta, isolados do mundo e das pessoas, mas devemos comungar com a vida dos irmãos e irmãs, numa atitude de abertura e de compromisso, combatendo corajosamente tudo aquilo que é contrário ao projeto de Jesus: o flagelo da fome, a absurda desigualdade que faz aumentar a miséria, as injustiças presentes no mundo que impedem uma verdadeira amizade social, a violência e as guerras que impossibilitam que vivamos na paz. Transformar esta realidade marcada pelos sinais de morte com o nosso testemunho de viva cristã fará com que a palavra de Jesus se torne viva em nós: “o pão que eu darei é minha carne dada para a vida do mundo”.


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