
Assis é a resposta ao terrorismo
Padre Enzo Fortunato, diretor da Sala de Imprensa do Convento de Assis, faz um balanço do caminho de paz desses 30 anos:
“A gente leva no coração aquilo que aconteceu nos anos anteriores. Em 1986, Guerra Fria: o Papa escolhe Assis e, depois de alguns anos, tem a queda do Muro de Berlim – o símbolo da Guerra Fria. Em 1993, a guerra na Bósnia Herzegovina: o Papa de novo em Assis, sob as marcas de São Francisco, com São Francisco, e logo depois teríamos o Acordo de Dayton. Ainda em 2002, depois do atentado às Torres Gêmeas, uma oração comum de todas as fé religiosas em Assis poucos meses após o 11 de setembro e depois de alguns anos da queda de Al Qaeda, do terrorismo de Al Jazeera. Agora, a gente tem pela frente um novo desafio: o desafio do terrorismo, do autoproclamado Estado Islâmico, e Assis é a resposta ao terror. Essas edições precedentes nos dizem que a força frágil da oração, como chamou o Card. Parolin, é a resposta mais imponente e mais importante à resposta prepotente das armas.”
“Sede de paz. Religiões e Culturas em diálogo”
O tema da Jornada de três dias deste ano – organizada pela Comunidade de Santo Egídio, dioceses locais e Famílias Franciscanas – será “Sede de paz. Religiões e Culturas em diálogo”. Uma conjugação de grandes desafios em busca de uma convivência pacífica entre países, povos e religiões que hoje se vê ameaçada.
O programa vai abrir espaço para diálogos entre cristãos, hebreus, muçulmanos, religiões asiáticas, da África, Europa e Ásia, sobre ecumenismo e também sobre o terrorismo que nega Deus. O encontro inter-religioso ainda vai debater grandes temas econômicos, sociais, ambientais, as desigualdades, a pobreza, os migrantes e refugiados, o papel da mídia nas guerras.
Papa Francisco no encerramento em Assis
No dia 20, na conclusão do evento, Papa Francisco se fará presente em Assis, como nos conta o arcebispo local, Dom Domenico Sorrentino:
“É a terceira vez que recebemos Papa Francisco: naturalmente estamos muito agradecidos. Hoje o acolhemos com mais esperança, porque o espaço e o horizonte se abrem num mundo que se tornou sempre mais globalizado, mas que também tem atravessado sempre mais dialéticas e pressões que fazem temer pelo nosso futuro. Realmente essa experiência de unidade, que o Papa imprime com a sua influência, pode nos dar um caminho de esperança.”
A Jornada Mundial de Oração pela Paz foi apresentada na manhã desta terça-feira (13) na Sala Marconi da Rádio Vaticano. Para o presidente da Comunidade de Santo Egídio, Marco Impagliazzo, o evento em Assis ajuda a aceitarmos com coragem os novos desafios:
“Mais que um mundo que piorou, o mundo vive novos desafios porque entramos no tempo da globalização, que nos faz viver juntos, e do terrorismo, que, ao contrário, quer nos dividir. Então, estaremos em Assis bem para isso: para buscar essa unidade contra quem quer nos dividir”.
Fonte: Rádio Vaticana