Um tempo para ouvir os jovens – Artigo de Dom Gilson Andrade da Silva

Após a grande reflexão sobre a família, realizada pelos dois últimos Sínodos, os nossos pastores, e com eles toda a Igreja, a convite do Papa Francisco, se debruçam agora sobre

Após a grande reflexão sobre a família, realizada pelos dois últimos Sínodos, os nossos pastores, e com eles toda a Igreja, a convite do Papa Francisco, se debruçam agora sobre o tema dos jovens e sua relação com a fé e o discernimento vocacional.

No dia 13 de janeiro foi publicado o Documento preparatório para o Sínodo que tem como título: “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. Dessa vez, o documento veio acompanhado de uma carta do Papa aos jovens a fim de confiar-lhes a colaboração no trabalho que será realizado durante o mês de outubro de 2018 na assembleia sinodal.

Na carta o Papa recorda dois grandes chamados bíblicos, o de Abraão a sair de sua terra e ir em direção do desconhecido que reservava para ele realizações seguras (cf. Gn 12, 1) e o convite de Jesus aos primeiros discípulos para que caminhassem com Ele (cf. Jo 1, 38-39). Os jovens são desafiados a sair ao encontro de uma nova terra, de uma sociedade mais justa e fraterna à qual aspiram e ouvir a voz de Cristo para empreender um itinerário de discernimento para descobrir o projeto de Deus para a sua vida.

Dirigindo-se aos jovens, o Santo Padre lhes recordava: “a Igreja deseja colocar-se à escuta da vossa voz, da vossa sensibilidade, da vossa fé; até das vossas dúvidas e das vossas críticas. Fazei ouvir o vosso grito, deixai-o ressoar nas comunidades e fazei-o chegar aos pastores”.

O Documento preparatório para o Sínodo tem como referência inicial a figura de João e a a narrativa da vocação dos discípulos do Batista em Jo 1,36-39. Desenvolve a sua reflexão a partir de três capítulos. O primeiro, sobre os jovens no mundo de hoje, lança um olhar para a pluralidade de mundos juvenis, identificando a urgência de “promover as capacidades pessoais, colocando-as a serviço de um sólido projeto de crescimento comum”. O segundo capítulo, Fé, discernimento, vocação, apresenta “algumas considerações para um acompanhamento dos jovens a partir da fé, à escuta da tradição da Igreja e com o claro objetivo de assisti-los no seu discernimento vocacional e nas decisões fundamentais da vida”. Mas o que significa acompanhar os jovens na acolhida da alegria do Evangelho numa época marcada pela incerteza, pela precariedade e pela insegurança?  O terceiro capítulo se ocupa do “desafio do cuidado pastoral e do discernimento vocacional, tendo em consideração os protagonistas, os lugares e os instrumentos à disposição”.

Em sua última parte, o Documento preparatório propõe um questionário para recolher dados estatísticos sobre a juventude, ler a situação dos jovens nas suas relações com a Igreja e a sociedade, a pastoral juvenil vocacional e os que acompanham os jovens, incluindo perguntas específicas de acordo com os diversos continentes. No caso do continente americano as perguntas visam responder sobre o modo como as comunidades se ocupam dos jovens que experimentam situações de violência extrema; que formação se oferece para apoiar o compromisso social dos jovens em vista do bem comum e que ações pastorais são mais eficazes para ajudar os jovens a viverem a fé recebida na iniciação cristã no atual contexto de forte secularização.

Com a finalidade de escutar os desejos, os projetos, os sonhos e as dificuldades dos jovens se prevê também uma consulta através de um site na internet. As respostas aos dois questionários constituirão a base para a redação do Documento de Trabalho, o Instrumentum laboris, que será o pronto de referência para a discussão dos padres sinodais.

O Setor Juventude terá nessas reflexões um trabalho importante para o ano de 2017, pois a Igreja quer pedir a ajuda dos jovens para identificar o modo mais eficaz de anunciar o Evangelho. “Através dos jovens, a Igreja poderá perceber a voz do Senhor que ressoa também hoje (…) Ouvindo suas aspirações, podemos vislumbrar o mundo de amanhã que vem ao nosso encontro e os caminhos que a Igreja é chamada a percorrer”.

Dom Gilson Andrade da Silva, bispo auxiliar da Arquidiocese de Salvador

Foto: Equipe de Comunicação da JMJ Live in Salvador

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