HOMILIA DE POSSE – SALVADOR

Queridos irmãos e irmãs aqui reunidos na Catedral Basílica da Transfiguração do Senhor

                               Card. Dom Sergio da Rocha, 05.06.20

Queridos irmãos e irmãs aqui reunidos na Catedral Basílica da Transfiguração do Senhor, representando a Arquidiocese de São Salvador da Bahia, bem como a Igreja presente em outras regiões do país. Minha saudação fraterna a Dom Murilo Krieger, ao qual agradeço imensamente a generosa acolhida, desde o primeiro momento de minha nomeação, e o trabalho dedicado ao longo desses anos como arcebispo de Salvador, recordando-me agradecido pelo tempo em que trabalhamos juntos na CNBB; aos Srs. Bispos auxiliares de Salvador, D. Estevam, D. Hélio e D. Marco Eugênio, que aqui representam também outros irmãos bispos da Bahia aos quais quero agradecer o acolhimento, orações e apoio. Aos Srs. Bispos do Regional Nordeste 3, a minha sincera gratidão pela acolhida, especialmente apresentada na mensagem enviada pela presidência do Regional. Na pessoa de D. João Cardoso, presidente do Regional, o meu agradecimento a todos.

Saúdo o meu querido irmão e amigo Dom Marcony, bispo auxiliar de Brasília, com os padres que o acompanham representando a Arquidiocese de Brasília e o Sr. Bispo auxiliar, D. José Aparecido. Fizeram uma longa viagem de Brasília até aqui, sem medir sacrifícios, acompanhados também de Dom Valdir, bispo de Catanduva, que tive a alegria de contar como bispo auxiliar, em Brasília. Minha especial gratidão à querida Igreja de Brasília, a tantos irmãos e irmãs que me acompanham neste momento, com sua oração. Uma vez mais, obrigado por tudo!

Eu me dirijo, com especial afeto e gratidão, ao povo querido desta Arquidiocese primacial, São Salvador da Bahia, Igreja mãe da qual foram geradas tantas outras dioceses do Brasil; cumprimento afetuosamente aos irmãos e irmãs desta Igreja e de toda a Bahia. Quero saudar, de modo especial, os membros do Colégio de Consultores e do Cabido Metropolitano, todos os sacerdotes e diáconos, os consagrados e as consagradas, os cristãos leigos e leigas, os seminaristas, agradecendo a presença, a oração e a valiosa colaboração de todos na Igreja.

Desde o primeiro momento da nomeação recebida, tenho voltado o olhar e o coração para Salvador como minha nova família. Com amor de pai, irmão e amigo, assumo esta nova missão com esperança e alegria, sabendo que vou encontrar irmãos e amigos, com os quais quero conviver fraternalmente e trabalhar juntos pelo Reino de Deus.

Na pessoa do Excelentíssimo Sr. Prefeito de Salvador, ACM Neto, cumprimento e agradeço todas as autoridades civis e militares presentes ou representadas. Saúdo fraternalmente aos membros de outras Igrejas cristãs e confissões religiosas.

Minha afetuosa saudação se estende a tantas pessoas amigas das Arquidioceses de Teresina e de Fortaleza, nas quais tive a graça de viver e de estar a serviço, como bispo, pelas quais tenho grande amor e gratidão. Saúdo os irmãos e amigos da minha diocese de origem, a Diocese de S. Carlos, no interior de SP, a qual muito devo a minha vocação e formação, especialmente, aos meus familiares, unidos a nós em oração.

Manifesto especial agradecimento ao querido Papa Francisco pela nomeação para uma missão tão exigente numa Igreja com história e cultura tão belas e um povo tão alegre e acolhedor. Ao Sr. Núncio Apostólico, Dom Giovanni D’Aniello, agradeço a fraterna estima e a dedicação à Igreja no Brasil, ao longo destes anos. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, na pessoa de Dom Walmor, o meu agradecimento, de modo especial, pelos anos em que atuei na presidência.

Quero expressar ainda a minha saudação fraterna e solidária a todos os que mais sofrem com a pandemia: os doentes, os seus familiares, os profissionais de saúde e todos os que se dedicam ao cuidado dos enfermos, as famílias enlutadas. Rezamos por vocês e com vocês, esperando ser, sempre mais, solidários.

Inúmeras pessoas manifestaram um grande desejo de estarem presentes nesta celebração. Quero saudar fraternalmente a todos os irmãos e irmãs unidos a nós pelos meios de comunicação que transmitem esta celebração, aos quais muito agradeço: tantas pessoas queridas que gostariam muito de estar aqui presentes, mas infelizmente não puderam se deslocar até aqui. Irmãos que, de diversas formas, manifestaram amizade, acolhida e orações. Sou profundamente agradecido a todos!

Irmãos e irmãs, eu teria muito a lhes dizer, mas não pretendo cansá-los demais. Se Deus quiser, terei muitas outras ocasiões para falar ao clero, aos religiosos e aos fiéis leigos da Arquidiocese de Salvador.

É a Palavra de Deus que deve falar aos nossos corações, iluminando esta nossa reflexão, motivando a nossa oração e indicando os passos a seguir. A sua riqueza, como sempre, é imensa. Permitam-me ressaltar alguns aspectos, de especial importância, nesta celebração de posse, que indicam o caminho a seguir para o novo arcebispo e a Igreja.

O primeiro aspecto refere-se ao amor de Deus para entender como devemos amar e como a Igreja é chamada a amar. Deus nos amou primeiro. Afirma a primeira carta de João: “Não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou e enviou seu Filho”, acrescentando: “Se Deus nos amou assim, nós também devemos amar-nos uns aos outros” (1Jo 4,10). A Igreja de Salvador é chamada a experimentar e a testemunhar o amor de Deus em gestos concretos de serviço e de solidariedade.  É chamada a amar a todos, especialmente os mais sofredores. Amar antes de ser amada. Amar mais do que ser amada. Amar com generosidade, gratuitamente. Amor que se manifesta, tantas vezes, no perdão que é fonte de reconciliação e de paz, no serviço aos pobres, aos doentes e a todos os que mais sofrem. A Igreja chamada a ser comunidade de fé e de amor, além das iniciativas pessoais e espontâneas, com iniciativas pastorais comunitárias.

“Fui quem vos escolhi” (Jo 15,16), afirma Jesus, aos seus discípulos, no Evangelho proclamado, isto é, a iniciativa é dele, o seu amor vem primeiro. O querido Papa Francisco expressou esta atitude, falando em “primeirar”. Ser o primeiro na vivência do amor, amar e servir por primeiro, de graça, sem esperar recompensa. Isso que vale para toda a Igreja, peço a Deus que seja uma realidade cada vez mais, em Salvador. A Arquidiocese primacial, primeira no Brasil, seja conhecida pela primazia do amor fraterno, da caridade e da comunhão. A nossa Igreja em Salvador seja Igreja da misericórdia, da caridade, da acolhida fraterna, do diálogo, do perdão, da justiça e da paz. Eu tenho experimentado este jeito de amar na Igreja de Salvador e da Bahia, desde a minha nomeação, pois tenho me sentido amado e acolhido, por primeiro, antes de conseguir expressar o amor e o serviço, o que espero fazer a partir de agora, pela graça de Deus. Exemplos desta Igreja da caridade não faltam em Salvador. Dentre tantos, quero recordar a nossa querida Santa Dulce dos Pobres, cujo testemunho nos motiva a amar e a servir a todos, especialmente os pobres, os doentes e os fragilizados.

“Permanecei no meu amor”, afirma Jesus aos discípulos, dando-lhes o novo mandamento: “que vos ameis uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15,12).  A Igreja missionária, é chamada a anunciar, com coragem, e a compartilhar a alegria do Evangelho, a testemunhar o mandamento do amor, como fizeram tantos missionários, como São Francisco Xavier, padroeiro de nossa cidade. Sejamos uma Igreja missionária pelo anúncio e pelo testemunho da caridade.

O Salmo que rezamos e meditamos nos convida a cantar eternamente o amor de Deus. Transmite a certeza da presença misericordiosa de Deus com aqueles que envia em missão. Vivemos desta fé, da certeza da presença do Senhor que prometeu estar conosco até o fim. Por isso, jamais desanimamos diante dos desafios.

Enfim, meus irmãos e minhas irmãs, para viver da caridade, necessitamos de muita oração. Quem quer amar e servir, deve rezar. Rezar para amar e servir. Amar e servir para poder rezar bem. A Igreja missionária, a Igreja servidora da caridade, é também a Igreja orante, contemplativa, à escuta do Senhor, para poder discernir atentamente os passos a seguir no cumprimento da sua missão. Esta Catedral Basílica nos inspire a refazer sempre a experiência da Transfiguração, para ouvir a voz de Deus, para contemplar Jesus e sair em missão.

O meu lema episcopal é “Omnia in caritate”, que pode ser traduzido por “Tudo na caridade” ou “Em tudo, a caridade”. Peço, encarecidamente, rezem por mim para que eu possa ser fiel servidor desta Igreja primacial, na caridade de Cristo.

O nosso Salvador é Jesus. Ele é o Senhor e o Pastor do Rebanho, que a todos guia, pelo seu Santo Espírito. Por isso, a ele confio o meu ministério episcopal, a vida e a missão da Arquidiocese de Salvador. Peço as bençãos do Senhor do Bonfim para todos, contando com a intercessão materna de Nossa Senhora da Conceição da Praia, padroeira da Bahia e de Santa Dulce dos Pobres.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Compartilhar:

Categorias

Veja também

Artigos de Dom Sergio, Formação, Notícias

Sacramentos

Horários de

Missa

Ano Jubilar

Notícias relacionadas

Retomada da Equipe Sinodal Arquidiocesana marca novo impulso para implementação do Documento Final do Sínodo

A Arquidiocese de São Salvador da Bahia retomou, na manhã deste sábado, 11 de abril, as atividades da Equipe Sinodal Arquidiocesana. O encontro aconteceu

Programa Oração Por Um Dia Feliz – 11.04.2026



Programa Oração Por Um Dia Feliz – 10.04.2026



Continue navegando