A Padroeira e as crianças

Cardeal Dom Sergio da Rocha

Arcebispo de São Salvador da Bahia, Primaz do Brasil

A celebração da Padroeira do Brasil ocorre anualmente dia 12 de outubro, com peregrinações ao Santuário Nacional de Aparecida, novenas e celebrações em inúmeras comunidades espalhadas por todo o país, de tal modo que a sua relevância ultrapassa a Igreja Católica, pois a devoção mariana integra a identidade cultural do povo brasileiro. No mesmo dia, tem se difundido no Brasil o Dia das Crianças. Apesar do crescente apelo comercial levando à compra de presentes, pode ser uma ocasião especial para refletir sobre a realidade vivida pelas crianças, vítimas de graves problemas sociais, e para reafirmar a dignidade inviolável de cada criança, a ser promovida e defendida nas famílias, nas escolas, nas Igrejas e nos diversos ambientes, e a ser garantida pela legislação e ação dos órgãos públicos. Infelizmente, a infância tem sido negada e violada por graves situações, como a fome, a desnutrição, a falta de assistência médica e de educação escolar, o tráfico humano, o trabalho infantil e o abuso sexual. As crianças pobres são as maiores vítimas, revelando a face desumana de nossa sociedade e interpelando a todos nós. É preciso redobrar o empenho no cuidado, na defesa e proteção das crianças, oferecendo-lhes condições dignas de vida humana.

O Dia das Crianças é comemorado em datas diferentes, segundo cada país. No Brasil, coincide com a celebração de Nossa Senhora Aparecida, a Mãe de Jesus, venerada na pequenina imagem de Nossa Senhora da Conceição que recebeu o nome de Aparecida, pelo modo como foi encontrada, tendo sido adornada, mais tarde, com o manto azul e a coroa. Num momento de grande dificuldade, três humildes pescadores encontraram a pequenina imagem, em duas partes, nas águas do rio Paraíba, em 1717. Eles necessitavam conseguir rapidamente uma pesca abundante; se não poderiam padecer duras consequências.

O encontro daquela imagem foi um sinal de que eles não estavam sozinhos, mas contavam com a proteção da Mãe de Jesus. Com humildade e fé, eles não a desprezaram, mas levaram consigo e passaram a venerá-la. Eles repetiram o gesto do discípulo amado que recebeu Maria como Mãe, aos pés da cruz, segundo as palavras de Jesus, levando-a para casa. Com o olhar da fé, podemos dizer que não foram os pescadores que encontraram Nossa Senhora, mas que foi ela quem veio ao encontro deles numa hora de aflição. O gesto daqueles humildes pescadores tem se repetido ao longo da história na vida de inúmeros devotos de Nossa Senhora Aparecida, inclusive de uma multidão de crianças. Na imagem de Aparecida, Maria é a Mãe que vem nos ensinar a amar e a cuidar das crianças, como ela cuidou do Menino Jesus. É a Mãe que conduz a Jesus, que se fez criança, abraçou e abençoou as crianças.

*Artigo publicado no jornal A Tarde, em 10 de outubro de 2021.

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