Acompanhamento de jovens: escuta, discernimento e tomada de decisão

Por padre Sergio Esteban González Martínez, CSS

Vigário paroquial da Paróquia São João Evangelista (Mussurunga)

O Pontificado do Papa Francisco teve ressaltado a figura do jovem na Igreja, a participação juvenil constitui uma parte essencial na dinâmica eclesial e sociedade para formar a realidade poliédrica apresentada pelo Sumo Pontífice. Nessa figura cada parte tem a sua originalidade, particularidade e participação no tudo rumo ao bem comum, mas para que o encontro entre as partes aconteça na formação contínua do poliedro, as partes precisam preparação no momento da união, em vista que o encontro com o singular e diferente produz necessariamente confronto entre as partes. Essa realidade conflitiva fruto do encontro de partes originais e únicas pode ocasionar separação e exclusão quando não é devidamente preparada e educada para relação. Pode-se afirmar que uma parte dessa figura pertence aos jovens, sem a comunhão e participação deles a figura do poliedro enfraquece. Sendo assim, é urgente criar na Igreja e na sociedade espaços de inclusão e acompanhamentos juvenis nas suas diferentes necessidades e realidades, é possível pensar uma participação constante e ativa só por meio do acompanhamento integral, onde se ofereça aos jovens as condições necessárias para seu respetivo desenvolvimento, dando os elementos que precisam para descobrir a sua identidade e missão no mundo, sempre numa visão particular – sem cair na tentação de querer reduzir as realidades juvenis numa massa unificadora – e unitária – sempre com a finalidade de unir essa parte do poliedro no tudo.

Tendo como objetivo central o acompanhamento rumo à participação, propõe-se neste trabalho apresentar três elementos indispensáveis para as realidades juvenis: a escuta, o discernimento e a tomada de decisão. A partir da leitura de dois documentos eclesiais ressalta-se um caminho pedagógico e necessário para o acompanhamento, inserção e participação dos jovens na Igreja. Por meio de estudos bibliográficos e observância da realidade atual pretende-se destacar o documento final do Sínodo dos Bispos de 2018 titulado: Os jovens, a fé e o discernimento vocacional. Nele ressalta-se a passagem bíblica dos discípulos de Emaús no Evangelho segundo Lucas, no caminho encontra-se três elementos processuais da pedagogia da escuta, discernimento e tomada de decisão. Como acompanhar? Qual pedagogia? Como aplicar os três elementos mencionados?

“Pôs-se a caminhar com eles” é o primeiro elemento que manifesta a arte da escuta à luz da fé, neste ínterim evita-se confundir alguns elementos necessários da escuta e manifesta-se a importância do espaço da acolhida para deixar que o outro expresse o seu pensamento, sentimento e realidade por meio da fala, sem cair na tentação de emitir julgamentos prontos e parciais.

“Os olhos deles se abriram” manifesta o segundo elemento pedagógico do acompanhamento que se apresenta como processo de discernimento, ao início sublinha-se a ação do Espírito Santo como aquele que abre os olhos dos dois viajantes e impulsiona para uma autêntica experiência com o Ressuscitado, posteriormente salienta-se a importância de outros fatores significativos como: as caraterísticas próprias da idade juvenil, o período juvenil como idade das decisões rumo a vida adulta, as  perguntas existenciais que devem ser orientadas para alcançar uma felicidade genuína e duradoura: para quem sou eu? Em sínteses o discernimento auxilia os jovens para as importâncias das escolhas com a intensão de inserção na sociedade, assim como os dois discípulos gradualmente iam discernindo no caminho, o fruto de um bom discernimento se manifesta no retorno a Jerusalém.

“Naquela mesma hora, voltaram” é o terceiro ponto que se destaca neste trabalho como o elemento de tomada de decisão, o acompanhamento juvenil manifesta-se no compromisso de voltar para Jerusalém onde está a comunidade reunida, sem medo e com coragem os discípulos empreendem a missão rumo à unidade. Desta maneira, pode-se pensar uma Igreja Sinodal onde todos os batizados participem da sua missão como cristãos. Os jovens não só participam no agir da Igreja, senão contribuem para despertar a sinodalidade dela.

O segundo documento eclesial que este trabalho desenvolve é o Texto-Base da Campanha da Fraternidade de 2022 que tem como tema: Fraternidade e educação e como lema: Fala com sabedoria, ensina com amor (cf. Pr. 31,26). Pretende-se destacar três pontos essenciais para o acompanhamento dos jovens na atualidade – em harmonia com o Sínodo dos Bispos de 2018 – a escuta, o discernimento e a tomada de decisão. O primeiro elemento oferece uma escuta integral que passa pelo ouvido e coração, com o auxílio da empatia abre espaço para uma escuta acolhedora, sem julgamento nem parcialidade, sempre em harmonia com o silêncio que contribui para a adequada percepção do conteúdo do ser falante e a sua capacidade de compreensão da realidade. O segundo elemento – o discernimento – que está situado entre a escuta e o agir proporciona ao acompanhado jovem o elemento ‘tempo’ que ajuda a distinguir as informações e a processá-las respetivamente. O terceiro elemento – a tomada de decisão – é a resposta de um acompanhamento que se manifesta no comprometimento da busca de uma sociedade fraterna, uma capaz de falar com sabedoria e ensinar com amor (cf. Pr. 31,26). Percorrer o caminho da escuta, discernimento e tomada de decisão à luz do Sínodo dos Bispos de 2018 e a Campanha da Fraternidade de 2022 edifica uma realidade poliédrica, onde os jovens formem parte de maneira ativa e comprometida com as suas peculiaridades, originalidades e as características próprias da idade. Só a partir dessa inserção e participação, fruto do acompanhamento integral pode-se pensar numa sociedade fraterna com capacidade de diálogo e encontro.

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