Dignidade infinita

Temos a irrenunciável tarefa, no dia-a-dia, de fazer valer a dignidade infinita de cada pessoa, dom inestimável do Criador

Cardeal Dom Sergio da Rocha

Arcebispo de São Salvador da Bahia, Primaz do Brasil

A questão da dignidade da pessoa humana é de profunda atualidade, por suas implicações de cunho ético e social. O tema que à primeira vista parece ser simples e óbvio não deve ser descuidado. No mundo marcado por avanços extraordinários nos campos científico e técnico perdura a triste tendência em atribuir maior ou menor dignidade às pessoas, de acordo com as suas condições de vida. Ela tem graves consequências no âmbito dos relacionamentos humanos e sociais. Não se pode fazer abatimentos quando a questão é a dignidade da pessoa humana.

O “valor” de uma pessoa não pode ser definido a partir da sua riqueza, profissão, estudo, moradia, aparência, raça, dentre outros fatores. Quando isso acontece, temos o desrespeito, a discriminação, a desigualdade, as violações à vida e aos direitos fundamentais. A desigualdade em termos de dignidade acarreta desastrosas consequências nos relacionamentos entre as pessoas, na vida familiar e social.

O valor de uma pessoa decorre do fato de ser gente; é inerente à sua condição de ser humano. A dignidade humana não ocorre por concessão de alguma pessoa ou instituição social; é um dado antropológico a ser reconhecido e tutelado pelas instituições sociais, que não podem jamais ignorá-la ou permitir a sua violação nas mais variadas formas. Toda pessoa humana possui uma dignidade infinita, que deve ser reconhecida, defendida e promovida em qualquer condição ou situação em que se encontrar. Não se pode atribuir menor dignidade à vida que se encontra fragilizada. Menor condição de vida ou de saúde não significa menor dignidade. Ao contrário, a vida mais vulnerável necessita de maior cuidado e proteção.

Foi publicada no dia 08 de abril deste ano, uma Declaração do Dicastério para a Doutrina da Fé e aprovada pelo Papa Francisco, intitulada “Dignitas infinita” (Dignidade infinita), reafirmando e contextualizando no mundo de hoje o princípio da dignidade humana, denunciando as suas graves violações. “Diante de tantas violações da dignidade humana que ameaçam seriamente o futuro da humanidade, a Igreja encoraja a promoção da dignidade de cada pessoa humana, sejam quais forem as suas qualidades físicas, psíquicas, culturais, sociais e religiosas”, afirma o documento.

A defesa e a promoção da comum dignidade da pessoa, nos diversos campos da vida social, devem acontecer através da ação dos órgãos públicos, de entidades da sociedade civil e de organizações religiosas, com políticas públicas e ações comunitárias. A afirmação de que toda pessoa humana tem uma dignidade inviolável não deve ficar restrita a um princípio geral, mas deve ser traduzida na prática, a começar da vida cotidiana. Temos a irrenunciável tarefa, no dia-a-dia, de fazer valer a dignidade infinita de cada pessoa, dom inestimável do Criador.

*Artigo publicado no jornal A Tarde, em 14 de julho de 2024.

 

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