Mariana Sarmento de Abreu
Missionária consagrada da Comunidade Católica Nascidos da Cruz
Atualmente as pessoas não têm tempo para entender quem realmente são. Tudo tem acontecido de maneira tão rápida e agressiva que fica difícil experimentar a vida com alegria, leveza e confiança, porque tudo precisa acontecer de maneira instantânea. O agora é algo tão comum hoje em dia que parar para pensar é sempre um grande desafio, precisa-se com urgência de espaços para respirar sem ficar pensando em respostas imediatas ou naquilo que é para ser feito no próximo minuto, por exemplo. Desta forma, esquece-se que as coisas, normalmente, levam tempo para acontecer e quando falamos do que é real, principalmente – e a vida é real -, é preciso esperar.
Com frequência comenta-se a respeito da vida e o quanto precisamos valorizá-la, sobre a necessidade de ter assistência, cuidado e até mesmo de como encontrar um significado para ela, da busca por sentido e qualidade. No entanto, é necessário perguntar se realmente temos dado importância à vida de maneira geral, sem pensar egoisticamente ou até mesmo sem interromper aquele processo natural que faz parte dela e a torna tão única e irrepetível: o nascer, o desenvolver, o alimentar, o investir. Se olharmos um pouco mais a natureza à nossa volta vamos logo encontrar vida e uma beleza que, sem dúvida, revela o seu Criador e perceber, por exemplo, que parte do que torna as flores, as árvores e os pássaros lindos é simplesmente o tempo que levou para crescer ou o processo que precisou passar para mostrar quem é.
Entender quem somos é o processo mais profundo e belo que o ser humano decide trilhar e o mais interessante nele é que ninguém o pode fazer por nós mesmos. O fato é que não tem como percorrer esse caminho de encontro consigo mesmo sem encontrar-se com Aquele que nos habita, que está no mais íntimo de nós, experimentando com profundidade o Seu amor e a Sua infinita misericórdia.
É preciso tempo para encontrar-se com Ele! Quando o homem se afasta da verdade de quem é ou está parado em limites, fraquezas ou fracassos, ou simplesmente se distanciou Daquele que revela a sua verdadeira essência, ou ainda porque se acostumou com a visão limitada que traz a respeito de si mesmo, é muito fácil ficar confuso e perdido quando se move tão rápido sem manter os olhos fixos em Deus. Isso também acontece quando se desejar alcançar alguma meta ou quando deseja agradar a todos fazendo escolhas sem pensar nas consequências diretas que atingem de maneira negativa a própria vida ou a vida de outros.
A vida é cheia de surpresas, desafios e até mesmo exigências que precisam ser correspondidas com coragem e responsabilidade. Por isso, a vida pede de nós empenho, decisão, compromisso, mas também simplicidade e atenção àqueles mínimos detalhes que são extremamente importantes e que, geralmente, não aparecem, ficam escondidos no cotidiano e possuem ricos significados. Somos todos aprendizes e, como em qualquer ofício que se exerce, com o tempo ganha-se habilidade no manuseio de cada instrumento ou objeto. Ou seja, vamos vivendo com a destreza que a vida nos oferece a cada dia, sendo um trajeto percorrido a partir das próprias escolhas num processo contínuo de descobertas e amadurecimento que vai implicar sempre numa adesão total à vontade do Criador.
Diante disso, é necessário mover-se para dentro de si mesmo no ritmo que o Senhor apresentar, encontrar-se com Ele e experimentar do verdadeiro sentido que o Amor dá à nossa existência. Não ficar parado, pois o convite é para olhar Àquele que fora transpassado, isto introduz-nos neste grande mistério do amor de Jesus que “amou-os até o fim”, mas está vivo em nosso meio e permanecer no espaço que Ele escolheu para cada um, um espaço único, simples e seguro, um verdadeiro refúgio e lugar de intensa alegria, ou seja, uma porta aberta que se torna para todos fonte de verdadeira vida e esperança.
Por fim, entende-se quem é à medida que se disponibiliza para colocar-se na presença viva do Cristo Crucificado, parando e dedicando um tempo qualitativo para este encontro que muda a vida. Permitir que Ele retire as nossas máscaras, revelando tudo, afinal de contas a vida não é uma peça teatral, precisa ser real e, desta forma, é de fundamental importância experimentar o renascer da água e do Espírito para nascer de novo e viver de novo num ciclo contínuo e intenso, mostrando que o amor incansável de Deus prevalecerá, Ele que nos faz capazes de viver.



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