Filhos de Deus, filhos da Virgem Maria

Por padre Gabriel Mota

Pároco da Paróquia Nossa Senhora do Carmo (Sete de Abril)

O batismo é a grande porta da fé que nos confere a graça da vida divina, nos tornando filhos de Deus e membros da Igreja, através de Jesus, que se fez nosso irmão. Como irmãos de Jesus, além de nos dirigirmos a Deus como Pai, somos presenteados por Ele em poder chamar de mãe a Sua Mãe. No nascimento da Igreja, no sacrifício da cruz, Jesus nos dá Maria como Mãe; ela é acolhida pela Igreja, na pessoa do Apóstolo João, e, sendo mãe da cabeça da Igreja, é mãe também de todos os membros que, pelo batismo, fazem parte deste corpo. Assim, ela é nossa mãe porque primeiro Deus a fez Sua mãe.

O mês de maio sempre nos recorda a imensa alegria de termos Nossa Senhora como nossa mãe. A fé que da Igreja recebemos e que nós, devotamente e das mais variadas formas, expressamos, nos dá a certeza de sua maternidade, e nos faz experimentar todas as qualidades de uma mãe. Todo filho busca em sua mãe as virtudes que lhe asseguram a certeza de serem amados, porém, as limitações e a fragilidade humana, por vezes, não realiza nos filhos a expectativa do amor e cuidado esperado. Em Maria, essas virtudes transbordam, por isso, nela, temos a certeza que não nos faltará o seu colo para nos aconchegar, proteger e amparar em todas as necessidades; nela não nos faltará amor.

Voltado a ela, o nosso olhar de filhos encontra em seu olhar a mais doce ternura de mãe; encontra impulso para seguirmos em nossa caminhada, assim como Jesus, que no caminho da cruz encontrou sua mãe, e, no olhar dela, a força para seguir o plano do Pai, abraçando a cruz. Também nós, seus filhos, temos no olhar de Maria o ânimo e a coragem para seguirmos firmes. Sobretudo em nossas dificuldades, o seu olhar não nos deixa desistir de caminhar, o seu olhar não deixa os nossos passos serem trilhados fora do caminho, que é o seu filho Jesus.

Aprendemos, desde cedo, que podemos contar com a Virgem Maria. Desde crianças, aprendemos a chamá-la de mãezinha do céu, a saber que ela intercede por nós e que podemos contar com seus cuidados. A Igreja, que vê em Nossa Senhora um modelo perfeito de santidade, nos ensina a acolhê-la como mãe, invocada por muitos modos, diversos títulos que sintetizam as várias formas que temos de expressar o nosso amor. O Papa Francisco nos diz que uma Igreja sem Maria é um orfanato. Como é bom poder nos dirigir a ela, com toda liberdade e confiança em saber que temos uma mãe amorosa e não somos órfãos.

A maternidade de Maria é uma via para a nossa salvação. Por meio dela brilhou nova luz para nós, com o nascimento de Jesus. Compreendemos que chamar Maria de mãe não é algo simplório, mas é o reconhecimento de que sua maternidade nos faz experimentar a vida divina, sua maternidade nos conduz ao céu. Sermos filhos da mãe do filho de Deus, nos dá a segurança de que estaremos sempre bem guardados por seu amor, pois ela, tendo cuidado do filho santo de Deus, pode cuidar dos seus filhos pecadores, rogando dia e noite, durante esta vida até a hora da nossa morte.

Encerramos este mês de homenagens à Nossa Senhora, mas como bons filhos continuamos a sempre propagar, em nossa vida, as suas glórias. Poder dizer que somos filhos de Maria é motivo de muita alegria, pois biologicamente só Jesus tem esse privilégio, mas, por Sua bondade, nos concede participar espiritualmente desta condição privilegiada de filhos. Roguemos a ela com toda segurança de sermos sempre atendidos, como nos ensina São Bernardo, que nunca se ouviu dizer que alguém que tenha recorrido à proteção da Virgem Maria, que tenha implorado a sua assistência e suplicado vosso socorro, fosse por ela desamparado. Sigamos com esta confiança, guardados neste precioso coração  materno, e agradeçamos a Deus por nos fazer filhos de sua digníssima Mãe. Salve Maria!

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