HOMILIA – ORDENAÇÃO DIACONAL

Ordenação dos Diáconos Deivisson Conceição Batista e Rafael de Freitas Pereira, da Arquidiocese de São Salvador da Bahia, realizada no Santuário Santa Dulce dos Pobres, em Salvador, 17.07.202.1, presidida pelo Cardeal Dom Sergio da Rocha, arcebispo primaz do Brasil.       

Queridos irmãos e irmãs. A passagem do Evangelho (Jo 15,9-17) que acabamos de ouvir se situa no contexto da última ceia, durante a qual Jesus nos deixa, juntamente com a Eucaristia, o gesto do lava-pés, como sinal de serviço humilde e de doação da própria vida. Os diáconos têm a sua espiritualidade própria centrada no seguimento de Jesus Cristo, Servidor: Cristo Servo que lava os pés dos seus discípulos. Jesus Crucificado que doa a sua vida na cruz.  Ambos os gestos são expressão de amor, do verdadeiro amor que Deus tem por nós.

O diácono é chamado a ser servidor do Senhor e de sua Igreja. O diaconado é um grande dom de Deus, mas não pode ser entendido como honraria ou fonte de privilégios. O diaconado é serviço, enquanto ministério ordenado. Para exercer o diaconado, é preciso ter o coração e a vida de servo do Senhor e de servidor da Igreja.

O diácono é chamado a ser servidor, especialmente dos mais pobres e sofredores, como nos recorda o livro dos Atos dos Apóstolos (At 6,1-7b), ao relatar a instituição dos Sete, reconhecidos como os primeiros diáconos de nossa Igreja. Os apóstolos escolheram sete homens “cheios do Espírito Santo e de sabedoria”, e lhes impuseram as mãos, em primeiro lugar para o serviço da caridade, isto é, da partilha do pão entre os mais pobres. A Igreja Primacial do Brasil repete hoje aquele gesto apostólico, confiando a estes nossos dois irmãos o ministério diaconal, suplicando a Deus que estejam sempre “cheios do E. Santo e de sabedoria”, como os primeiros diáconos, a fim de se tornarem verdadeiros servidores de Cristo.

Desde as origens apostólicas, o diácono está ligado ao serviço da caridade. Trata-se da vivência da caridade, que é o amor cristão, de modo espontâneo, mas especialmente, de modo organizado, assumido pela comunidade. Somos chamados a ser Igreja Servidora, misericordiosa, fraterna, solidária e acolhedora, contando com os diáconos.  Sendo geralmente curto o tempo de experiência diaconal para os que serão ordenados presbíteros, é preciso redobrar os esforços para vivê-lo ainda mais intensamente através do tríplice serviço que lhes é confiado: Serviço do Altar, o Serviço da Palavra e o Serviço da Caridade. O tríplice serviço prestado pelos diáconos deve ser vivido de modo harmônico, sem descuidar de nenhum dos três.

Numa Igreja que quer ser missionária, o Serviço da Palavra reveste-se de uma importância cada vez maior. Por isso, os ordenandos irão receber logo mais o livro do Evangelho. Deivisson e Rafael, guardem no coração e procurem viver o que a Igreja lhes diz no momento da entrega da Bíblia: “transforma em fé viva o que leres, ensina aquilo que creres e procura realizar o que ensinares”.  Sejam ouvintes e praticantes da Palavra! Ajudem o nosso Povo a conhecer e a viver a Palavra de Deus! Proclamem a Palavra de Deus não apenas nas celebrações litúrgicas, mas no dia a dia, evangelizando através do testemunho.

Lembrem-se também da dignidade do serviço do Altar, que irão desempenhar, através da colaboração nas celebrações da Eucaristia nas funções que lhe são próprias, na celebração dos sacramentos do Batismo e do Matrimônio e nas Celebrações da Palavra. Rezem com a Igreja e pela Igreja a Liturgia das Horas. A vida de oração dos ministros ordenados seja estímulo para os fiéis rezarem sempre mais e melhor. Tenham sempre zelo pela liturgia e participem do altar não apenas como executores de tarefas, mas como ministros que dele se aproximam buscando a santidade e a graça de Deus.

“Não fostes vós que me escolhestes; fui eu quem vos escolhi e vos designei para produzirdes fruto e para que o vosso fruto permaneça”. Este trecho do Evangelho, escolhido por vocês, expressa em primeiro lugar, a consciência da gratuidade do chamado: a nossa vocação é dom de Deus, fruto do amor misericordioso de Deus, sustentada pela graça de Deus.

Ao mesmo tempo, o trecho escolhido pressupõe responsabilidade diante da gratuidade do chamado. “Eu vos escolhi para produzirdes fruto e para que o vosso fruto permaneça”, afirma Jesus. Nós temos a responsabilidade de produzir os frutos esperados por Cristo dos seus discípulos e missionários. Permanecer no amor implica em observar os mandamentos. A experiência da gratuidade do chamado, se for verdadeira, leva à conversão e a vida nova.  Confiar no amor de Deus, saber que Deus nos ama como somos, deve ser motivo para corresponder cada vez mais à graça recebida, crescer cada vez mais na vida cristã, ser fiel, jamais se acomodando na vida espiritual. Na verdade, a passagem de João que ouvimos, fala de “fruto”, no singular, de “fruto” que permanece.  O próprio Jesus nos esclarece qual é este fruto que permanece ao nos deixar o mandamento novo: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. O amor, a caridade, é este fruto que Deus espera dos seus discípulos.

Cada um dos novos diáconos, ao receber o ministério diaconal, assume o compromisso de celibato, belo e exigente, expressão da oferta total de sua vida pelo Reino de Deus, sinal da sua disponibilidade generosa de amar e servir a todos. O celibato não é uma simples renúncia ao casamento para viver sem compromisso. O simples não se casar poderia ser até cômodo no mundo de hoje, com tantos desafios para a vida matrimonial. Sendo celibato pelo Reino de Deus, somente poderá ser vivido e sustentado pela acolhida constante da graça de Deus, por uma vida intensa de oração e meditação da Palavra que tem seu ápice na Eucaristia e ainda através do amor fraterno e da caridade pastoral. O celibato deve ser vivido na castidade, com o esforço sincero e a confiança na graça de Deus. Ele se torna fonte de alegria e de fecundidade espiritual para os que se dispõe a vivê-lo com coerência e responsabilidade.

O ministério diaconal é graça, é dom de Deus, sustentado pela graça de Deus. Quem o recebe refaz a experiência do profeta Jeremias (Jr 1,4-9) que reconhece a sua pequenez diante da grandeza da missão profética que recebia. Mas assim como ocorreu com Jeremias tenham a certeza da presença de Deus sustentando aqueles que ele chama e envia: Não tenhas medo, eu estarei contigo. É a Palavra que o Senhor dirige hoje também aos novos diáconos: “Não tenhas medo, pois eu estou contigo”. Não tenham medo diante dos desafios pastorais e exigências do ministério. Além disso, os novos diáconos também podem contar com a presença amiga, com a oração e o apoio fraterno da Igreja, de familiares, amigos, membros do povo de Deus aqui presentes e muitos que estão unidos a nós pelos meios de comunicação que transmitem esta celebração.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

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