Irmandades, Confrarias, Ordens Terceiras e Devoções: quem são?

Pe. Jonathan de Jesus,

Delegado Episcopal para as Irmandades,

Confrarias, Ordens Terceiras e Devoções.

 

É comum nos grandes festejos da nossa Arquidiocese encontrarmos homens e mulheres paramentados com indumentárias que os destacam em meio à multidão dos fiéis. Também não é difícil perceber os olhares de estranheza de muitas pessoas a questionar: Quem são? Poucos sabem que estes homens e mulheres estão ligados a uma Instituição Eclesiástica secular, que possuem carismas diversos, promovem as devoções por séculos em nossa Arquidiocese e mantêm viva a cultura religiosa e alguns dos mais belos templos da nossa cidade. Estes são irmãos e irmãs das diversas Irmandades, Confrarias, Ordens Terceiras e Devoções.

Mas, o que elas são? Primeiro vamos encontrá-las no Código de Direito Canônico, que legisla sobre a organização e o governo da Igreja Católica Apostólica Romana, garantido os direitos e os deveres dos fiéis dentro da Instituição Eclesiástica. Canonicamente esses grupos religiosos são chamados de Associação de fiéis. Assim nos diz o Cânon 215 do CDC:

“Os fiéis têm o direito de fundar e dirigir livremente associações para fins de caridade e piedade, ou para favorecer a vocação cristã no mundo, e de se reunirem para consecução comum dessas finalidades”.

Em primeira instância, são organismos legítimos que, segundo sua vocação, devem promover sempre a caridade, de forma mais específica em atenção às obras de Misericórdia: dar de comer a que tem fome, dar de beber a quem tem sede, dar pousada aos peregrinos, vestir os nus, visitar os enfermos, visitar os presos, enterrar os mortos. Em seguida, a promoção da vida devota, onde geralmente se estabelece a partir da espiritualidade de alguma das ordens religiosas, como as Ordens Terceiras de Dominicanas e Franciscanas, ou também, dos santos de devoção, como Nossa Senhora e diversos santos. Promovendo sempre o culto divino e a sua fidelidade à Igreja como Mãe. Por fim, neste artigo se dispõe a finalidade ideal, a vocação cristã no mundo, ou seja, a santidade batismal, vivendo-a no serviço ao Reino de Deus e a Evangelização.

Por isso, essas Instituições só podem nascer através da autorização da Igreja, pois, segundo o Cânon 312 do Direito Canônico, “nenhuma associação assuma o nome de “católica”, sem o consentimento da autoridade eclesiástica competente”, neste caso o Bispo Diocesano. Neste princípio todas essas Associações de fiéis precisam sempre estar estritamente em comunhão com a Igreja, pois devem estar dispostas a ensinar a doutrina cristã em nome da Igreja e promover o culto público. Por isso, para não perder seu caráter católico:

“Todas as associações de fiéis estão sujeitas à vigilância da autoridade eclesiástica competente, à qual pertence velar para que nelas se mantenha a integridade da fé e dos costumes, e cuidar que não se introduzam abusos na disciplina eclesiástica; por isso, compete-lhe o dever e o direito de as visitar segundo as normas do direito e dos estatutos”.

Consentindo essas observações em nossa Arquidiocese, possuímos a COIDE, que é a Comissão de Ordens Terceiras, Confrarias, Irmandades e Devoções. Esse Organismo Arquidiocesano costuma encontrar-se todas as segundas segundas-feiras de cada mês com cada representante legítimo das diversas Irmandades. Nestas reuniões conta-se sempre com o Delegado Episcopal para as Irmandades, sacerdote que está incumbido de acompanhar juridicamente e pastoralmente essas Associações de fiéis. Nestes encontros intercalamos assuntos de ordem administrativa nos internos das agremiações, assim também como assuntos de ordem pastoral e espiritual para favorecer a formação e a espiritualidade dos dirigentes.

Em nossa Igreja Particular possuímos duas Confrarias (Confraria de Nossa Senhora do Rosário de Itapagipe e Confraria de S. José de Itapagipe); duas Devoções (Devoção do Senhor Bom Jesus do Bonfim e Devoção do Senhor Bom Jesus dos Navegantes e Nossa Senhora da Boa Viagem); Sete Ordens Terceiras (Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora da Imaculada Conceição do Boqueirão, Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, Venerável Ordem Terceira de São Domingo de Gusmão, Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Rosário de Nossa Senhora às Portas do Carmo, Irmandade dos Homens Pretos, Venerável Ordem Terceira Secular de São Francisco da Bahia, Ordem Franciscana Secular do Convento de São Francisco, OFS, Ordem Franciscana Secular de Nossa Senhora da Piedade) e treze Irmandades (Irmandades: Nossa Senhora da Piedade da Polícia Militar, Nossa Senhora, Santo Antônio da Igreja Menino Jesus de Praga, São Benedito do Convento de São Francisco, São José do Corpo Santo, São Pedro dos Clérigos, Divino Espírito Santo, Santíssimo Sacramento e Nossa Senhora da Conceição da Praia,  Nossa Senhora da Penha e França, Santíssimo Sacramento e Nossa Senhora do Pilar, Santíssimo Sacramento e Sant’Ana, Santíssimo Sacramento e Santo Antônio Além do Carmo, Senhor Bom Jesus dos Passos e Vera Cruz da Igreja d’Ajuda. Além de duas novas Devoções que estão em tramites de Aprovação Eclesiástica: São Jorge do Centro Histórico e São Francisco Xavier.

Junto com esses organismos promovemos eventos pontuais durante o ano, como Jornada Mariana, Via-Sacra no Centro Histórico, a Solenidade de Todos os Santos, retiros e romarias. Além dos grandes festejos que essas diversas Irmandades promovem, sendo veneráveis guardiãs da devoção popular da nossa Arquidiocese, por isso, merecem nossa valorização e respeito e maior conhecimento, para promovemos as vocações a esses meios centenários de evangelização que o Espírito suscitou em sua Igreja e que precisa ser acompanhado, revitalizado, evangelizado e atualizado na dinâmica da vida atual e da vida eclesial. E o que nos resta é incentivar e agradecer a todos esses fiéis engajados em nossas Irmandades.

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