Formação Notícias

Islamismo na sombra dos heróis guerreiros muçulmanos

Nosso artigo precedente [que pode ser conferido aqui] apresentou o projeto dos islamistas radicais: unificar as nações muçulmanas em preparação para a vinda de um poderoso líder, unificador e conquistador que iniciará a quarta fase da história da comunidade muçulmana.  Estamos na terceira fase de bagunça, terrorismo, tirania dos grupos, e dos pequenos estados islâmicos independentes.  Tudo isto é uma fase transitória. Os atentados terroristas esporádicos são “testes”, ameaças e sinais, de pessoas ou grupos isolados cujo vínculo é a mesma religião. Eles diferem na interpretação da mesma religião, pois pertencem muitas vezes às diferentes escolas teológicas e jurídicas.

Os muçulmanos radicais sabem que não se cria uma civilização islâmica universal com pequenos grupos armados fragmentados.   Os terroristas não esperam os estadunidenses desaparecerem ou se converterem ao Islã com os atentados de 11 de setembro de 2001. A França não vai ser destruída nem ser muçulmana depois dos recentes atentados de Paris. Os atos terroristas procuram chamar atenção, incomodar, desestabilizar, enfraquecer semeando um susto psicológico e social. Muitas vezes os atentados, sensacionais do jeito que a mídia ocidental quer, desviam a atenção do que está realmente acontecendo na área geográfica do deserto do Saara até o deserto da Arábia: a formação de um verdadeiro exército islâmico. Sonha-se com um exército islâmico unido invencível que surgirá do deserto, este sonho tem raízes teológicas e históricas profundas.

Dois (2) eventos na história dos muçulmanos nutrem este sonho: o movimento dos Almorávidas, do século 11 e 12 e o fenômeno Saladino no século 12.  Os almorávidas (em árabe al-murabitum) são místicos estudiosos monges eremitas muçulmanos que viviam no deserto da Mauritânia (África). Eles organizaram um movimento político-religioso impressionante com um dos mais poderosos exércitos islâmicos na história: soldados-teólogos ou soldados-monges.  Eles conseguiram conquistar o Magrebe (a parte ocidental da África do Norte) e uma parte da Europa. Impuseram uma civilização baseada sobre uma interpretação rígida da lei islâmica. A península Ibérica fica ainda hoje profundamente marcada pela civilização islâmica almorávida. Foi o glorioso sucesso dos Islamitas fundamentalistas do século 11 que continuou com a dinastia dos almóadas, no século 12 e 13, no mesmo espírito da aplicação rigorosa da lei islâmica.

No século 12 surgiu Saladino (em árabe Salah ad-Din).  Saladino foi um grande chefe militar e religioso muçulmano que conquistou o território do Egito, Palestina, Síria, Iraque, Iêmen e a península Arábia. Foi um líder poderoso muito religioso que conseguiu unificar os muçulmanos. Restaurou no Egito a doutrina sunita do Islã e ensinou o povo zelosamente.  Foi um protetor da cultura islâmica e um excelente administrador.  Saladino se tornou o exemplo célebre de cavalheiro vencedor para os muçulmanos e também para os cristãos. Liderou com sucesso, força, e perfeitas estratégias as guerras santas contra os cruzados e conquistou o Reino de Jerusalém. Planejava conquistar a Europa.  Os restos mortais dele estão numa mesquita em Damasco, na Síria devastada hoje pela guerra entre muçulmanos. O resultado desta interminável guerra na Síria será o resurgimento de outro Saladino?

O fenômeno do fanatismo islâmico ou fundamentalismo muçulmano não é novo, nutre-se de sucessos passados gloriosos dos islamitas radicais dos séculos 11, 12 e 13. Esperam-se novos líderes islamistas da envergadura dos Almorávidas e de Saladino.

Pe. Moussa Serge Traore, mafr

Adicionar comentário

Clique aqui para postar um comentário