“Juventudes” na atualidade

"São numerosos os jovens no mundo, longe e muito perto de nós, que sofrem múltiplas formas de violência e de exclusão social"

Cardeal Dom Sergio da Rocha

Arcebispo de São Salvador da Bahia, Primaz do Brasil

 

O tema “juventude” ou “jovens” no mundo de hoje necessita de atenção sempre maior, apesar dos muitos estudos e pesquisas que podem ser encontrados. Há alguns anos, em outubro de 2018, ocorreu no Vaticano um encontro internacional, de especial importância, um Sínodo, convocado pelo Papa Francisco sobre o tema, enfatizando a importância dos jovens para a Igreja e a sociedade, a necessidade de acolhida e valorização da juventude e o desenvolvimento de iniciativas pastorais voltadas para os jovens e contando com eles, enquanto sujeitos e não somente destinatários de projetos, como participantes do “hoje” e não somente do “amanhã”. O “Sínodo” sobre a juventude estimulou a escuta, a acolhida e a valorização da juventude, oferecendo uma profunda reflexão e propondo diretrizes pastorais para a evangelização. O resultado daquele Sínodo foi acolhido pelo Papa Francisco num documento pontifício, uma “Exortação Apostólica Pós-Sinodal” denominada “Christus Vivit” (Cristo Vive), publicada em 25 de março de 2019, que tem sido uma referência muito importante para quem se interessa pelo tema e especialmente por quem atua junto aos jovens.

A realidade da juventude no Brasil e no mundo apresenta-se “plural”, pelos diferentes contextos socioculturais e situações peculiares, de tal modo que há uma tendência, na atualidade, em usar o termo “juventudes” no plural. Não se pode analisar a juventude de forma abstrata. O que existem são jovens com suas vidas concretas, situados em meio a alegrias e dores, necessitados de ações pastorais e de políticas públicas voltadas sobretudo para os que sofrem com a violência, a miséria e as drogas. É preciso reconhecer potencialidades e oferecer oportunidades para os jovens, ao invés de apontar sempre pontos negativos e perigos. Segundo o Papa Francisco, “o coração de cada jovem deve ser considerado ‘terra sagrada’, portador de sementes de vida divina, diante de quem devemos ‘tirar as sandálias’ para poder nos aproximar e aprofundar no Mistério” (n. 67).

São numerosos os jovens no mundo, longe e muito perto de nós, que sofrem múltiplas formas de violência e de exclusão social. O assassinato de adolescentes e jovens, especialmente os mais pobres e fragilizados, tem sido assustador. Não podemos perder a capacidade de chorar e de ter compaixão diante dos jovens que morrem pela miséria e violência. Não podemos nos acostumar e perder a capacidade de indignação diante do quadro brutal de mortalidade juvenil, com tantos casos noticiados a cada dia, como se fossem parte inevitável da realidade de nossas cidades.

Entretanto, não basta comover-se. É preciso mover-se, com urgência, através de iniciativas comunitárias, socioeducativas, religiosas e políticas, para que as “juventudes” tenham a sua dignidade e os seus valores reconhecidos, e acima de tudo, a vida preservada.

*Artigo publicado no jornal A Tarde, em 14 de abril de 2024.

Compartilhar:

Categorias

Veja também

Sacramentos

Horários de

Missa

Ano Jubilar

Notícias relacionadas

Óbolo de São Pedro mobiliza fiéis em favor das obras de caridade do Papa Leão XIV

Mais do que uma contribuição financeira, o Óbolo de São Pedro representa um gesto concreto de comunhão

Programa Oração Por Um Dia Feliz – 26.06.2026



Arquidiocese de Salvador abrirá Mês do Dízimo com Missa na Catedral Basílica do Santíssimo Salvador

Celebrado em julho, o Mês do Dízimo terá como tema “Dízimo: expressão de amor e pertencimento”

Continue navegando