Natal do Senhor: tempo de esperança e fraternidade

Dom Valter Magno de Carvalho

Bispo auxiliar da Arquidiocese de Salvador

 

“Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher… a fim de que recebêssemos a dignidade de filhos” (Gl 4,4).

A encarnação do Verbo de Deus, que celebramos no Natal, é a manifestação inequívoca da bondade e do amor do Criador pelo gênero humano. Em Jesus, Deus revela toda a sua predileção pela pessoa humana, agora não apenas considerada uma criatura feita à sua imagem, mas um membro de sua família.

A celebração do Natal do Senhor evoca a filiação divina da qual fazemos parte e, nos convida a crescermos na experiência da fraternidade. Se é verdade que somos todos filhos de Deus é, igualmente verdade, que somos todos irmãos. Por isso, a celebração do Natal é a festa da fraternidade universal. Desejo ardentemente que, neste tempo que nos cabe viver, reconhecendo a dignidade da cada pessoa humana, possamos fazer renascer, entre todos, um anseio de fraternidade (cf. Fratelli Tutti – FT, 8).

Vivemos tempos estranhos onde imperam o individualismo, a busca egoísta do prazer, o consumismo desenfreado, a intransigência diante das opiniões diferentes, a inimizade e o fechamento frente ao outro, o desejo insano de vingança frente ao mal, a indiferença diante do sofrimento humano e a frieza nas relações. Neste tempo, envolvidos pelo amor paterno de Deus, que olha para nós com misericórdia, somos convidados a estabelecer relações mais fraternas, não nos deixando levar pelos tempos sombrios de hoje, mas nos deixando iluminar pela esperança que o Senhor Jesus nos traz.

Mais do que em outros tempos, nós cristãos precisamos fortalecer as convicções de fé e testemunhar com indignação e profecia que este mundo afastado do projeto Salvador de Jesus Cristo, não nos tira o ânimo e alegria, porque nos mantemos firmes na esperança que não decepciona porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações (cf. Rm 5,5). Alimentados pela esperança e fortalecidos pelo amor com que Deus nos envolveu em seu Filho Jesus, vamos em frente, com o entusiasmo redobrado, para colaborarmos com a construção do mundo novo inaugurado na Encarnação do Verbo. Este mundo novo está alicerçado no amor que deve orientar as nossas relações e inspirar nossas atitudes.

Há pessoas que creem, que pensam que sua grandeza está na imposição das suas ideologias aos outros, ou na defesa violenta da verdade, ou em grandes demonstrações de força. Todos nós, que cremos, devemos reconhecer isto: em primeiro lugar está o amor, o amor nunca deve ser colocado em risco, o maior perigo é não amar (cf. FT, 92).

Neste tempo de renovação da esperança, recomendo que nos exercitemos na prática concreta do amor. No rosto sofrido dos pequeninos de nosso tempo e que vivem à nossa volta, invisíveis na sociedade, está o rosto do Deus que fez pequeno, do Deus que assumiu a nossa humanidade, do Deus que fez do coração humano a sua própria casa. Acolher, dar atenção e afeto aos pequeninos do mundo é o melhor jeito de celebrar o Natal do Senhor, porque “quem acolhe os pequeninos é a mim que acolhe” (Mt 18,5) nos disse Jesus.

Deixemos que o Senhor venha ao nosso coração, envolva nossa vida com seu amor e nos coloquemos ao lado dos irmãos e irmãs oferecendo a todos o mesmo amor com que fomos amados.

Feliz e Santo Natal!

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