O Ministério do Catequista

Pe. José Carlos Ferreira Santana

“Senhor, tu sabes tudo, sabes que te amo”

Assistente Eclesiástico da Catequese

Na forma de Motu Proprio (de própria iniciativa) “Antiquum ministerium” (ministério antigo), o Papa Francisco instituiu o Ministério do Catequista, num importante reconhecimento da vocação do catequista que é chamado a servir, no contexto da evangelização, no mundo contemporâneo e diante da “imposição de uma cultura globalizada”. De fato, “é necessário reconhecer a presença de leigos e leigas que, em virtude de seu Batismo, sentem-se chamados a colaborar no serviço da catequese”.

Dentro do próprio estilo do Papa Francisco, a carta apostólica é muito simples, curta e afetuosa, demostrando que o exercício da catequese é tão antigo quanto a própria Igreja e de forma germinal, é mencionado no Evangelho de são Lucas e nas Cartas de São Paulo aos Coríntios e aos Gálatas, ficando evidente que “toda a história da evangelização destes dois milênios” manifesta, com grande evidência, como foi eficaz a missão dos catequistas. Bispos, sacerdotes e diáconos, juntamente com muitos homens e mulheres de vida consagrada, dedicaram a sua vida à instrução catequética, para que a fé fosse um válido sustentáculo para a existência pessoal de cada ser humano (Antiquum ministerium, n. 3).

Ainda hoje, em nossas comunidades, “muitos catequistas competentes e perseverantes” realizam “uma missão insubstituível na transmissão e no aprofundamento da fé”, enquanto uma “longa série” de beatos, santos e mártires catequistas “marcaram a missão da Igreja”, constituindo “uma fonte fecunda para toda a história da espiritualidade cristã”, aponta o Papa Francisco.

Pelo testemunho da fé, mestre e mistagogo, acompanhante e pedagogo, o catequista é chamado a imprimir no seu caráter vocacional, a sua competência e conhecimento querigmático no desafio da transmissão da fé desde o pré-catecumenato (evangelização – primeiro anúncio) até a preparação para os sacramentos, Purificação-Iluminação e Mistagogia, seguindo o processo da iniciação à vida cristã, para uma catequese vivencial com formação permanente. No entanto, tudo isso só é possível “através da oração, do estudo e da participação direta na vida da comunidade”, para que a identidade do catequista se desenvolva com “coerência e responsabilidade”, diz o Papa.

Dentre tantas exigências e desafios para ser um bom catequista, o Papa recorda que: os catequistas devem ser homens e mulheres “de fé profunda e maturidade humana”; devem participar ativamente da vida da comunidade cristã; devem ser capazes de “acolhimento, generosidade e uma vida de comunhão fraterna”; devem ser formados do ponto de vista bíblico, teológico, pastoral e pedagógico; devem ter amadurecido a prévia experiência da catequese; devem colaborar fielmente com os presbíteros e diáconos e “ser animados por um verdadeiro entusiasmo apostólico”.

Por isso, o documento destaca como ponto importante que o ministério tenha característica própria e que esteja voltado apenas para o trabalho dos leigos na educação para a fé, ou seja, o Ministério do Catequista é voltado para o trabalho dos leigos e das leigas!

Quando se trata dos ministérios na Igreja, agora que os catequistas, leigos e leigas, serão instituídos como ministros, é importante saber diferenciar os ministros “investidos” dos ministros “instituídos”. Ser investido significa receber da Igreja a responsabilidade para prestar um serviço de maneira temporária. É assim com os Coroinhas, com os Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão e os da Palavra. Já os ministros “instituídos” recebem uma missão definitiva para atuar em nome da Igreja. Ou seja, não se trata apenas do exercício de uma função temporária ou extraordinária, mas da autoridade para educar, ensinar a fé católica pela vida inteira!

Para melhor ajudar o catequista a entender o que é ministério, o Pe. Humberto Robson, autor do livro: Ministério do Catequista, explica que: “Ministério”, de fato, tem a ver com a missão da Igreja. De acordo com o Concílio Vaticano II (1962-1965), a missão do catequista é apresentada como dimensão profética, sacerdotal e real-pastoral”. O “ministério” é compromisso que, conferido pela Igreja e assumido por alguém, torna-o “responsável” por aquela função: este alguém responde por aquela função como responsabilidade própria. O “ministério” é serviço reconhecido pela Igreja. A Igreja reconhece o ministério porque se sente representada por ele. O “ministério” da catequese nasce e cresce dentro de uma comunidade eclesial partir da necessidade de preparar os cristãos para dar uma resposta de qualidade ao seguimento de Jesus. O “ministério” do catequista ocupa uma importante missão dentro da Igreja (Ministério do catequista: elementos básicos para a formação, Humberto Robson de Carvalho, São Paulo: Paulus, 2018, p. 43).

Quando e como será instituído o Ministério do Catequista? O documento explica que ficou sobre a responsabilidade das Conferências Episcopais criarem itinerário formativo para a preparação dos leigos e das leigas para esta missão e a Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos irá em breve publicar um novo rito para a instituição de Catequistas.

Contudo, nossa gratidão ao Papa Francisco por proporcionar uma grande alegria no coração dos catequistas quando, reconhecendo a preciosa vocação, missão e serviço pastoral a Igreja, institui o Ministério do Catequista. No entanto, é bom que os catequistas tenham consciência que as exigências, responsabilidades e comprometimento aumentaram, pois o Papa não só reconhece o valor da vocação e missão do catequista, mas também destaca a suma importância de uma melhor atenção e qualidade na formação dos catequistas. Parabéns, catequistas pela vocação e missão na Igreja.

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