O Padroeiro de Salvador

Cardeal Dom Sergio da Rocha

Arcebispo de São Salvador da Bahia, Primaz do Brasil

 

 

Salvador, enquanto Sede Primacial da Igreja no Brasil, tem uma história longa e bela que necessita ser mais conhecida e valorizada. A questão do “padroeiro” de Salvador não é uma questão apenas de cunho religioso, nem restrita aos católicos, pois integra o seu inestimável patrimônio histórico e cultural.

Considerando a história tão rica da Bahia, com as suas tradições religiosas e a devoção aos santos, muitos se perguntam sobre quem é o “padroeiro” de Salvador. A resposta a esta questão não se confunde com a devoção a santos que gozam de grande devoção popular, embora esta seja um fator muito importante na sua definição. A palavra “padroeiro” vem do latim “patronus”, que significa defensor ou protetor. A definição oficial de um padroeiro por meio de um ato eclesiástico leva em conta o que se encontra estabelecido nas capelas ou comunidades.

Desde as origens de Salvador, a povoação existente já era conhecida como “São Salvador” da Bahia ou da Bahia de Todos os Santos. Com o transcorrer do tempo, em Salvador e na Bahia, surgiram devoções que passaram a marcar o cenário religioso com santuários e grandes festas populares, dentre os quais, ressalta-se o Senhor do Bonfim, na colina sagrada que, no entanto, não figura oficialmente como “padroeiro” ou “titular” da cidade ou do estado.

O Papa Paulo VI, em 1971, proclamou Nossa Senhora da Conceição da Praia como Padroeira do Estado da Bahia, a pedido do Cardeal Dom Avelar Brandão Vilela e dos bispos baianos.  São Francisco Xavier foi declarado padroeiro da cidade de Salvador em 10 de maio de 1688, após a superação de uma epidemia que trouxe muito sofrimento e morte. O terceiro arcebispo, Dom Manoel da Ressurreição (1687-1691), logo que chegou a Salvador, empenhou-se na eleição de São Francisco Xavier como Padroeiro da cidade. O Voto da Câmara Municipal foi posteriormente confirmado pela Santa Sé, sendo motivo de celebração anual, sempre no dia 10 de maio, embora a festa litúrgica de S. Francisco Xavier ocorra dia 03 de dezembro.

Entretanto, a Catedral Basílica e a própria Arquidiocese de São Salvador da Bahia têm como “titular” o Santíssimo Salvador, cuja solenidade é celebrada no dia 06 de agosto, festa da Transfiguração do Senhor. Além das referências encontradas nas bulas pontifícias de criação da diocese e de elevação à arquidiocese, há dois documentos que definem o Santíssimo Salvador como o titular da Catedral e da Arquidiocese: um documento da então Congregação para os Sagrados Ritos, datado de 16.02.1754, e o Breve de Papa Pio XI, de 16.01.23, elevando a Catedral à dignidade de Basílica Menor.

Os padroeiros ou titulares das igrejas necessitam ser mais conhecidos e valorizados. Conhecer e celebrar os padroeiros implica em conhecer e valorizar a própria história e cultura, além do seu rico significado no âmbito da espiritualidade.

*Artigo publicado no jornal Correio no dia 01 de agosto de 2022.

 

 

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