O presépio hoje

s personagens do presépio estão juntos. Não se caminha sozinho até Belém, nem se permanece isolado na manjedoura

Cardeal Dom Sergio da Rocha

Arcebispo de São Salvador da Bahia, Primaz do Brasil

Neste tempo de Natal, nós temos a oportunidade de contemplar com admiração os presépios tradicionais ou modernos, confeccionados com tanta arte e beleza. O olhar para os personagens artisticamente representados, tendo ao centro o menino Jesus nos faz recordar o verdadeiro sentido do Natal. O recém-nascido deitado na manjedoura não está sozinho. Junto dele, ocupam lugar especial, Maria e José, mas estão retratados também os humildes pastores das redondezas e os reis magos que vieram de longe para adorar e oferecer presentes. O nascimento de Jesus ocorre no chão da história humana, marcando-a para sempre, mas a presença dos anjos nos recordam que se trata de um acontecimento divino. Os animais representados não são meras peças decorativas ou simples recordação do ambiente onde nasce o menino, um estábulo. Revelam que o amor de Deus manifestado em Belém abarca a toda a criação.

Há pessoas que chegam a verbalizar um grande desejo de estarem no cenário do nascimento de Jesus representado pelo presépio, se pudessem voltar atrás na história. Entretanto, é possível refazer a experiência dos pastores e dos reis magos e participar do presépio, vivenciando o Natal, hoje, com um olhar para o presépio tradicional, contemplando o Menino Jesus, e outro para os presépios vivos de nosso tempo, escondidos nas periferias sofridas das grandes cidades e nas zonas pobres do interior.   As crianças que aí nascem participam da dignidade humana do menino nascido em Belém; merecem atenção e acolhida afetuosa. São crianças a serem amadas, cuidadas e protegidas. O olhar para o menino Jesus completa-se com o olhar amoroso e responsável para as crianças que continuam a nascer.  Jesus nasceu cercado de gente humilde como os pastores e visitado por estrangeiros, que eram menosprezados por muitos naquele tempo, os sábios do Oriente. Na manjedoura de Belém, Deus revela o seu amor que a todos quer abraçar com a sua ternura, aos que estavam próximos e aos que vieram de longe. Deus não exclui ninguém do seu amor. Ele nos ensina a amar a todos, especialmente, as pessoas que ainda não amamos bastante.

O Natal é uma ocasião especial para a proximidade fraterna e solidária, para a reconciliação e a paz. O clima natalino favorece a fraternidade e a paz, permitindo resgatar a alegria do encontro entre familiares e amigos. Os personagens do presépio estão juntos. Não se caminha sozinho até Belém, nem se permanece isolado na manjedoura. Lá estão José e Maria, os pastores, os magos e os próprios anjos. Herodes não participa do presépio, pois não se dispôs a caminhar com os sábios estrangeiros, como certamente não aceitaria estar entre os humildes pastores. É preciso resgatar o sentido genuíno do Natal, voltando o nosso olhar para o menino Jesus e, através dele, para as pessoas que conosco convivem e com as quais queremos continuar a viver um Natal feliz.

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