O rosto da solidariedade

Na semana que passou, a capital baiana viveu dias tristemente inesquecíveis. Muito do que aconteceu se tornou público, graças aos meios de comunicação. A maior parte dos dramas, contudo, foi

Na semana que passou, a capital baiana viveu dias tristemente inesquecíveis. Muito do que aconteceu se tornou público, graças aos meios de comunicação. A maior parte dos dramas, contudo, foi vivida no silêncio. Na quinta-feira (28.04.15), senti-me na obrigação de divulgar uma Nota, cujo teor é o seguinte:

“A cidade de Salvador vive um momento de sofrimento e dor, causados pelas enchentes dos últimos dias e pelos deslizamentos ocorridos em vários bairros. Vendo o drama de pessoas, famílias e comunidades inteiras, vem-me à lembrança a parábola do Bom Samaritano, contada por Jesus a um doutor da Lei. Diante da pergunta: “Quem é o meu próximo?”, Jesus lhe respondeu: “Certo homem descia de Jerusalém para Jericó…” O resto, é conhecido: diante do homem que, ferido, estava à beira do caminho, um habitante da cidade de Samaria “chegou perto dele, viu, e moveu-se de compaixão”. O que se segue na parábola também é conhecido: o Samaritano, depois dos curativos possíveis naquela situação, colocou o ferido em seu animal e o levou para uma pensão, pagando ao seu dono todo o tratamento (cf. Lc 10,25-37). Terminada a história, Jesus perguntou ao que o interrogara: “Quem foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?” Ele respondeu: “Aquele que usou de misericórdia para com ele”. Então Jesus lhe disse: “Vai e faze tu a mesma coisa”.

Vendo a cidade mobilizada em torno dos que tudo ou muito perderam; testemunhando a dor de quem sofre a perda de um ente querido; impactados por imagens que trazem para os nossos lares e, particularmente, para os nossos corações o sofrimento de tantos irmãos, como não nos lembrarmos da figura do Bom Samaritano? Descobrimos, sem muito esforço, que ele não é uma pessoa: são muitas. São bombeiros e autoridades; são membros da Defesa Civil e militares; são pessoas anônimas que se mostram incansáveis no atendimento ao “próximo”.

Tenho certeza de que as autoridades se debruçarão sobre as causas de tanto sofrimento, para eliminá-las; que a população se conscientizará sobre a necessidade de impedir que construções sejam erguidas em lugares inadequados; que todos cuidarão para que o lixo tenha melhor destino, evitando-se, assim, que bueiros e esgotos facilmente fiquem entupidos. Mas tenho certeza, também, de que jamais nos esqueceremos dos muitos “Bons Samaritanos” que aqui moram e que constituem a maior riqueza desta cidade.

Conclamo a todos para que se multipliquem em nossa cidade gestos de solidariedade: “Vai e faze tu a mesma coisa!”

Asseguro minha oração pelos que perderam a vida e pelos parentes que choram a sua ausência. E, sobre toda a cidade, invoco as bênçãos do Senhor.”

Hoje, apoiando-me no Papa Bento XVI (cf. DCE), completo essa Nota. (1ª) Qualquer pessoa que necessite de nós, se pudermos ajudá-la, é o nosso próximo. É, pois, importante educar as novas gerações para que saibam valorizar e multiplicar gestos marcados pela gratuidade e pela solidariedade. Por sinal, a única riqueza que levamos desta vida são os nossos atos de amor (2ª) “O amor a Deus e o amor ao próximo fundem-se num todo: no mais pequenino, encontramos o próprio Jesus e, em Jesus, encontramos Deus”. (3ª) Somos chamados a ser fontes de água viva: “Quem crê em mim… do seu interior correrão rios de água viva” (Jo 7,38). Para nos tornarmos semelhante fonte, devemos beber incessantemente da fonte primeira e originária, que é Jesus Cristo. (4ª) O amor é possível e nós temos condições de manifestá-lo, porque fomos criados à imagem de Deus. Vivendo-o, fazemos entrar a luz de Deus neste mundo – luz que pode e deve manifestar-se neste momento crítico que vive nossa querida Salvador.

Dom Murilo S.R.Krieger, scj

Arcebispo de São Salvador da Bahia, Primaz do Brasil

 

Foto de capa: Patrícia Luz

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