Papa: o amor não é uma filosofia idealista, é concreto e transforma o mundo

“O amor não precisa de profundos conhecimentos teológicos, que são, todavia, necessários”, explica o pontífice

“Juntos no amor, nós cristãos podemos mudar o mundo, podemos mudar nós mesmos, porque Deus é Amor!”. Estas foram palavras do Papa Francisco pronunciadas na videomensagem endereçada ao “John 17 Movement” (Movimento João 17), uma experiência ecumênica inspirada justamente no versículo 17 do Evangelho de João: “Que todos sejam um”.

O movimento nasceu nos Estados Unidos, em 2013, pela intuição do pastor pentecostal estatunidense, Joe Tosini. Os seus integrantes estão em retiro no Seminário São José, em Nova Iorque, com a participação do cardeal Joseph Tobin. O tema do retiro também é inspirado no Evangelho de João, capítulo 17: “Reconciliação Relacional, um Novo Caminho para a Reconciliação dos Cristãos” (cf.  Jo 17, 13-17).

Tudo nasce do encontro com Jesus

“O amor não precisa de profundos conhecimentos teológicos, que são, todavia, necessários”, explica o Papa, recordando que é o encontro de vida com a pessoa de Jesus. Deste encontro de amor, tudo nasce: “Nascem as amizades, a fraternidade e a certeza de sermos filhos do mesmo Pai. Com efeito – reitera Francisco -, o amor “pode mudar o mundo, mas muda primeiro a nós mesmos”.

Para o Papa, é comovente a expressão dos Atos dos Apóstolos com a qual definiam a primeira comunidade cristã: “Vede como eles se amam”.

Filhos de um mesmo Pai, mesmo na pobreza e na guerra

O Movimento João 17, afirma o pontífice, “é sobre o amor daqueles que, ao redor da mesa, tomando um cappuccino, almoçando ou tomando um sorvete, descobrem-se irmãos, não pela cor nem pela nacionalidade ou proveniência, nem mesmo pelas diferentes maneiras de viver a fé, mas como filhos de um mesmo Pai”.

E mesmo que não haja uma mesa, um cappuccino, mesmo que não haja um sorvete e nem mesmo um café, porque existem pobreza e guerra, somos igualmente irmãos, e devemos dizê-lo uns aos outros. Sem pensar na proveniência nem na nacionalidade, nem na cor da pele, somos filhos de um mesmo Pai.

Fazendo votos de que o encontro com o Movimento adiado pela pandemia possa se realizar o quanto antes, o Papa exorta os integrantes a “continuarem a caminhar juntos, compartilhando a vida e o amor fraterno”. Como diz Joe Tosini, “o amor é a coisa mais importante do mundo, mas ninguém ensina como amar!”:

Ame ou não ame, o Amor que se fez carne, o Amor que deu a própria vida por nós, este é o caminho. Muitas vezes, confundimos o amor com uma espécie de filosofia platônica, idealista. O amor é concreto, o amor dá a vida pelos outros, como Jesus a deu por nós. Talvez porque o amor não se ensine, se vive, e vocês nos ensinam vivendo-o”

O Papa Francisco se despede, como sempre, pedindo orações por ele, “porque este trabalho – disse – não é nada fácil”.

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