Por que Nossa Senhora é Bem-Aventurada? O que são dogmas marianos e o que eles representam?

Você sabe por que proclamamos a Virgem Maria como Bem-Aventurada? Além disso, quais são os dogmas Marianos e o que eles representam para os cristãos? Para responder a estas perguntas, ainda como parte do Mês Mariano, a equipe do Setor de Comunicação conversou com o padre Adilton Pinto Lopes, reitor da Basílica Santuário Nossa Senhora da Conceição da Praia e doutor em Mariologia. Confira em:

 Setor de Comunicação – Por que dizemos que a Virgem Maria é Bem-Aventurada?

Padre Adilton – Antes de nós dizermos que a Virgem Maria é Bem-Aventurada, quem proclamou esta verdade foi a própria Santa Isabel, inspirada pelo Espírito Santo. É a própria Palavra de Deus que nos revela esta verdade fundamental da existência da Virgem de Nazaré. Em Lc 1, 45 se lê: “Bem-Aventurada aquela que acreditou, porque se cumprirá o que lhe foi dito da parte do Senhor”. A Virgem Maria é Bem-Aventurada não porque fez milagres em sua vida histórica, não porque tinha visão beatífica. Maria é Bem-Aventurada porque acreditou radicalmente em Deus e não buscou fazer sua própria vontade, mas a vontade de Deus. Maria peregrinou na fé e, porque acreditou, o Verbo de Deus se fez carne nela. A salvação entrou em nossa história porque Maria acreditou nas promessas de Deus, e, crendo, a chamamos Bem-Aventurada.

Setor de Comunicação – Quais são os dogmas Marianos e o que eles representam para os cristãos?

Padre Adilton – Os dogmas na Igreja Cristã Católica são as verdades que compõem a fé e a moral da Igreja. Estas verdades estão contidas na Palavra de Deus e na Tradição, e foram sendo compreendidos no decorrer dos séculos pelos bispos, em união com o Papa, certos da promessa de Jesus que o Espírito Santo nos conduziria à plena verdade. Existem verdades primárias e secundárias. As verdades relacionadas a Jesus Cristo, aos Santos Sacramentos e à Virgem Maria são consideradas primárias. Se um católico nega algum destes dogmas poderia cair no erro de heresia ou até apostasia, no caso de negas todas as verdades contidas na fé e na moral cristã. Se um cristão católico nega uma destas verdades primordiais da fé da Igreja, ele quebra a comunhão. Para um cristão ser maduro e pleno em sua adesão a Jesus Cristo, é necessário que, de modo tangencial se busque crescer em sua relação pessoal com a Virgem de Nazaré, Mãe de Jesus, Mãe da Igreja, Mãe de cada um de nós e Mãe da humanidade.

Existem cinco verdades relacionadas à pessoa da Virgem de Nazaré: a mais fundamental e sobre a qual se apoiam todas as outras é a verdade de fé sobre a maternidade divina de Maria, Mãe de Deus, na qual houve uma longa discussão entre Nestório, bispo de Constantinopla, que não admitia que Maria fosse chamada Theotokos = geratriz de Deus, e, sim, deveria ser chamada de Cristotokos, Mãe de Cristo ou Antropotokos, Mãe do homem, Jesus de Nazaré. São Cirilo de Alexandria, bispo, retrucou Nestório e, diante desta querela, foi convocado o Concílio em Eféso e Cirilo afirmou que Jesus de Nazaré não possui duas Pessoas, mas só uma, a Pessoa do Verbo, e como a Encarnação se deu em Maria e como Jesus é homem e Deus, pode-se sim afirmar que Maria é Mãe de Deus, enquanto Mãe do Verbo encarnado. Inclusive, Tomé Apóstolo afirmou diante de Jesus ressuscitado no Cenáculo: “Meu Senhor e Meu Deus”. Por isso, celebramos a Solenidade da Maternidade Divina em 1º de janeiro.

Maria sempre Virgem, desde os escritos do Novo Testamento e todos os padres apostólicos, apologetas e os padres da Igreja, também os escritores medievais e Concílios, foram afirmando que Maria é Virgem, sobretudo, o Concílio de Constantinopla I, Concílio de Constantinopla II, Sínodo Lateranense em 649, até os documentos mais atuais como o Credo do Povo de Deus de São Paulo VI, Vaticano II (Lumen Gentium), Redemptoris Mater (João Paulo II), Catecismo da Igreja católica. Desde os primórdios, os grandes teólogos viram na expressão irmãos de Jesus, não filhos da Virgem Maria, mas parentes próximos, primos. Se Jesus tivesse irmãos de sangue, ele não teria deixado sua Mãe com João, pois a Lei mosaica ensinava que o filho mais velho deveria cuidar da mãe viúva. É verdade de fé que Maria é virgem antes, na hora e depois do parto. Daí a expressão a Sempre Virgem. Celebramos na Liturgia esta verdade junto com a Maternidade em 1º de janeiro.

Imaculada Conceição, desde o primeiro instante da existência histórica da Virgem de Nazaré, ainda no útero de Ana, pelos méritos de Jesus Cristo, a Virgem Maria foi preservada, por pura graça, da mancha do pecado original, tanto na alma, como no corpo. Aquela que seria a Mãe do Cordeiro Imaculado, o Beato Duns Scotus afirmou que a Virgem de Nazaré foi preservada desde pecado e nisto foi, de modo pleno, redimida por Cristo. O Salvador dela também é Jesus, todavia, ela não caiu no pecado original para ser justificada posteriormente como todos os outros seres humanos; ela foi preservada da desgraça do pecado. Falar de Maria é falar de graça, de plenitude da graça, que Nela agiu, não pelos méritos dela, mas pelos méritos infinitos do seu Filho. Celebramos esta verdade em 8 de dezembro. O dogma foi proclamado “ex chathedra” pelo Papa Beato Pio IX em 8 de dezembro de 1854.

Assunção de Maria, a Igreja Católica, por meio do Papa Pio XII, proclamou o dogma em 1º de novembro de 1950, o qual a Igreja afirma, como verdade de fé, que no fim da caminhada histórica da Virgem de Nazaré, a Virgem Mãe de Deus e Imaculada foi elevada aos céus em corpo e alma. A Virgem Maria nos céus é a figura da Igreja plenamente realizada, santificada, sem ruga e sem mancha. O que a humanidade será, a Igreja toda será na glória; Maria já o é, desde o momento que a Trindade Santa a transportou em sua totalidade de Mulher para o céu. O Papa São João Paulo II, em uma de suas catequeses, afirmou como ensinamento do magistério que a Virgem Maria no fim da sua vida morreu biologicamente, todavia seu corpo não foi corrompido, não entrou em processo de putrefação. Foi enterrada e depois glorificada e arrebatada. A Igreja celebra na Liturgia esta solenidade 15 de agosto. Já no dia 22 de agosto a Igreja celebra a Memória da Virgem Maria, Rainha, instituída pelo Papa Pio XII.

Maria Mãe da Igreja, Mater Ecclesiae, na promulgação do Capítulo VIII da Lumen Gentium, o Papa São Paulo VI proclamou que a Virgem Maria é Mãe da Igreja, ou seja, Mãe dos Pastores e dos fiéis. Esta verdade se baseia que, segundo o Evangelho de João, capítulo 19, antes da Morte de Jesus, este mesmo eleva a sua Mãe para que se torne Mãe da Igreja, e Papa Francisco instituiu esta celebração como Memória Obrigatória na segunda-feira após Pentecostes. “Mulher, eis aí o teu Filho. João, eis aí a tua Mãe. E daquela hora em diante, João levou Maria para o seu ambiente vital”.

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