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Primavera Pascal

Dom Hélio Pereira dos Santos

Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Salvador da Bahia

Chegamos à Semana Santa com o Domingo de Ramos e adentramos, com a Missa da Ceia do Senhor, pela porta do tríduo pascal para desfrutar das alegrias da Ressurreição de Jesus.  Jesus Cristo, sepultado e ressuscitado, desponta do jardim provisório como vencedor da morte para nos conduzir ao Paraíso definitivo (cf. João 19,41 – 20,10).

Na época da quaresma, tiramos as flores, ornamentações das igrejas e aproveitamos para colocá-las no deserto de nossa vida, fazendo-o florir.  A presença de Jesus nos ajuda nessa tarefa, pois, nas palavras do Papa Francisco, mensagem da quaresma de 2019, “o Filho de Deus entrou no deserto da criação para fazê-la voltar ao jardim da comunhão com Deus”.

Na quaresma, cuidamos de regar com a oração, o jejum e a caridade o jardim de nossa existência, tirando as folhas secas do pecado e nos tornando cheios de esperança pela da realidade nova que brota com a graça do perdão.

A quarentena é de grandes oportunidades para cultivarmos o jardim da vida. A Igreja nos ensina como devemos fazer para florir neste tempo favorável da quaresma e receber na páscoa o bendito fruto, Jesus Cristo, nosso Salvador.

A Igreja, com o presente da Palavra de Deus, nos ajudou a entrar em estado de primavera pascal: a) primeiro domingo (Mateus 4,1-11), Jesus é apresentado como o Novo Adão, homem obediente que encontra força na Palavra de Deus, para não cair nas armadilhas do diabo e permanecer no jardim  da presença de Deus; b) segundo domingo (Mateus 17,1-9), na cena da transfiguração, Jesus mostrar o brilho da glória de Deus como o sol que faz a planta, comunidade dos discípulos, crescer; c) terceiro domingo (João 4,5-42), Jesus, dom do Pai e fonte de água viva para a vida eterna, rega a Igreja para continuar verde, viva na fé, com flores e frutos de boas obras; d) quarto domingo (João 9,1- 41), Jesus, luz da humanidade, ilumina o jardim da nossa vida, dissipando qualquer sombra de trevas; e) quinto domingo (João 11,1- 45), Jesus Cristo, Ressurreição e Vida. A folha morta do jardim, Lázaro, pelo poder de Jesus volta a viver, pois onde Jesus se encontra, aí permanece a vida.

Enfim, chega a Páscoa. As folhas secas do jardim da existência ficam no passado, agora, é vida nova, tempo de outono, de frutos. Após a ressurreição de Jesus Cristo cultivamos o verde da esperança, pois até as chagas se tornaram gloriosas, como falamos no momento da bênção do fogo e da preparação do círio: “Por suas chagas, suas chagas gloriosas, o Cristo Senhor nos proteja e nos guarde. Amém”.

O Cristo Senhor nos proteja na missão de deitar as sementes do Reino de Deus, fazendo os jardins diversos florir: família, juventude, meios de comunicação e política.  Temos a tarefa de agir como discípulos missionários, mantendo viva a chama da esperança, pois o Ressuscitado caminha conosco: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28,20).

Que a primavera pascal não murche e seja vivida com mais intensidade em nossas atitudes de filhos e filhas de Deus, semeando a alegria do Ressuscitado nas situações de desertos: famílias enlutadas, quarentena, isolamento e distanciamento social. Que nossos gestos sejam de pessoas “primaverizadas” pela Ressurreição de Jesus. Que nossa Igreja tenha sempre mais gente cheia de aleluia da cabeça aos pés. Aleluia! Aleluia! Aleluia!

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