Primeiros passos para a missão: pandemia e catequese com crianças

Pe. Sergio Esteban González Martínez, CSS

Vigário da Paróquia São João Evangelista (Mussurunga)

A formação dos discípulos-missionários no contexto atual representa um desafio para a Igreja ao implicar ter um olhar complexo e detalhado na realidade social, política, religiosa e educacional. A pandemia da COVID-19 obrigou a Igreja a ressignificar a sua missão de viver e transmitir a fé. Os momentos de orações e o processo de formação dos discípulos-missionários foram atualizados segundo a realidade pandêmica: celebrações e catequese online. Esta realidade ocasionou perguntas nos discípulos de hoje, como viver a fé quando a Igreja está “fechada”? Como educar no seguimento de Jesus Cristo no contexto virtual? Como relacionar-se com o Transcendente e semelhante estando em isolamento? Como viver a caridade sem o contato presencial?

A pandemia trouxe consigo o sentido de unidade e de interligação dos seres humanos na casa comum, “a consciência de sermos uma comunidade mundial que viaja no mesmo barco, em que o mal de um prejudica a todos” (FRATELLI TUTTI, n. 32). A unidade do gênero humano, a noção de um Deus Pai que ama e cuida de todos é expressão da consciência de navegar na mesma barca. Esse sentido de unidade é consequência de um longo caminho de crescimento e amadurecimento. Ela inicia na família doméstica, se estende na comunidade família de família – a paróquia, e se prolonga na consciência de casa comum. Esse percurso tem suas bases na família doméstica, na vivência fraterna, na partilha de vida entre os membros da família.

O papel dos pais na formação de discípulos-missionários é fundamental ao implicar presença constante e colaboração na formação integral. A educação infantil na realidade de isolamento requer um real acompanhamento. A pandemia fomentou a participação dos pais, tornando-os catequistas na Igreja doméstica e “professores” no acompanhamento das tarefas escolares. Isto fortaleceu a noção que, “a própria vida familiar deve tornar-se num itinerário de educação de fé e numa escola de vida cristã” (DIRETÓRIO NACIONAL DE CATEQUESE, n. 238). A compreensão da importância da participação abre caminhos à ideia de que cada família é um mundo, uma cultura complexa de relações e emoções, “a criança vive imersa na cultura emocional-afetiva da família que, a pleno título, constitui um grupo” (FERRO, 1995, p. 177).

Educar no seguimento de Jesus Cristo exige aproximação, presença, escuta, diálogo, preparação e conhecimento por parte dos pais. O primeiro elemento a ser considerado no processo de transmissão da fé é a existência de classificações na etapa infantil. A classificação ou subdivisões no período infantil segundo a maioria dos especialistas da psicologia educativa: primeira infância entre 0 a 6 anos, a segunda infância entre 6 a 8 anos e a pré-adolescência entre 9 a 11 anos; auxilia para uma adequada educação e correto acentuamento nos conteúdos, objetivos e opções metodológicas (MANUAL DE CATEQUÉTICA, 2007, p. 166).

A divisão por etapa na educação da fé orienta a responder pedagogicamente as inquietudes que surgem no mundo interno da criança. Cada momento no período de crescimento infantil possui um olhar diferente sobre a realidade devido ao desenvolvimento cognoscitivo, “as crianças têm a capacidade de fazer perguntas significativas sobre a criação, a identidade de Deus, sobre o porquê do bem e do mal, e são capazes de se alegrar diante do mistério da vida e do amor” (DIRETÓRIO PARA A CATEQUESE, n. 236). Uma resposta correta a essas inquietudes cria consciência na “responsabilidade particular dos pais no que diz respeito à formação cristã dos seus filhos” (ANTIQUUM MINISTERIUM, n. 5).

A missão dos pais na educação da criança é de serem sujeitos ativos na formação e transmissão da fé. Eles são – a partir do seu exemplo de vida – modelo de sujeito a seguir por parte da criança. A relação fraternal e os valores morais acontecem na Igreja doméstica. Sendo assim, a partir desta concepção participativa, a comunidade familiar geradora de vida já tem inserida “na mente dos seus progenitores ou cuidadores, já se fazem inscritos e vibrantes os valores, as histórias transgeracionais, os mitos familiares e os projetos identificatórios” (KERN CASTRO; STÜRMER, 2009, p. 122).

Referências bibliográficas

CELAM. Manual de catequética. São Paulo: Paulus, 2007.

CNBB. Diretório Nacional de Catequese. Documento da CNBB 84. Brasília: Edições CNBB, 2006.

FRANCISCO. Carta Apostólica em forma de Motu Próprio Antiquum Ministerium pela qual se institui o ministério do catequista. São Paulo: Paulinas, 2021.

FRANCISCO. Carta Encíclica Fratelli Tutti sobre a fraternidade e a amizade social. São Paulo: Paulinas, 2020.

PONTIFÍCIO CONSELHO PARA A PROMOÇÃO DA NOVA EVANGELIZAÇÃO. Diretório para a Catequese. São Paulo: Paulus, 2020.

FERRO, A. A Técnica na Psicanálise Infantil: a criança e o analista: da relação ao campo emocional. Rio de Janeiro: Imago, 1995.

KERN CASTRO, M. G.; STÜRMER, A. (Org.). Crianças e adolescentes em psicoterapia: a abordagem psicanalítica [recurso eletrônico]. Porto Alegre: Artmed, 2009.

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