Na Quarta-feira Santa, celebrada neste ano em 1º de abril, o Centro Histórico de Salvador testemunhou uma das mais tradicionais manifestações de fé da Semana Santa: a Procissão do Encontro, que recorda o momento em que Jesus se encontrou com Sua Mãe, Maria Santíssima, no caminho até o Calvário. A programação teve início na Igreja São Pedro dos Clérigos, onde foi rezado o Ofício do Senhor dos Passos, às 11h. Às 12h, foi celebrada a Missa Solene, presidida pelo padre Valson Sandes, e concelebrada pelo padre João Arrojo Deferrari, capelão da Igreja da Ajuda; pelo delegado da Comissão das Ordens Terceiras, Irmandades e Devoções (COIDE), cônego Jair Arlêgo; e pelo frei Bruno Miranda, da Ordem dos Pregadores, reunindo membros de Irmandades, pastorais, movimentos e a comunidade em geral, em um momento de fé e preparação espiritual para a procissão.
Após a Celebração Eucarística teve início a Procissão do Encontro, marcada pela saída da imagem do Nosso Senhor dos Santos Passos, conduzida a partir da Igreja São Pedro dos Clérigos, que percorreu parte do Centro Histórico até se encontrar com a imagem de Nossa Senhora das Dores, em frente à Igreja São Domingos de Gusmão. O momento do encontro foi marcado por cânticos, orações e meditação, reunindo fiéis, que acompanharam a celebração também em clima de silêncio, devoção e recolhimento.
Tradição que ultrapassa barreiras
A realização da tradicional Procissão do Encontro, na Quarta-feira Santa, no Centro Histórico de Salvador, foi marcada neste ano por desafios e pelo esforço conjunto de Irmandades e comunidades para manter viva uma das mais antigas manifestações de fé da capital baiana. Organizada há mais de um século pela Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Santos Passos e pela comunidade da Igreja de Nossa Senhora da Ajuda, a procissão enfrentou, nos últimos meses, dificuldades relacionadas à falta de espaço e à necessidade de mudanças de local, em razão de interdições e ajustes estruturais da Igreja da Ajuda. Para que a tradição fosse mantida, a celebração passou por diferentes Igrejas, entre elas a Igreja de São Domingos e a Igreja de São Pedro Gonçalves, até chegar, neste ano, à Igreja São Pedro dos Clérigos, após acordo firmado entre as Irmandades envolvidas, resultado de meses de diálogo e articulação.
A realização da procissão neste ano foi considerada significativa pelos organizadores, especialmente diante das dificuldades enfrentadas e do curto tempo de preparação após a definição do local. Mesmo diante dos desafios, as Irmandades e a comunidade conseguiram manter a tradição, preservando a identidade e a continuidade de uma celebração secular que integra o calendário religioso de Salvador e a devoção durante a Semana Santa. Mais do que um evento arquidiocesano, a Procissão do Encontro é uma manifestação de fé marcada pela dedicação histórica das Irmandades e comunidades envolvidas, que, ao longo de gerações, têm garantido a realização dessa tradição, mesmo diante das adversidades.
Texto e fotos: Sara Gomes
























































