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Reflexão sobre o Evangelho do 22º Domingo do Tempo Comum, com o padre Márcio Augusto

Confira o Evangelho do 22º Domingo do Tempo Comum (01 de setembro) e a homilia preparada pelo padre Márcio Augusto Silva de Souza, atualmente residente em Roma – Itália (estudos):

Evangelho (Mt 25,1-13)

— Aleluia, Aleluia, Aleluia.

— Vigiai e orai para ficardes de pé, ante o Filho do Homem!

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: 1 “O Reino dos Céus é como a história das dez jovens que pegaram suas lâmpadas de óleo e saíram ao encontro do noivo. 2 Cinco delas eram imprevidentes, e as outras cinco eram previdentes. 3 As imprevidentes pegaram as suas lâmpadas, mas não levaram óleo consigo. 4 As previdentes, porém, levaram vasilhas com óleo junto com as lâmpadas. 5 O noivo estava demorando e todas elas acabaram cochilando e dormindo. 6 No meio da noite, ouviu-se um grito: ‘O noivo está chegando. Ide ao seu encontro!’ 7 Então as dez jovens se levantaram e prepararam as lâmpadas. 8 As imprevidentes disseram às previdentes: ‘Dai-nos um pouco de óleo, porque nossas lâmpadas estão se apagando’. 9 As previdentes responderam: ‘De modo nenhum, porque o óleo pode ser insuficiente para nós e para vós. É melhor irdes comprar aos vendedores’. 10 Enquanto elas foram comprar óleo, o noivo chegou, e as que estavam preparadas entraram com ele para a festa de casamento. E a porta se fechou. 11 Por fim, chegaram também as outras jovens e disseram: ‘Senhor! Senhor! Abre-nos a porta!’ 12 Ele, porém, respondeu: ‘Em verdade eu vos digo: Não vos conheço!’ 13 Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia, nem a hora”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

 

Reflexão

Padre Márcio Augusto Silva de Souza

Motivados pela Igreja no Brasil, neste mês de setembro, os cristãos são convidados a celebrar o Mês da Palavra de Deus. Todas as comunidades, portanto, são animadas a fortalecer a dimensão bíblica junto com a catequese, a fim de que todos cresçam em seu encontro pessoal com o Senhor Jesus e percebam a riqueza presente nas Sagradas Letras que foram inspiradas por Deus e estão presentes nos corações humanos.

A Liturgia da Palavra do vigésimo segundo domingo do Tempo Comum proporciona ao fiel justamente a meditação sobre a forma de assimilar a Revelação de Deus e toda Tradição que dela provém.  Pois, se o fiel escuta e apreende a Palavra Divina de maneira legalista é possível que sua experiência de fé se esvazie porque estará simplesmente focada no aspecto dos costumes, das rubricas, da regra…

Por isso, ao acompanharmos os textos de São Marcos, é muito importante chegarmos a este momento em que Jesus se dispõe a um profundo diálogo com os chefes religiosos de sua época. Pois, o Mestre estava já consciente de que o povo o procurava por causa dos milagres, dos pães partilhados; ou seja, para suprir suas necessidades básicas. Mas, a missão de Jesus é muito maior que o de um assistente social, suas palavras são muito mais profundas e edificantes que os de um coaching… Ele veio nos oferecer a Vida em plenitude!

Neste domingo, as comunidades de fé são convocadas a meditar a primeira parte do capítulo sétimo do Evangelho de São Marcos. É o momento em que Cristo, de modo profético questiona o modo de experimentarmos a fé. O Catecismo da Igreja Católica (n. 26) afirma que “A fé é a resposta do homem a Deus, que a ele Se revela e Se oferece, resposta que, ao mesmo tempo, traz uma luz superabundante ao homem que busca o sentido último da sua vida”. Logo, os cristãos não podem simplesmente compreender a fé como um conjunto de dogmas e regras a ser estudado e cumprido para se obter a salvação.

Sobre esta questão, vale a pena lembrar a célebre abertura da Carta Encíclica cuidadosamente escrita pelo Papa Bento XVI que nos apresenta a fé cristã como uma profunda experiência com Jesus Cristo: “Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo” (Deus Caritas est, n. 01). Desse modo, somos convidados a compreender que a vida cristã corresponde a uma experiência com uma pessoa e não somente com o cumprimento de preceitos e anúncio de dogmas.

No Evangelho, então, São Marcos vem nos apresentar que fariseus e alguns escribas questionaram Jesus sobre o descumprimento da tradição dos antigos, realçando que estes estavam apegados a esta mesma tradição. Punham Jesus como um desertor da Lei e como um influenciador da inadimplência dos costumes. Entretanto, recebem uma resposta que põe em xeque o modo como compreendiam a Lei.

Já o Deuteronômio, proposto como primeira leitura desta vigésima segunda Liturgia Dominical, fazia um alerta quanto ao acréscimo de algo que não fazia parte das recomendações reveladas por Deus (v. 2) e propunha o apego exclusivo ao Senhor e não a outras experiências de fé em vista de não sucumbirem (v. 4). Ironicamente, fariseus e escribas, homens de fé, cumpridores dos estatutos do Senhor, estavam mais apegados à Lei que ao próprio Senhor da Lei.

Atualmente, não podemos deixar de nos indignar com aqueles que se revestem de proclamadores de suas próprias ideologias, homens e mulheres legalistas, que impõem rigores extremos até mesmo onde o próprio Cristo não os impôs. Muitos são “aproveitadores” da fé ingênua de tanta gente simples que, infelizmente, caem nos “golpes” de pessoas que se revestem de religiosos; mas que, na verdade, são pessoas que desejam palco e autopromoção no lugar de proclamar a Fé em Nosso Senhor Jesus Cristo.

Sobre este desafio, levantamos a voz do Papa Francisco que, na Exortação Apostólica Gaudete et Exultate apresenta os “inimigos sutis da santidade”, forças que atrapalham o seguimento justo e autêntico da vida cristã, afirmando o seguinte:

Ainda há cristãos que insistem em seguir outro caminho: o da justificação pelas suas próprias forças, o da adoração da vontade humana e da própria capacidade, que se traduz numa autocomplacência egocêntrica e elitista, desprovida do verdadeiro amor. Manifesta-se em muitas atitudes aparentemente diferentes entre si: a obsessão pela lei, o fascínio de exibir conquistas sociais e políticas, a ostentação no cuidado da liturgia, da doutrina e do prestígio da Igreja, a vanglória ligada à gestão de assuntos práticos, a atração pelas dinâmicas de autoajuda e realização autorreferencial. É nisto que alguns cristãos gastam as suas energias e o seu tempo, em vez de se deixarem guiar pelo Espírito no caminho do amor, apaixonarem-se por comunicar a beleza e a alegria do Evangelho e procurarem os afastados nessas imensas multidões sedentas de Cristo (n. 57).

A resposta de Jesus aos seus interlocutores é enfática. Sua exortação é iniciada com um forte vocativo: “Hipócritas”. Ou seja, Jesus sabia o que estava presente no coração daqueles que condenavam a postura dos seus discípulos. Seus questionadores estavam dispostos a delatar o descumprimento dos costumes; mas, ao mesmo tempo, eram capazes de cometer atrocidades contra o próximo em nome da Lei e de Deus.

Retomando o profeta Isaías, Jesus denuncia o esvaziamento da Fé pela prática de preceitos meramente humanos deixando de lado a Revelação do próprio Deus quando, entre outras palavras, disse: “seu coração está longe de mim” (Marcos 7,6). Esta é uma afirmação que nos deixa estupefatos! Como alguém pode ser religioso e estar distante de Deus? Como, diante do Senhor de toda Verdade, alguém pode pretender viver na hipocrisia?

Portanto, esta reflexão sobre o puro e o impuro presente no Evangelho segundo São Marcos ajuda cada leitor a se questionar quanto o seu modo de viver a fé, não enrijecendo-se através das normas, nem assumindo uma postura relativista, banalizando a nossa fé. Nosso esforço, segundo o olhar de São Tomás de Aquino, deve ser a busca da moderação, justamente “para não tornar a vida pesada aos fiéis, [pois, desse modo] se transformaria a nossa religião numa escravidão” (Summa Theologiae, I-II, q. 107, art. 4).

Jesus, portanto, neste evangelho, nos provoca a ser mais autênticos, a colocar nossas “verdades e situações” diante de Deus, conscientes de que, com sua misericórdia, há de nos auxiliar no caminho de entendimento e vivência da Palavra que nos é oferecida. Por isso, que neste mês de setembro que se inicia, sejamos incentivados a ler e meditar a Palavra de Deus sem esvaziá-la com nossas próprias ideias. Que deixemos o próprio Senhor, através do seu Divino Espírito nos comunicar sua Verdade, conduzindo-nos sempre mais nos caminhos da conversão e nos demonstrando a imensidão do seu amor e nos inspirando a sermos pessoas cada vez melhores…

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