Reflexão sobre o Evangelho do 28º Domingo do Tempo Comum

"Que o Senhor nos ajude a darmos o passo decisivo: o abandono de todas as coisas e, de nós mesmos, colocando tudo nas Suas mãos", escreveu Dom Valter

Confira o Evangelho do 28º Domingo do Tempo Comum (13 de outubro) e a homilia preparada pelo bispo auxiliar da Arquidiocese de São Salvador da Bahia, Dom Valter Magno de Carvalho:

Evangelho (Mc 10,17-30)

— Aleluia, Aleluia, Aleluia.

— Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 17 quando Jesus saiu a caminhar, veio alguém correndo, ajoelhou-se diante dele, e perguntou: “Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna?” 18 Jesus disse: “Por que me chamas de bom? Só Deus é bom, e mais ninguém. 19 Tu conheces os mandamentos: não matarás; não cometerás adultério; não roubarás; não levantarás falso testemunho; não prejudicarás ninguém; honra teu pai e tua mãe!” 20 Ele respondeu: “Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude”. 21 Jesus olhou para ele com amor, e disse: “Só uma coisa te falta: vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me!” 22 Mas quando ele ouviu isso, ficou abatido e foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico. 23 Jesus então olhou ao redor e disse aos discípulos: “Como é difícil para os ricos entrar no Reino de Deus!” 24 Os discípulos se admiravam com estas palavras, mas ele disse de novo: “Meus filhos, como é difícil entrar no Reino de Deus! 25 É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus!” 26 Eles ficaram muito espantados ao ouvirem isso, e perguntavam uns aos outros: “Então, quem pode ser salvo?” 27 Jesus olhou para eles e disse: “Para os homens isso é impossível, mas não para Deus. Para Deus tudo é possível”. 28 Pedro então começou a dizer-lhe: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos”. 29 Respondeu Jesus: “Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, 30 receberá cem vezes mais agora, durante esta vida — casa, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições — e, no mundo futuro, a vida eterna.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

Dom Valter Magno de Carvalho, bispo auxiliar da Arquidiocese de São Salvador da Bahia

Reflexão: A escolha exigente pelo Reino de Deus

A liturgia da Palavra deste 28º Domingo do Tempo Comum, nos convida a refletir sobre as escolhas que precisamos fazer para sermos fiéis discípulos de Jesus. O evangelista Marcos nos apresenta Jesus caminhando com seus discípulos em direção à Jericó (cf. Mc 10,17-30). Podemos dizer que este é um caminho catequético, onde Jesus vai exortando seus discípulos sobre as exigências do seguimento. Neste percurso, aparece um homem que faz uma pergunta fundamental para a vida do seguidor de Jesus: “Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna?” (v. 17). Este não é simplesmente um questionamento, mas uma busca pela autêntica sabedoria, o único absoluto, o sumo valor, que deve ser buscado com todas as energias e diante do qual tudo o mais precisa ser relativizado. O que se busca é a vida eterna.

O diálogo que se estabelece mostra Jesus desenhando para o homem o mapa do caminho, que passa pelo cumprimento da lei (cf. v.19). Viver de acordo com as propostas de Deus é, na perspectiva de Jesus, um primeiro passo para chegar à vida eterna. No entanto, no desenrolar do diálogo com o Mestre, o homem descobre que o cumprimento da lei é apenas um passo e não o único passo para se alcançar a vida plena.

Na bela cena do evangelho, Jesus ouve que o homem se esforçava desde a sua juventude para cumprir a lei (cf. v. 20), olhando para ele com amor, Jesus mostra que era preciso dar um novo passo que tem um outro grau de exigência. O Mestre aponta três condições fundamentais que precisam ser assumidas pelo discípulo: centrar-se no bem eterno, assumir a partilha e a solidariedade como projeto de vida e segui-lo no caminho do amor.

Viver estas condições, exige do discípulo despojamento de tudo que o aprisiona. Na visão de Jesus, os seus seguidores precisam ter a coragem de esvaziar-se e abrir mão das próprias ideias, seguranças ou outros apegos para estarem suficientemente preparados para colher aquilo que realmente vale a pena. Só no despojamento e na aniquilação é possível abrir-se à novidade do Reino de Deus e deixa-se contagiar pela sua proposta.

Na realidade vivida pelo personagem do Evangelho, o que o aprisionava e o impedia de seguir Jesus de modo mais perfeito era o acúmulo dos bens materiais, por isso, a condição imposta por Jesus: “Só uma coisa te falta: vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu” (v.21). Para tornar-se discípulo é preciso encontrar a coragem de abandonar aquilo que possa impedir de fazer o projeto de Cristo o critério decisivo das opções pessoais e o referencial seguro da caminhada. Quem tem a ousadia de fazer-se pobre e reconhecer-se limitado, então está se tornando capaz de receber a recompensa que só Deus pode oferecer em sua generosidade (cf. v. 30).

No entanto, mesmo diante da promessa de recompensa feita pelo Senhor, o despojamento e a entrega da vida no seguimento de Jesus não é algo fácil de ser assumido e vivido. Contemplando a cena do Evangelho, percebemos que o desfecho não foi tão positivo: o homem “ficou abatido e foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico” (v.22). Ou seja, aquele que se ajoelhou aos pés de Jesus e o chamou de “Bom Mestre”, na hora decisiva, não conseguiu fazer a escolha do abandono dos tesouros humanos para possuir o verdadeiro tesouro. Esse é o grande desafio que se apresenta a cada discípulo de Jesus, portanto, a cada um de nós: a capacidade de escolher o próprio Senhor, deixando de lado tudo que possa nos impedir de viver o seguimento com liberdade e desprendimento.

Que o Senhor nos ajude a darmos o passo decisivo: o abandono de todas as coisas e, de nós mesmos, colocando tudo nas Suas mãos. Desta forma, receberemos a recompensa que não faltará, mesmo que em meio às perseguições e, no mundo futuro, teremos o que realmente importa: a vida eterna (cf. v. 30).

 

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