São Francisco Xavier

Dom Murilo S.R. Krieger, scj

Arcebispo de São Salvador da Bahia – Primaz do Brasil

 

No próximo dia 28, no Instituto Feminino – Salvador, estarei lançando o livro: “Documentos de Fundação e outros Registros da Arquidiocese de São Salvador da Bahia – Sede Primacial do Brasil”. Fruto de vários anos de pesquisa, essa obra reúne documentos importantíssimos da História desta Arquidiocese, dentre os quais  a Bula de Criação da Diocese, a Bula de Elevação da Diocese à Arquidiocese, o Breve que eleva a Catedral Metropolitana à categoria de Basílica, o Decreto da Sagrada Congregação para os Bispos, que reconhece a Arquidiocese de São Salvador da Bahia como “Sede Primacial” e seu Arcebispo, “Primaz” etc. Valorizam o livro  dezenas de fotos de nossas igrejas restauradas.

Três apêndices enriquecem esse trabalho: um sobre o Brasão, outro com a lista dos Bispos e Arcebispos e um terceiro com as datas importantes da Arquidiocese. Os Anexos, por sua vez, contêm documentos que ajudam a entender a razão de S. Francisco Xavier ter-se tornado Padroeiro desta cidade. E é particularmente sobre isso que quero fazer algumas considerações, uma vez que há os que propõem deixar S. Francisco Xavier de lado, para fazer de Santa Dulce dos Pobres a padroeira da cidade.

Quase no final do século XVII, o “Sereníssimo Senhor Rei D. Pedro II… aprovou o voto que fez a cidade da Bahia de tomar por seu padroeiro o apóstolo do Oriente S. Francisco Xavier”. O pedido, que tinha sido aprovado pelos “Oficiais da Câmara da Cidade da Bahia”, pelo “Capitão Geral do Estado do Brasil e dos cidadãos” e pelo povo, tinha como motivo a libertação da peste que dominara a cidade, e levara o povo a se voltar para esse santo. “E porque os seus votos e promessas não tinham validade sem a minha aprovação, me pediram que lhes mandasse passar a Provisão.” Ficou, então, estabelecido que anualmente, no dia 10 de maio, haveria homenagens de gratidão ao santo protetor. Em 1642, a Santa Sé aprovou tal escolha, confirmada, posteriormente, por outros documentos.

Alguém poderia perguntar: por que, então, as celebrações de São Francisco Xavier não se popularizaram? Eram populares. Mas é preciso lembrar que, expulsos os jesuítas do Brasil (1759), por ordem do Marquês de Pombal, procurou-se banir da cidade toda e qualquer referência à Sociedade de Jesus – e, também, ao próprio padroeiro. Só quase um século depois (1845)  religiosos  daquela congregação puderam retornar ao nosso país.

Tenho um carinho imenso por Santa Dulce dos Pobres e sinto-me privilegiado por ter participado ativamente de sua canonização. Vejo, contudo, inoportuna a ideia de torná-la padroeira de Salvador. Cabe-nos respeitar escolhas feitas por nossos antepassados e restituir a S. Francisco Xavier o   lugar que ele merece ocupar.

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