Saúde mental em foco

Não podemos cansar de amar quem passa por momentos de angústia e depressão e necessita de maior atenção e de cuidados

Cardeal Dom Sergio da Rocha

Arcebispo de São Salvador da Bahia, Primaz do Brasil

 

Os casos de depressão, ansiedade e estresse têm aumentado muito. O assunto deve ser enfrentado como um problema de saúde pública, que requer os devidos investimentos de governos e órgãos públicos para tornar acessível à população o direito à saúde integral, proporcionando e ampliando os serviços. É necessário olhar com maior atenção e cuidar mais da vida fragilizada pelas doenças mentais. O assunto necessita ser colocado em foco.

Pessoas que sofrem com a depressão e outras enfermidades de cunho psíquico exigem a compreensão e a proximidade fraterna de familiares e de pessoas amigas. A experiência de ser amado é fundamental na superação dos problemas. O amor que se expressa no cuidado de quem sofre contribui para a cura. Não podemos cansar de amar quem passa por momentos de angústia e depressão e necessita de maior atenção e de cuidados.

Contudo, os problemas não se restringem ao interior das residências ou de ambientes de trabalho. Merecem especial atenção os que sofrem distúrbios mentais abandonados nas ruas, os que estão nas prisões e em situação de extrema pobreza, dentre outros. As doenças mentais não implicam em menor dignidade humana ou menos direito à assistência médica. Por isso, o enfrentamento das enfermidades psíquicas, no âmbito da saúde pública, exige também a devida atenção aos problemas sociais.

Dentre os diversos fatores importantes de proteção da saúde mental, estão o sentido dado à própria existência, a redescoberta do valor e da alegria de viver e as atividades religiosas. No campo da espiritualidade têm sido revalorizados a meditação, o silêncio e a oração, assim como a participação numa comunidade fraterna e acolhedora. No “Documento Final” do recente Sínodo dos Bispos, ocorrido no Vaticano, aparece a proposta de um serviço eclesial de escuta e acompanhamento, a ser concretizado nas Igrejas locais, que não se confunde com a assistência psicológica ou psicoterapias realizadas por profissionais habilitados. Tal ministério pastoral pode contar com a colaboração de leigos e leigas, segundo critérios a serem estabelecidos. Trata-se de oferecer a oportunidade de escuta e de proximidade fraterna a quem passa por maiores dificuldades e busca auxílio espiritual.  Existem já importantes iniciativas promovidas por Igrejas para proporcionar a escuta, a acolhida e a orientação para quem procura a ajuda. Dentre elas, estão os grupos de apoio e de partilha e o atendimento online.

É muito importante a ajuda especializada no campo da saúde mental. É preciso superar os preconceitos e buscar o tratamento adequado, como ocorre em outras enfermidades que necessitam de auxílio médico. A vergonha e o medo de pedir ajuda, compreensíveis, numa sociedade que tende a rotular e a discriminar quem sofre com transtornos mentais, agravam ainda mais os problemas. Admitir as dificuldades e buscar ajuda são passos de esperança e de vida nova.

*Artigo publicado no jornal Correio em 25 de novembro de 2024.

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