Sóror Joana Angélica

Cardeal Dom Sergio da Rocha

Arcebispo de São Salvador da Bahia, Primaz do Brasil

Dois de julho é muito especial na Bahia, comemoração da independência do Brasil na Bahia ou da independência da Bahia para integrar-se ao Brasil independente, em 1823, culminando as lutas pela independência no Recôncavo baiano. Ao fazer memória de heróis e heroínas da Independência, ressalta-se a importância da participação popular, especialmente dos índios, representada pela tradicional figura do “caboclo”.

Dentre as figuras marcantes do itinerário rumo à independência, está Joana Angélica, “sóror”, como tem sido denominada pela sua condição religiosa de “irmã”, “abadessa” da comunidade monástica feminina que vivia no Convento de N. Sra. da Conceição da Lapa, em Salvador. Ela tem sido considerada, assim como Maria Quitéria, heroína da Independência do Brasil na Bahia. Maria Quitéria, por integrar o batalhão de combatentes. Joana Angélica, por integrar um outro “exército”, formado por mulheres que traziam consigo a cruz e o rosário, assassinada às portas do Convento, aos 20 de fevereiro de 2022.

O significado do seu gesto ultrapassa a atitude patriótica de enfrentamento dos soldados portugueses, pela liberdade do Brasil. O seu martírio ocorre em defesa, não somente de um edifício religioso, mas do que ele representava: a comunidade de irmãs que lá vivia, a fé em Cristo por elas professada, a Igreja que devia ser sempre respeitada. O seu gesto corajoso merece figurar, com maior atenção, não somente na história da Independência do Brasil, mas na história da Igreja Católica na Bahia. Precisamos conhecer e valorizar mais Joana Angélica, bem como, a história rica e plural da Bahia. Precisamos falar mais de nossa história e divulgar mais os estudos que têm sido realizados, reconhecendo a importância da contribuição de Salvador e dos baianos para o Brasil de ontem e de hoje.

Neste tempo tão sofrido da pandemia, há inúmeros heróis e heroínas lutando pela vida e a saúde de nossa população. Os profissionais da saúde são os novos heróis e heroínas da independência, pois sem vida e saúde não pode haver liberdade e independência. Com eles, estão tantas outras pessoas que se dedicam aos doentes, aos pobres e aos mais fragilizados. O “caboclo” da Independência adquire novos rostos, de pessoas anônimas que lutam bravamente pela superação da pandemia, como verdadeiros heróis. Soror Joana Angélica faz pensar na dedicação incansável e corajosa de tantas pessoas que, movidas pela fé, rejeitam a invasão e a destruição de pessoas, casas e comunidades, seja pelo vírus da pandemia, seja por outros “vírus” que contagiam, ameaçam e causam a morte, impedindo alcançar a liberdade e preservar a vida, como a violência e a miséria. Ela nos faz pensar na importância da oração, dos lugares de oração e da comunidade de fé para a superação da ameaça representada pelo coronavírus.

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